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motel

Tem coisa que a gente nunca fez e quando conta pros outros os olhos se arregalam: como assim? Nunca? Nunca mesmo?
Pois é. Nunca.

Eu nunca fui a um motel. Pior: não tenho vontade nenhuma de ir.

E olhe que à minha volta, aqui na região em que moro, estou rodeada deles, assim como estou rodeada de estradas de saída da cidade. Tem pra todos os gostos: gregos, egípcios, italianos, temáticos em geral. Com descontos, com oferta de almoço executivo ( que será isso?), com oferta de descontos dependendo do dia da semana.

Isso – motel- não existia quando eu era, digamos, iniciante nas artes. Faz tempo, nossa, como faz! Havia drive-in, outro estrangeirismo, mas a gente não tinha grana nem pras coisas nacionais, que dirá drive-ins e congêneres!

O que havia de fácil acesso era o escurinho do cinema, os mirantes – aqueles que se dizia que eram pra ver submarino passar- os murinhos, os parques, os bancos de carro. Tudo incômodo pra caramba. Mas quando se é adolescente incômodo mesmo só os pais da gente, o resto passa.

Então tem essa coisa de motel. Já vi em filmes que é cheio de espelhos, camas enormes e tal. E saunas, e jacuzzis.

Puxa, eu adoro uma jacuzzi!Já tive o prazer, em hotéis chics, mas foram poucas vezes. Em minha casa de criança havia banheira e box. Mas minha mãe proibia tomar banho de banheira porque dizia que não era escrava pra ficar polindo e limpando banheira. A gente que tomasse banho de chuveiro, que era mais eficiente, mais moderno e coisa e tal. Minha mãe era reclamona pra xuxu, mas acho que tinha razão. Só ela pra cuidar de um montão.

Então banheira era aquela coisa que eu levava brinquedos e fingia que era barco. Tinha que fingir muito porque ela não deixava nem por água.

E hoje me divirto lendo os nomes de motéis. E as promessas que eles fazem pra quem for lá.

E fico pensando na minha cama de colchão com densidade máxima – pros meus problemas de coluna- nos meus incríveis travesseiros, que custaram uma nota preta, no cheirinho da minha roupa de cama, no maridão e os problemas de coluna dele também, do preço do motel que eu posso gastar em vinho, da mão de obra do antes e depois, da relação custo-benefício, da musiquinha de fundo que em casa é bem melhor, da privacidade que eu continuo preservando e gostando e...bom, não dá vontade.

Vai ficar pra outra encarnação.

jacuzzi_bathtub_2.jpg

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Comments

Vim ao seu blog motivado pela seu comentário no nosso ANTENA. Obg pelo carinho de visita. Gostei do seu. Parabéns pela postura ética e verdadeira, como revela esse post do motel.
Ah! aproveitei e coloquei o seu CHE CARIBE entre os meus indicados.
Paz e Bem

Maray, você me diverte sempre. Adoro vir ao seu blog.

almoço executivo é almoço pra executar. vc almoça e executa, sacou? bjssssss

Na primeira noite da casa nova em Salvador, trabalhamos o dia inteiro para arrumar e limpar tudo. No final do dia faltou água e decidimos domrmir num motel. Entramos e saímos de dois motéis por falta de higiene. O terceiro estava limpinho, mas tivemos que nos contentar em jantar sanduíches.

Afinal, tenho isso, também, em comum consigo, Maray. Nunca fui a um motel. Talvez porque, por cá, não sejam muito frequentes. Grande parte dos, poucos, que conheço, serão mais do género «mirante». E a impressão geral será, como comentado antes, a de grande falta de higiene. Logo, talvez fique, também, pra outra encarnação.

Oi, eu sou a Regina carnivora que comentou no enfia o dedo no curry. Cheguei aqui por causa da sua resposta. E estou gostando... Em janeiro de 95, meu marido ingles e os meus filhos ingleses (com 9 e 11 anos na epoca) mais a nossa cachorra estavamos indo de Porto Alegre pra SP, sem grana pra nada e tendo que dormir em algum ligar. Escondemos as criancas, a cachorra, e paramos num motel. Pagamos a noite inteira e nos aboletamos, os 4 numa cama pequena, num quarto cheio de espelhos. Tudo bem, ninguem desconfiou, so que nos esquecemos a tijela de agua da cachorra... Eles devem ter nos achado um casal meio estranho...

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