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março 26, 2007

jardim e jardim

Muita coisa fica datada nesse mundo. Cabelos, comprimento de saias, músicas, hábitos, gírias, comidas. Nunca pensei que jardim fosse ficar datado, mas fica.

Eu ando sempre que posso. Não caminhada cronometrada pra fazer dela – a caminhada – uma atividade aeróbica. Porque o dia em que eu fizer isso, melhor ficar largada no sofá. Caminhada pra ser boa precisa ser intercalada. Intercalada com “olha só”, “viu isso” “vem cá bichano” “cute, cute, que cachorrinho mais lindo” e por aí vai. É o que eu chamo de caminhada participativa, numa gíria também datada.

Descobri caminhando que jardins são quase registros históricos de épocas.

Há os jardins com roseiras. E lírios e cravos. E vasos e mais vasos de antúrios. Década de 50. Jardins em que as roseiras eram plantadas meio que aleatóriamente, espalhadas por todo ele. Nenhuma preocupação estética. O critério era a cor da rosa. Ou do antúrio. Quem cuidava era a dona da casa ou algum morador.

Depois vieram os jardins “planejados”. Com pedriscos brancos ou marrons em volta dos canteiros. Com muitas samambaias de metro. Uma que outra renda portuguesa nas casas em que a dona da casa tinha “mão boa”. Formavam cantos aos lados do jardim. O meio e o entorno era coberto de grama. Nas casas de classe média, já se começavam a ver empregadas cuidando deles e jardineiros. Década de 60. O jardim se apequenava pra dar lugar à entrada de carro na lateral.

Depois os jardins quase sumiram. Quer dizer, as casas térreas e sobrados em que havia jardins quase sumiram. Jardim passou a ser uma coisinha ridícula na lateral do muro, com alguma hera, unha de gato ou trepadeira florida, desde que não ocupasse espaço onde entraria e ficaria, exposto logo ali na frente, um ou mais carros. De novo lembro que falo da classe média, a que pode morar em casa de alvenaria e terreno com mais de 5 metros de frente. Em todas as outras desta cidade, jardim é o que consegue ser plantado e sobreviver em lata de leite ou panela velha furada. Não só o nordestino é um forte neste país. As plantas de lata também são.

Hoje nas mesmas casas de classe média, o que vejo é o jardim “fast food”. Tudo igual: pedriscos brancos, muita coisa pequena e pouca cor. Muita palmeira, folhagem, coqueirinhos. Tudo arrumado como um prato de comida de chef. Os donos dessas casas nem sabem o nome das plantas que têm. E muito menos cuidam delas. A cada tanto, a cada temporada, refazem o jardim. Compram em chácaras, flores e plantas já “prontos”.O equivalente vegetal à comida congelada com que igualmente entopem seus freezers. Se a casa é grande, um grande gramado. Regado automaticamente com timer.
Jardim século 21.

Caminhar a pé tem sido uma aula de história. História de uma época de devastação.

A esperança, em todos os sentidos, ainda é aquele vasinho de lata de leite pendurado num prego, onde brota empedernida, uma espada de são jorge.

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Esse jardim não tem nada a ver com o que falei. Mas acho lindo.

março 22, 2007

binóculos

Descobri no fundo do armário um binóculos. Foi do meu pai, lembro. Que deve ter dado a um dos meus filhos. Ele aumenta muito pouco e o pouco que aumenta está desfocado.

Faço o que? O que se faz com um binóculos desgastado, velho, que não serve pra quase nada?

Bom, posso olhar as formigas dos formigueiros que se formaram pós chuva no meu quintal e no jardim. Mas pra que vou querer isso? De formigas quero distância. E, se puder, extinção total, pelo menos as da minha cozinha.

Posso ir ao Jocquey club. Nunca fui. Ver cavalo correr. Não sei se vou gostar. Um monte de gente olhando um monte de cavalo correr. E apostando um monte de grana. E perdendo mais ainda. Sei lá, meio alegórico, melhor não. Vou me deprimir.

Posso olhar a sala do vizinho da frente. Totalmente vazia, que a casa era alugada e o vizinho se mudou estes dias. Uma sala vazia, quer coisa mais sem graça?

Posso buscar passarinhos raros por aí. Tem tantos! Se eu tivesse tempo seria interessante. Não sei pra que, mas seria. Me faz lembrar do Dalgas Frish, que acho que só eu lembro. Um senhor que gravava vozes de pássaros e depois fazia discos ( de vinil) horrorosos com a montagem dessas vozes e músicas clássicas. Não devia ter lembrado daqueles discos, pronto, já subiu a adrenalina...

