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sibéria

Levanto com a cabeça doendo. O pescoço pra dentro, como uma tartaruga velha. O cocoruto lateja. Ao por os pés pra fora da cama, as panturrilhas enrijecidas gritam. Ou gritariam, se tivessem voz. Mas meus ouvidos internos pras dores do dia a dia ouvem as panturrilhas. E todo o resto.

Ao lavar o rosto, num ato heróico, a água corta a cara. As mãos azulam. Fico pensando que é mais ou menos como ficarei depois de algumas horas de morta. Afasto o pensamento macabro e enxugo com força o rosto. Pra ver se o sangue volta.

Faço as necessidades básicas e lembro um trecho de livro lido ainda na infância. Era sobre alguma das guerras vividas na sibéria. Contava que muitos soldados morriam no simples ato de fazer cocô. Enregelavam. Penso duas vezes mas não estou na Sibéria. Faço o que tem que ser feito.

E penso também na necessidade de trocar de roupa. Que hábitos a cultura nos impõe! Quando será que foi criada essa história de dormir com uma roupa e botar outra durante o dia? Não existe a moda “lingerie” aparente? Ou as calças largas, as “palazzo pijamas” ? Mas sei que se sair a rua com a “minha” calça larga de pijama não enganarei nem por um momento.

Gozado isso: os fashionistas compram calças rasgadas e puídas. Vestem malhas moles e desbotadas. Seus cabelos parecem saídos de uma semana de cama e febre altas, todos melados e revoltos. Mas se você, por um momento que seja, sair à rua como acorda, ou com seu pijama velho e cabelo sem pentear, todos se voltam pra olhar. É muito difícil de entender.

Resignada, entro no box pro banho. E saio de lá enrugada, esbranquiçada, soltando vapor por todos os poros, quase uma hora depois.

No meio do fog diviso no armário a próxima tarefa a ser cumprida. Escovar os dentes.

Será que dá pra escovar os dentes com chocolate quente??

siberia.jpg


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Comments

Qué texto tan lindo y personal. Admiro tu prosa porque con ella vas descubriendo cosas y haciendo que yo como lector me maraville de la peculiar forma con que te miras a tí misma y al mundo que te rodea.

Quando era miudo vi um desenho animado em que um rapaz, ao acordar, saltava por uma argola e já estava vestido, lavado e tudo o mais.
Fiquei sempre a sonhar com isso...
E quanto a andar na rua de pijama, quem sabe se,ao experimentares um dia, isso não vai mesmo virar moda...

Alvaro: o mundo é sério demais pra ser tratado com seriedade, não é?

Peciscas:eu, lançando moda?? Então aí vai: neste inverno, papete com meia. Aliás, meião, daqueles de jogadores de futebol!Será que alguém se habilita? :)

Eu que sou chocólatra adorei mais essa desculpa para otomar um chocolate.

Maray, naquele dia que fez frio máximo eu fui com a camisa de flanela do dia direto para cama, bem quentinho. Não espalha senão vão achar que sou porquinho, rs.

Beijos quentinhos.

Já contei que quando vou nadar pela manhã, ponho o maiô embaixo do pijama só pra não ter que tirar tuuudo quando acordar?
Fica só entre nós.

Sônia: e desde quando chocólatra precisa de desculpa?? Vamos assumir!

Ordisi: porquinho! porquinho!

Ana: agora a touca e os pés de pato você só põe de manhã, né? .....ou não?!

Tô achando que tá fazendo frio por aí.

Jajajaj. Exagerada!!
De cualquier manera... yo prefiero Siberia al Sahara. ¿Y tu?

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