vidas passadas
Nunca paguei (e nem de graça toparia) pra alguém me remeter a vidas passadas. Já me remeteram a muitos lugares, entre bons e nem tanto, mas a vidas passadas não ainda.
Então eu mesma me remeto. Sim, porque quem mais sabe da minha vida se não eu?
Pois, levando em conta os dejavus que já tive, certos pendores naturais que pareço ter trazido do berço e muitas dificuldades injustas e inexplicáveis à luz da razão, sei com certeza que em vidas passadas fui arrumadeira do castelo da Maria Antonieta.
Senão vejamos. Esse nome: Antonieta, era o nome da minha mãe. Uma mulher autoritária e que fazia brioches como ninguém. Fazia outras comidas também, mas era boa nos pães.
Segundo ela, por ser filha de padeiro. Segundo minha teoria, por ter sido, ela mesma, Maria Antonieta em outra encarnação. Fazer pães com as próprias mãos entrou na história como um karma, uma punição a ser cumprida a quem com tanto descaso tratou a plebe ignara.
Arrumadeira: essa coisa inexplicável que me faz arrumar desde os quadros tortos do consultório do meu dentista até o vaso de plantas da estação rodoviária. É mais forte do que eu. Como se uma voz ancestral me impelisse a botar ordem e simetria. Tudo bem, eu poderia ter sido Deus, o que fez ordem do caos. Mas não sou tão boa arrumadeira assim...Então devo ter sido mesmo do castelo da Antonieta: a quinta na ordem hierárquica a contar do moço da estrebaria. De baixo pra cima. À esquerda de quem entra. Onde eu estava mesmo?
Ah, vidas passadas! Como explicar, a não ser por vidas passadas, essa claustrofobia? Essa hérnia cervical? Claro! Devo ter sido guilhotinada junto com a patroa. Daí a sequela na cervical que guardo até hoje. Daí a dificuldade em levantar vidraças. Daí a facilidade em me cortar com qualquer tipo de lâminas, mesmo as descartáveis!
E o gosto por roupas vintage? Por colares e pulseiras baratos? (arrumadeira não tinha salário bom naquela época. A luta continua! ) Menos perucas, que odeio! Claro, daí deve ter vindo minha rinite! Sabe lá o que é espanar centenas de perucas que a Antonieta aquela devia ter? Sequela: uma rinite que atravessa os séculos!
Então é isso. Vidas passadas é fogo! Algum dia desses ainda regrido a vidas mais antigas ainda. De vez em quando noto uma irmandade suspeita entre os camelos e eu. Fora que são meu animal preferido. Só não sei bem a ordem: terei sido um camelo em Agadir ou uma arrumadeira que camelou demais e adquiriu essa simpatia pelo bicho??

Comments
Maray, não sei quanto à Antonieta mas, às palavras, continua a arumar muito bem...
Posted by: Marx | maio 25, 2007 7:23 PM
o que eu fui o que devo fzer
Posted by: soniamaria leal melzzi | julho 9, 2007 3:28 PM
ok tass na boa mas se for pela minha teoria entao eu fui uma linda modelo e k nesta vida sou feia pk tenho de dar a vez a outras raparigas k em vidas passadas foram feias.
Posted by: filipa | julho 18, 2007 7:55 PM