Posso usar do lado que diminui e ver de longe certas coisas. O problema vai ser tirar o binóculos depois. Falando em ver de longe, aquelle llá voltou. Esse nem com binóculo ao contrário. Que vida!

Pois é, não sei o que fazer. Acho que vou jogar fora. Me dá pena, porque foi do pai. Mas pena mesmo é que o pai, esse já se foi. Então o binóculo não importa nada.

Lixo!

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março 20, 2007

stress

Volta e meia me impressiono com a potência da raiva humana. A raiva amplifica forças, diminui racionalidade, aumenta a adrenalina, o batimento cardíaco, as piscadas de olho. Provavelmente dê curto circuito nas sinapses mas minha biologia não dá pra tanto.

Lembro de certa vez em que minha avó não me deixou sair com ela pra algum lugar. Já não lembro o lugar, mas nunca esqueci que fiquei o que me pareceram horas escondida atrás de uma mureta, até ela voltar e eu atirar nela, com toda a força dos meus cinco anos, uma cadeirinha de criança que eu tinha. Se pegasse machucaria, mas minha pontaria era incipiente e minha miopia desde aquela época promissora.

Mas fico estupefata até hoje com essas pessoas que reagem com raiva, com ódio desmedido ante as coisas da vida. Essa notícia que saiu nos jornais esta semana, do fulano que se jogou do terceiro andar, ao ser flagrado com uma mulher pelo marido dela e este marido teve a pachorra de descer pelo elevador ( suponho eu, já que escada demoraria e o marido era corno, não idiota de se jogar pela janela também) e ainda esfaquear o amante, me impressionou muitíssimo.

O tipo da notícia que se saísse nos “ a vida como ela é” do Nelson Rodrigues ninguém acreditaria. Pura ficção. Mas não. Aconteceu e em São Paulo, metrópole das mais moderninhas.

Eu heim? Ainda bem que moro em casa térrea, meu marido não chega de sopetão e meus amigos não são precipitados.

E eu, é claro, sou mais fiel que cachorro de mendigo...

Que nervios!!

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fidelidade a toda prova

março 17, 2007

tirando o mofo

Não sei se em todos os lugares, nem mesmo se para todas as pessoas, porém tenho a impressão que todo mundo tende a valorizar mais as pessoas depois de mortas. Como se morrer conferisse o direito a um up-grade de caráter, a uma photoshopada na personalidade.

Talvez seja pelo fato de que quando nós mesmos morrermos, querermos ser tratados assim? Não sei. Eu pessoalmente penso que depois de morta vou ligar muito pouco, quase nada, praquilo que as pessoas falarem de mim. Viva já não ligo muito...

Acontece a mesma coisa com pessoas distantes. Quando a pessoa tá perto, é um traste, um estorvo. Quando vai ficando longe e quanto mais longe, menor vai sendo a chatice. Parece que chato longe é simpático e simpático muito perto periga chatear. Sei lá. Tá confuso. Não é o texto, sou eu mesma que não entendo direito essas coisas.

Por que estou falando disso? Porque hoje é sábado...bom, nem tanto. Porque algumas pessoas, entre as quais eu mesma, andam preparando um encontro de antigos amigos de escola com antigos professores.

E o fato é que, ou minha memória está deteriorada com o tempo – o que é bem possível, já que muitas outras coisas minhas andam deteriorando com o tempo – ou as pessoas estão ficando malucas. Ouço falar de professores que eram uns verdadeiros algozes, outros chatos de fazer medo, outros autoritários até quase a gente mijar nas calças, sendo tratados e lembrados como as flores do jardim de Alah. Péra lá! Eu e a torcida do Corinthians nunca conseguimos nos livrar do trauma de aprender inglês por conta daquela que todo mundo que estudou comigo sabe. Nunca, nunquinha, em anos, conseguimos sair do João Fonseca e do the book is on the table.

Eu, que nos últimos anos venho estudando música, fico estarrecida de lembrar do Bonna, que nos era enfiado goela abaixo, assim, a seco. A professora era uma ótima pessoa, eu também achava, mas aquilo nunca foi jeito de interessar aluno em música. Alunos sem noção nenhuma de qualquer instrumento, fissurados em rock, tendo que cantar em várias vozes o “foi boto sinhá, foi boto sinhô”.

Acho que é o mesmo fenômeno. A distância ameniza chatices, aplaina diferenças. Foi uma época interessante pra maioria, essa da adolescência. Pra mim não, por problemas familiares, mas eu não sou maioria. Porém reconheço que muitas das minhas melhores lembranças, incluindo aí amigos e amigas vêm dessa época. Por isso estou feliz de reencontrar pessoas, mesmo sabendo que não vou reconhecer ninguém nem elas a mim, mesmo sabendo que gente que eu gostava na época posso detestar agora e vice-versa. É gente nova pra mim que por coincidência, tem os mesmos nomes dos meus amigos de escola.

