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paineira

Hoje o verde tem pra mim uma importância fundamental. Filha bióloga, taxa de colesterol e triglicéride altas, mais consciência e conhecimento, camada de ozônio, etc e tal...Na mesa e no meu quintal, o verde predomina.

Nem sempre foi assim. Sempre morei em casas e o verde sempre fez parte da minha vida.

Mas era assim como o uso de roupas. A gente usa a maior parte do tempo, já nem percebe a importância (ou não) do seu uso. A gente acorda, veste e pronto. Voilá! O verde à minha volta era assim: estava sempre ali. Como nunca faltou, também nunca lhe percebi a existência.

Mas havia um verde especial. Um verdão, diga-se de passagem. A paineira da USP.
A paineira- porque era A paineira – ficava na confluência das ruas Francisco Morato com Vital Brasil, bem na entrada da USP. A gente descia ali quando pegava carona pra ir ou voltar da universidade. A gente pedia carona dentro da USP regateando: “vou até a Heitor, ou até o centro, não dá? Que pena! Mas até a paineira dá, né? “ E a gente descia na paineira, onde se tomava outro ônibus.

As pessoas davam carona na USP e fora dela. Passei um ano inteiro quando fazia cursinho vindo de carona do centro até o Brooklin. E não se tratava de carona de conhecidos ou colegas. Eu e um amigo pedíamos carona estendendo a mão na Angélica ou na Consolação e chegávamos em casa sãos e salvos, em uma ou mais caronas, economizando assim uma grana que era pouca mas que fazia falta.

Na USP era praxe. Já tive algumas cantadas, facilmente evitadas tomando carona em grupos. Mas só.

E a Paineira estava lá, sempre referência. Cor de rosa clara carregadíssima na primavera, verde intensa no resto do ano.

Um belo dia arrancaram a Paineira de lá. Botaram no lugar uma ilha cheia de semáforos. Uma ilha pequena, depois substituída por um ponto de ônibus.

A paineira? Acho que morreu. Não me consta que a tenham transplantado pra outro lugar. Não creio mesmo que sobreviveria.

Como o hábito de pedir caronas. Como a solidariedade.
Tem certas coisas que a gente só sente a falta quando perde.
E como dói!

paineira.jpg

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Comments

O dia primeiro de janeiro, não necessariamente significa o início de um ano. Quem contou o tempo para assim afirmarmos. Vejam nossas roupas de ontem, ainda podemos estar vestidos com elas hoje. Vejam os amores, eles por certo, se existiam continuam, os mesmos nas suas intensidades de ontem. Alguém que te ligou ontem, ao te ligar hoje pode ver no visor do celular que a última ligação que fez foi pra ti. E ela s emenda com a última, de hoje. A comida que sobrou ontem, você come hoje, e ela não traz gosto de outro ano. Os teus cabelos, teus cílios, teus pelos de um forma geral, continuam o seu crescimento normal. A tua boca guarda palavras que iniciastes ontem, quando era um outro ano, as coisas boas vão te acontecer, e acontecerão, serão uma sequência natural dos teus desejos, que se ainda não ocorreram foi por por outros motivos, não que estavam programadas para outro tempo. Nos contamos um calendário inventado pelo homem, que não é perfeito, principalmente nisso, a contar o tempo, logo o tempo, uma coisa que nem existe, e se existe não é na forma de existir, mas de ser tomado como referênia. O tempo que você destina a fazer uma determinada coisa, como ir a algum lugar. Dependendo da forma que você utiliza em se movimentar, o tempo muda, se você corre, o tempo utilizado é um, menor do que se você for caminhando em passos normais, e se for em passos mais lentos outro tempo será contado. E prá Deus, o criador de tudo e de todas as coisas, para Ele o tempo inexiste definitivamente. Ele, num relance, te ver projeto, te ver nascendo, te ver criança, te ver adulta, de ver velho, te ver morto, te ver na vida eterna. Apenas num correr de olhos.

Bobagens.

Tenham uma vida feliz, isso é o que faz a diferença.

Um beijo
Naeno

Verdade, as vezes, é preciso se perder algo para valorizá-lo. Mas nem tudo é ruim, agora não há a paineira, mas você tem um jardim... e lá vai a vida nos tirando algo pra pôr uma novidade em outro lugar...

Ótimo 2007

Dói ver desaparecer uma árvore. Plantei tantas e muitas delas, ao voltar ao mesmo lugar, já não as encontrei. Por que tem tanta gente que odeia árvore?

Não conhecia essa (pelo menos com tal nome) mas é sempre triste a morte de um árvore.E ainda para mais quando a ela estão associados pedaços da nossa vida!

Naeno: olá! Vejo que você está com a corda toda...feliz 2007!

Capedonte: a paineira era uma referência. Era de todos que passavam por lá. E era muita gente, acredite! Meu jardim, por mais árvores que eu tenha plantado nele (e eu plantei) não é um jardim público. Eu gostava dela e da generosidade democrática da sua localização.:)

Sônia: Tem gente que parece odiar tudo que é bonito. às vezes eu fico cortando a grama e arrumando o jardim e tem sempre uma besta que passa e comenta: "puxa, mas dá um trabalhão, né?" Eles não sabem o prazer que estão perdendo. E a irritação que me causam com esse comentário ...

Peciscas: não sei o nome aí. Paineira é uma árvore enorme que dá paina ( uma espécie de algodão). Flores rosa claro e tronco "barrigudo". Uma beleza!

Hola!

Um ano cheio de boas coisas todos os dias.

No deja de sorprenderme tu sensibilidad para las cosas simples que nadie nota.

Quantas paineiras já saíram de nossas vidas.
Belo 2007 pra ti e pra família.

Alias, toda aquela regiao era coberta de paineras. Me engano ou tinha uma no inicio da F.co Morato? Mas eles arrancam tudo, ficam so as lembranças.

serve tb pra gente aprender a aproveitar o que tem, na hora que tem!

GOSTARIA MUITO DE SABER DE VC. VEJO-ME NOS SEUS ESCRITOS. SÓ NÃO SEI DANÇAR.

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