dos males o remédio
Há alguns anos atrás fui internada por conta de uma hernia de disco e alguns bicos de papagaios mal parados. Uma semana depois saí do hospital com recomendações físicas e psicológicas precisas. Muita fisioterapia, acupuntura, RPG e fugir de problemas.
A fisioterapia, a acupuntura, o RPG fiz direitinho. E faço, sempre que sinto a coisa – meu trapézio – endurecer. As omoplatas levantam até quase as orelhas numa tentativa frustrada de esconder o mundo de fora, tão inóspito. Os trapézios enrijecem, as costas arqueiam. É a dança dos desesperados, sem allegro mas cheia de fugas.
Mas aquela parte de fugir dos problemas nem sempre dá.
Tem os bancos. Não, não os bancos duros de jardim, incômodos, nem os bancos de escola ou de ônibus. Os bancos aqueles que dominam este país. Que são o setor que mais lucra nos últimos anos. Que têm tudo o que querem e mais alguma coisa. Os bancos de dinheiro. Aquela instituição que, não faz tanto tempo assim, vinha, através dos seus gerentes, implorar pra que fizéssemos investimentos lá, que depositássemos o dinheiro lá, que déssemos a eles a honra de administrar nossa grana.
E a burocracia. Você junta um banco com a burocracia e voilá! Uma crise de coluna! Mais rinite e dor de cabeça como efeito colateral.
Eu tento seguir conselhos médicos, eu bem que tento fugir de problemas, mas, como diria nosso memorável Garrincha: alguém avisou aos bancos disso?
Mudando de assunto, de dor para prazer, dia 5 de maio vai haver a Virada Cultural. Idéia demagógica da prefeitura, faz um tremendo estardalhaço por conta de shows e apresentações, todas aglutinadas em 24 horas. Em todo caso, vamos ter a “maior milonga do Brasil” no Mercado Municipal.Começa às 18h de sábado, a Noite Argentina. Num lugar muito bonito, como é o Mercado. Recomendo pra quem quer conhecer, ouvir tango ao vivo ( vão estar lá duas típicas) e dançar. E comer, porque todos os restaurantes do Mercado estarão abertos. Das 18 horas de sábado até 18 horas de domingo. Tem um site pra quem quiser se programar: www.viradacultural.com.br
Ao tango, então! Relaxa, passa dor nas costas e faz esquecer burocracia...

Comments
E o que nos cobram de juros por mês? E as tarifas de manutenção disso e daquilo? E as tarifas por adiantamento de crédito ao depositante? Afff! Melhor mudar o rumo (e os passos) desta prosa.
Posted by: Ana Téjo | abril 25, 2007 6:21 PM
Por cá, diz-se que se faz ginástica com o ordenado para chegar ao final do mês com algum no bolso. O trapézio é, pois, outro.
Posted by: Marx | abril 26, 2007 8:58 PM
Es decir que el tango sirve para la parte "huir de los problemas". Es sanador, el tango. Y en Buenos Aires podés seguir con el "tratamiento".
Besitos.
Posted by: Vero | abril 27, 2007 12:36 AM
Ana: eu, por mim, punha o pouco dinheiro debaixo do colchão. Mas sou procuradora do meu filho...
Marx: ESSE trapézio é triste. Sou perita nele. Em malabarismo também. Pensando bem, devia fazer do circo profissão. Bem que me sinto palhaça, às vezes...
Vero: no podré ir em mayo, como pensaba. Pero el tango sigue siendo todo: sanador e apasionante. En Baires o en San Pablo.
Posted by: maray | abril 27, 2007 1:24 AM
¡Oh! Está bien, guardo en el freezer los chinchulines que había comprado.
Posted by: Vero | abril 27, 2007 12:20 PM
Não basta avisar aos bancos. Tem que avisar os assaltantes, a filha da vizinha que ouve funk aos berros o dia todo, os motoristas que ficam buzinando no sial em frente à minha janela, e, sobretudo, avisar a família. Esta então...
Posted by: Sonia | abril 27, 2007 12:51 PM