Um brinde a isso!

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março 15, 2007

chuva

Choveu muito ontem. Precisando sair, ou melhor, podia até deixar pra outro dia, mas não quis, saí. Tênis no pé, o que foi uma bobagem, o tênis é de tecido, molha todo, guarda-chuva preto de “10 real” em punho. Mal cobre o próprio punho.

A chuva mudou muito nestas últimas décadas.

Quando eu era pequena ela era totalmente diferente. Eu, muitas vezes, nem precisava de guarda-chuva.
Que digo? Na maioria das vezes não precisava de guarda-chuva. Guarda-chuva era coisa de mãe e de avó, mandando levar porque “o céu está pra chuva, cuidado, vai se resfriar, olha a garganta, menina, a gripe, a pneumonia” ! Família dramática é fogo.

Eu fingia que pegava e esquecia na varanda, como quem não quer nada. E a chuva vinha, é claro. Praga de mãe e de avó – duas vezes mãe- não falha nunca. A chuva vinha com tudo.

E era sempre na hora de voltar do colégio, de tardinha. Percorrer quase um km na chuva. Caindo por sobre a saia de sarja - aquele tecido que encharca mais rápido que areia na praia, que pinica quando seco e raspa quando molhado - a blusinha do colégio, branca, ficando transparente, as meias ¾ que molhadas viravam soquetes, enroladas no tornozelo, marrons da água enlameada.

Porque havia lama e não sujeira. A valeta corria ao largo das ruas sem sarjeta nem calçada, água barrenta, cheia de galhos e folhas. Nenhum pet, nenhum pacote de salgadinho de isopor. Só lama, folhas e galhos. Era gostoso lavar o sapato nela, e, se ninguém estivesse olhando, tirar o sapato e a meia e molhar o pé. Menina de 10 anos é quase mulher. Não fica bem molhar o pé na enxurrada. “ Olha o resfriado, a gripe, a pneumonia, menina” ainda ecoando na cabeça, cheia de culpa.

Quando faltava água, o que parecia ocorrer com uma certa frequência e o poço do quintal não dava conta do recado, a água da chuva era guardada em baldes. Minha mãe, com teorias estranhíssimas jamais comprovadas, dizia que a água da chuva era tão limpa como se fosse da bica. Mesmo sem acreditar nela eu gostava de abrir a boca e beber.

Molhava o cabelo sem dó nem piedade, sem preocupação com “frizz”, com cacho, com secura, com PH com o diabo a quatro. Aquático, no caso.

E andava devagar. Como se o dia fosse de sol, ameno.

A não ser quando chegava na quadra de casa. Aí corria como se correndo tivesse vindo os quarteirões todos.
Que chuva, mãe! E eu ainda fui esquecer o guarda-chuva!!

A chuva mudou muito. Ontem, andando apressada, pulando enxurradas nojentas de detritos igualmente nojentos, correndo entre carros que espirram alguma coisa quase sólida, cinza, oleosa, preocupada com cabelo e pele e, por que não dizer, com resfriado, garganta, gripe e pneumonia, vejo que não se faz mais chuva como antigamente...

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março 9, 2007

sapo de fora

A gente usa um certo número de palavras. Eu sei lá quantas. Eu gosto delas mas , também não sei bem porque, uso as mais simples no dia a dia e tenho umas assim “pra sair”, vamos chamar assim.

Escrevendo, alterno entre algumas gírias, infelizmente datadas, e algumas palavras mais inusuais, portanto também datadas. Ora, como eu mesma já vou me sentindo cada vez mais datada, tá limpo.

Lembro da primeira palavra chic que usei: foi “aliás”. A família me olhou perplexa -família de gente simples e palavras também- e meu pai, especialista em palavras cruzadas e no “enriqueça seu vocabulário” da Seleções, me perguntou se eu sabia mesmo o que queria dizer aquilo.
Eu sabia.

Aliás, essa é uma das palavras que mais gosto. Vocês já perceberam o quanto de possibilidades a palavra “aliás” encerra? Porque ela põe o tal grãozinho de sal na conversa, ela retifica, ela pontifica, ela sugere novas formas, ela põe a mão na cabeça e coça, duvidando. A palavra aliás é ótima.

Aliás, nem sei porque estou falando disso. Deve ser porque tentei ler uns blogs adolescentes por aqui e fiquei me sentindo “sapo de fora”.

Mas como dizem que sapo de fora não chia....

