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sapo de fora

A gente usa um certo número de palavras. Eu sei lá quantas. Eu gosto delas mas , também não sei bem porque, uso as mais simples no dia a dia e tenho umas assim “pra sair”, vamos chamar assim.

Escrevendo, alterno entre algumas gírias, infelizmente datadas, e algumas palavras mais inusuais, portanto também datadas. Ora, como eu mesma já vou me sentindo cada vez mais datada, tá limpo.

Lembro da primeira palavra chic que usei: foi “aliás”. A família me olhou perplexa -família de gente simples e palavras também- e meu pai, especialista em palavras cruzadas e no “enriqueça seu vocabulário” da Seleções, me perguntou se eu sabia mesmo o que queria dizer aquilo.
Eu sabia.

Aliás, essa é uma das palavras que mais gosto. Vocês já perceberam o quanto de possibilidades a palavra “aliás” encerra? Porque ela põe o tal grãozinho de sal na conversa, ela retifica, ela pontifica, ela sugere novas formas, ela põe a mão na cabeça e coça, duvidando. A palavra aliás é ótima.

Aliás, nem sei porque estou falando disso. Deve ser porque tentei ler uns blogs adolescentes por aqui e fiquei me sentindo “sapo de fora”.

Mas como dizem que sapo de fora não chia....

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Comments

Mãe, adorei o texto! Eu também lembro de uma palavra que falei quando criança e surpreendi: "modesto", hahaha. Mas acho que uma que gosto mesmo é "pormenor". Lembra Sherlock Holmes :)

Alías, sua filha segue seus passos. ahaha
abç

Legal "palavras prá sair"... Fiquei remexendo no baù da felicida... ops! da lembrança quando lí "enriqueça seu vocabulário" das seleçoes: eu também lia! Mas legal foi relembrar dos "cascos" no post anterior: quando saía de casa minha mãe dizia: "tá levando os cascos menina?" no que eu sempre respondia: "tá debaixo dos pés!". E lá vou eu comprar de caderneta na vendinha do Seu Manel. Bjks

Nina: pormenor é bom. É Holmes, mesmo. Detalhe também serve, mas a gente não é chegada no Roberto, né? :)

Guga: antes seguir meus passos do que ficar no meu pé!! :)

Daiza: não tem mais vendinha, nem seu Manoel, nem caderneta...Lembra que eles (os Manoéis) botavam o lápis (sim, escrevia-se a lápis!)atrás da orelha??

Também sou do clube do Aliás. E de outras palavras que são pequenas preciosidades. Das tais que põem «o tal grãozinho de sal na conversa».

Esse Manoel aí, que bota lápis atrás da orelha (para fazer contas de cabeça?) soa a português, não?

Olá,
este seu post fez-me sorrir porque lembrou-me que a minha filha mais nova, a dada altura, quando tinha talvez três anos, dizia essa palavra, com um ar muito importante, no meio das conversas, sem saber, é claro o que significava...o que nos divertia muito. Hoje, com onze anos, é a mais trapalhona da família, uma verdadeira troca-tintas...

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