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de dor, bois e verbos esquisitos

O que leva as pessoas a sentirem dor e gostarem disso? Dizer que é masoquismo puro só dá nome aos bois. Eu não quero só dar nome aos bois. Quero saber pra que serve o boi. De onde veio e pra onde vai.

Tá bom, o boi não me interessa tanto assim, eu que nem carnívora sou. É só uma imagem pra tentar fazer quem me lê entender minha profunda indagação a respeito da dor humana.

Ontem ouvi um ex-recente campeão de natação dizer que se aposenta. Aos 32 anos. E dizer das muitas dores que sempre sentiu por 18 (!!) anos.

Ainda nestes dias vi um professor de educação física falar quase a mesma coisa. Mas esse, ao contrário, não se aposenta. Continua. E diz que pra se sentir forte mesmo, fazendo esporte como se deve (!!) tem que sentir dor.

Na sequência dos eventos que me embasbacaram, peregrinos do caminho do sol adoram o passeio porque sentem-se superando obstáculos, como por exemplo, a dor.

Nesses casos todos a dor está relacionada à competição, foi o que deduzi. À competição com os outros, à competição consigo mesmo.

Ora, se eu compito (sei que o verbo dessa forma fica horroroso, mas existe sim, conferi) eu compito com alguém. Que esse alguém seja eu mesmo não modifica o fato de que são dois.

Eu e eu. Ou seja, esquizofrenia é pouco pra essa dupla personalidade. Não só me divido em dois como ainda estabeleço competição nessa mente sub-dividida. E “me supero” !! E a superação nos casos citados vem carregada de dor e sacrifício.

Isso tudo é muito louco pra mim. Que as pessoas façam coisas estranhas por conta de fama e prêmios por vezes irrisórios já me custa aceitar. Agora que elas façam coisas sentindo dor, podendo evitar!! Sim, porque há as dores inevitáveis. Essas não tem jeito. Há que se aguentar.

É isso ou a morte e a morte ainda acho pior que a dor. Pelo menos as que senti até hoje. Mas sentir dor e sentir prazer com ela! Se machucar e achar que valeu! Brigar consigo mesmo, ganhar de si mesmo, doer e machucar, e gozar com a superação!

Superação de que, cara pálida?

E o prazer advindo da felicidade, da risada gostosa, do calorzinho no cangote, da barriga em deleites e os pensamentos em paz?

Cadê os bons e velhos prazeres da vida, as cosquinhas no ego??

Dor, heim? Tô fora!!
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Comments

Conociendo tu blog.
Saludos.

LLEGADO A UNA EDAD, EMPIEZO A TEMER, QUE EL DIA QUE ME LEVANTE DE LA CAMA Y NO ME DUELA ALGO... TAL VEZ ESTE MUERTO.

¿Será esa la explicación?

¿Le dará el dolor una "sensación de vivir" a nuestros cuerpos anestesiados?

(Y ojo, que yo prefiero las caricias a los golpes).

Penso que o ser humano ñ vive sem dor. Sabemos que é preciso saber viver e vivemos sem saber viver.

Sandel: holla!! Bienvenido!

Nadie: la muerte solo es "dejar de sentir dolor" pa quienes entiendan la vida como dolor. A mi no me gusta nada la muerte. Es dejar de sentir placer.

Humberto: nos anais da literatura psicológica, havia uma garotinha que perdeu a capacidade biológica de sentir dor. O que parecia um maná dos céus foi a causa de uma vida (curta) cheia de problemas: ela não conhecia limites. Machucava-se sem perceber. Quebrava ossos sem notar. O resultado disso é facilmente previsível. A dor tem seu lado bom, sim. Mas não deve ser nunca o lado A das nossas vidas.
Abração

A dor pela dor, claro que não.
Mas muitas vezes essa coisa da dor pode ser em sentido figurado.Tenho um filho que fez natação de alta competição durante alguns anos. Aquilo era violento e exigente, em termos físicos e psicológicos.
Falar aqui de dor é mais para dizer que se trata de uma actividade que exige muito esforço, privações e sacrifício.

Concordo consigo, Maray. Que a dor seja. se tiver que ser, o lado Z da vida de cada um...

Ouvi de Manu Chao, se posso confiar na memória:

Io llevo en el cuerpo un dolor.
Que non me deja respirar
llevo en la mano un camiño
destinado a nunca llegar.

Preferirei sempre o caminho sem dor, e que tenha paradeiro.

Abraço, Maray.

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