promessas
Esse negócio de promessa é muito gosado. Estou falando isso porque realmente não sei que outra palavra usar. Talvez bizarro, que é um gosado grotesco.
As pessoas têm lá suas crenças. Acreditam em deuses, santos, orixás, gnomos, duendes, espíritos, num monte de entidades que elas nunca viram, mas acreditam. E mais: acreditam que essas entidades estejam onde quer que estiverem, lá estão para servi-las. Assim, quando alguém fica doente, arranja dívidas, precisa conseguir alguma coisa para o bem ou para o mal, “apega-se aos santos”.
Não, não é todo mundo que tem essa visão clientelista. Tem gente que realmente acredita de forma despojada. Que sai por aí tentando fazer sempre o bem etc e tal. Muitos me dizem que é pra ganhar o céu. Esses também são clientelistas, só que investem na coisa.
Agora tem outros que não investem. Só lembram dos seus santos quando o calo aperta. E daí fazem promessas. Como investidores, também. Só que ganham antes e pagam depois. Um comércio mais generoso que o capitalista, se é que posso chamar assim.
E tem as promessas, um caso a parte.
Teve uma certa época que minha avó ficou muito doente. Um câncer. Isso aos cerca de 40 anos de idade. Minha mãe fez uma promessa. Pra minha avó cumprir quando sarasse.
Aqui é necessário um adendo: tem gente que promete para os outros cumprirem. Nem sei bem que nome dar a esses. Espertos ou muy amigos, talvez.
Mas minha mãe prometeu levar minha avó a Pirapora do Bom Jesus, uma cidadezinha aqui perto.
E minha avó foi operada e sarou. Morreu 32 anos mais tarde, de AVC, não de câncer.
E nunca foi a Pirapora.
Minha mãe sempre se sentiu culpada por isso.
Eu porém, nunca entendi direito se ela se culpava por ter prometido alguma coisa por outra pessoa ou se era pela minha avó não ter cumprido a promessa.
Não sei bem o que era. Eu de comércio não entendo nada.

bom, taí um santo que merece meu carinho. Atéia sim, pero corintiana!!
Comments
Olha, se me viessem cobrar pelas promessas... tava fuzilado!!! E sem direito à venda...
Posted by: Capedonte | dezembro 14, 2006 11:24 PM
Delicioso como sempre. Adorei sobretudo sua definição de bizarrice. E suas observações sobre o "comércio" com os santos são muito semelhantes ao que digo, mas sem essa graça que têm todos os seus textos.
Posted by: Sonia | dezembro 15, 2006 12:02 AM
Nunca fiz promessas. Acho esse tipo de compromisso muito arriscado. Quando acho que tenho que fazer algo, faço e basta. Mas conheci uma moça que vivia fazendo promessas e nunca as cumpria. Até que um dia prometeu nunca mais prometer nada, pois a palavra dela começava a ficar comprometida e ninguém mais acreditava nela. Tempos depois encontrei-a fazendo promessas como antes. Questionada sobre a promessa de nao mais fazer promessas ela respondeu "Eu nunca compri promessas mesmo. Por que aquela deveria ser a primeira?"
Posted by: Allan | dezembro 16, 2006 7:02 AM
E por falar em promessas e em futebol: estás a ver como os torcedores por vezes pôem os santinhos em maus lençóis.
Imagina um jogo decisivo para campeão do mundo entre Portugal e Brasil. Um faz promessa para Portugal ganhar. Outro pró Brasil.
Se o santo satizfaz um o outro perde e lá fica sem metade da clientela...
Posted by: peciscas | dezembro 16, 2006 4:50 PM
Capedonte: promessas aos santos eu não sei. Mas promessa pra gente de carne e osso é melhor cumprir...Esses cobram sim :)
Sonia: Você é sempre gentil. um abração :)
Allan: mulher é bicho complicado. Ainda bem que eu sou mulher!! Já pensou se eu fosse homem e tivesse que entendê-las??
Peciscas: santo que é santo dizem que faz milagre.. Num jogo desses só um milagre pra agradar :)
Posted by: maray | dezembro 16, 2006 8:45 PM
Essa história de "prometer para os outros cumprirem" me lembrou da minha última entrevista no blogue... E eu achando que isso era muito incomum, ahahahahah!
Posted by: Ricardo M | dezembro 18, 2006 2:47 PM
Maray? puedo intentar traducir esto y publicarlo en el blog?
Sin compromiso.
Me gustó mucho!
Yo te paso mi enchastre para que corrijas lo que te parece.
besos
Posted by: aydesa | dezembro 29, 2006 11:35 AM
aydesa: podés todo ( casi) lo que quisieres. Existen en el texto este muchas expressiones idiomaticas,a veces frases enteras. Te ayudaré no que for posible, con mucho gusto. Besos
Posted by: maray | dezembro 29, 2006 5:38 PM