dia dos pés
Pés. Tenho dois.
Posto isso, vou falar deles, por que não?! Se de cabeça, que só tenho uma, eu falo pra caramba, por que não falar dos pés, que me sustentam, que me carregam, que vão pra onde eu mandar, quer queiram, quer não?
Não são exatamente uma jóia. Nem mesmo bijouterie, daquelas baratas. São razoáveis em sua função.
Quando meu encantador mas pouco delicado marido me conheceu, naquela fase de namoro em que os dois acham o outro a oitava maravilha, ouvi dele que se quisesse ficar rica devia vender meus dedos dos pés a metro, na feira.
Podia ter rompido o namoro ali, na hora.
Não rompi. Namorado bom é difícil de achar.
O tempo mostrou que fui ajuizada. Marido bom é mais difícil ainda.
Mas nunca esqueci aquelas palavras.
E no entanto eles são razoáveis. Magros, sem joanetes, uns dois ou três calos, mas qual mulher não os tem?
Já caí algumas vezes na vida. Nunca, porém, devido aos pés. Por culpa de prefeitos incompetentes, de tornozelos ídem, de encontrões com gentes e animais desavisados algumas vezes. Nunca, porém, graças aos meus pés, sempre fincados no chão, como compete.
E nesta semana, talvez no intuito de homenagem, sei lá, às minhas bases, pintei as unhas (aquelas dos dedos grandes) de rosa bebê e comprei uma palmilha de metatarso ( depois de anos de tango, finalmente resolveram se fazer notar). Eles merecem, meus pés.
E ainda fiz este post.
Quanto ao marido, esse devia beijá-los, os meus pés. Porque a mulher que eles carregam é muito, muito legal. E nada modesta.