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março 7, 2007

descartáveis

Muito antigamente, naquela época em que eu costumava ter uns seis ou sete anos, as garrafas eram descartáveis. Garrafas de cerveja, de guaraná, até de Fanta laranja ( sim, jovens leitores, fanta laranja existiu, não se trata de mais uma lenda urbana!).

A gente guardava na garagem ( que - e preciso fazer novo adendo- era nos fundos das casas e não na frente. Carro se usava, não se ostentava) aquele monte de garrafas, que eram usadas nas festinhas, pra emprestar pros vizinhos quando havia algum casamento, algum batizado.

Ou, se era o caso e a necessidade determinava, voltava-se aos armazéns e padarias com os “cascos” como eram chamadas aquelas garrafas vazias e eles devolviam o dinheiro.

Porque a coisa era assim: quando você ia a padaria comprar uma cerveja e não levava a garrafa, eles ( o padeiro) preenchiam um papelucho do próprio punho, onde dizia que você seria reembolsado do custo do casco. E você pagava a cerveja mais o casco. Voltando com ele vazio, o padeiro devolvia o dinheiro. Ninguém que eu conheça falsificou um papelucho desses ou nenhum padeiro ou vendedor de armazém recusou-se jamais a reembolsar o cliente. Quase igual às seguradoras de hoje....

E a gente tomava a cerveja, lavava o casco e guardava.

Hoje o que eu vejo é o pessoal tomando cerveja em lata, jogando pela janela do carro (quando nem deviam beber dirigindo) a lata e o anel, assim como se o mundo fosse uma lata de lixo.
E, quando questionados, ainda acham que “estão dando emprego e sustento pros catadores”, como se ser “catador” fosse emprego decente.

O “padeiro”, aquele ser geralmente de ascendência portuguesa, gentil, que tinha cadernetas onde apontava os gastos dos clientes, que sorria ao nos dar o pão embrulhado, esse quase nem existe mais. As padarias que sobrevivem parecem um supermercado. Pão é só um detalhe.

Saudosista eu? Nem pensar! Sempre acho que o melhor ainda está por vir. Porque sempre existe a possibilidade de mudar. E essa possibilidade é tudo. Passado não se muda.

Mas que o povo podia lembrar de jogar o lixo no lixo e não na minha cabeça de pedestre desavisada, isso podia!

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março 3, 2007

vidraçaria

Gosto muito de vidro. Acho mesmo que é uma das mais lindas invenções do homem. Meus primeiros vidros, aqueles que me fascinavam, eram os vidros de penicilina, quando tive bronquite e tomei, totalmente à minha revelia, quilos de injeções. Guardava os vidros. Era (foi) meu primeiro contacto com o suborno e a corrupção neste país. O médico me engambelava com a história do “não vai doer nada” e depois você ganha mais um vidrinho. Eu sou muito barata. E sugestionável.

Depois vieram os vidros de leite. Não, eu nunca colecionei vidros de leite. Mas achava bonitos. Ninguém mais quase lembra disso, mas o leite de cada dia nascia – pelo menos para mim – no patamar da janela do meu quarto, toda dia, junto com um filão de pão embrulhado em papel pardo. O entregador entrava em casa (abria o portãozinho de meio metro de altura) e punha no parapeito da minha janela, a primeira que ele encontrava. Belos vidros aqueles. O que eu colecionava pra fazer anel pra brincar eram as tampinhas, de papel metálico, facilmente amoldável.

Anos mais tarde, os vidros de laboratório. Poucas coisas são mais lindas do que um tubo de ensaio. Embora eu odeie química, aquelas coisas delicadas, com uma curvatura perfeita, finas, são mais lindas pra mim do que uma jóia. A não ser que a jóia seja um brilhante, ou mesmo um bom cristal facetado. Tudo é vidro. Só varia o preço e o brilho.

Em museus admiro as obras de arte, como todo mundo. Mas admiro também os envoltórios de vidro, tão brilhantes, tão limpos.

E nos prédios modernos, que eu abomino, perdôo aqueles de vidro.

Penso que esse apego a vidros seja porque eu posso ver através. Minha curiosidade fica saciada.

Quando tive que escolher uma carreira, escolhi psicologia.
Pensando bem, é uma forma de buscar as vidraças do ser humano, pra olhar através. Tem gente que tem os vidros sujos, embaçados. Outros, vidros espelhados, que você olha e só vê você mesmo, refletido e nada do que tem dentro.
Outros vidros fumê. Precisa chegar bem perto pra ver alguma coisa.
E os vidros martelados, igual aqueles de banheiro. A imagem que você vê é toda distorcida.

Mas gente é parecida com vidro, sim. E a maioria quebra fácil, fácil.
Se bem que até farelo de vidro é bonito...

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foto Bruno Furnari