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cestas

Havia umas que anunciavam na televisão, do Gigante Amaral, mas acho que ninguém mais lembra. Além de eu já ter passado da metade do meu tempo, tenho boa memória, o que me deixa sozinha lembrando de certas coisas.

Em casa, porém, só havia umas simples, que uma amiga da família nos presenteava.
E era uma festa.

Por qual motivo nem sei. Pensando bem, cesta de natal é uma roubada. A não ser que seja chiquérrima (e aí vai ser uma super roubada) o conteúdo parece isca de lambari, ou seja, qualquer minhoca serve. Uma espécie de “melô do armazém”. É lata de sardinha misturada com tâmara, é azeitona em vidro junto com pêssego em calda. Pra que alguém vai querer lata de sardinha no natal? Nossa, deve ser muito, mas muito deprimente comer sardinha em lata no natal, embora eu saiba que tem gente que nem isso tem.

Mas em casa a sardinha ficava guardada pros esfomeados da madrugada, aqueles que chegavam tarde e não queriam nem incomodar, nem cozinhar.

As tâmaras, bom, as tâmaras, que eu sempre achei que pareciam no aspecto e no gosto com baratas em calda, essas ficavam pra algum bolo de frutas, daqueles que minha mãe limpava a geladeira e botava tudo que sobrou dentro da tigela do bolo. Onde eu disse frutas leia-se umas ameixas mais que secas, uma ou outra passa que passou, banana e as tais tâmaras. Ah, os bolos de frutas da minha mãe!

E tinha o panetone, que minha mãe fazia ela mesma, em casa, e desprezava os comprados. Ai de nós se elogiássemos algum comprado mais do que os que ela fazia...Ela sabia odiar.

Na cesta também vinha um monte de serpentina de celofane, que eu adorava pra brincar.

E lata de biscoito piraquê, que quem adorava era minha avó. Eram ótimas pra guardar linhas e agulhas de crochê. As bolachas? Uma porcaria meio envelhecida cujo prazo de validade devia ter expirado uma semana antes do natal. Do natal do ano anterior.

Tinha também algumas bebidas, dessas que meu pai dizia que eram “ de mulher” : um cinzano ou martini, um licor de cacau ou chocolate, um espumante da pior espécie. Meu pai sempre teve um ranço machista e de bebida não entendia nada, embora fosse fervoroso adepto. De mulheres também não entendia nada, e também era fervoroso adepto.

E, finalmente, a cesta propriamente dita. Uma cesta de vime com alguns enfeites também em vime pintado de vermelho e verde. Essa sim valia a pena. Até hoje eu adoro cestas de vime. Dá pra fazer de um tudo: guardar brinquedos espalhados de criança , guardar revistas velhas que dá pena jogar, fazer cachepô pra plantas, cestinha de dormir pra cachorro, levar comida pra pic-nic..nossa, acho mesmo que deviam fazer cestas de natal sem nada. Só a cesta.

Porque cesta de natal é muito legal.
Vazia.

christmas_basket.jpg

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Comments

pois... pois... vazia é que ela é boa!

O melhor das cestas de natal eram mesmo as serpentinas de celofane.

mas e a surpresa? onde fica?

mfc: é boa desde os tempos de moisés, o da cesta!

Sônia: falando em serpentina, lembra dos confetes e do lança-perfume dourado?

Andrea: não gosto de surpresas. Tenho um certo trauma, confesso.

As vezes vem um chocolatezinho, daquele barato. Quando minha vó ganhava uma ou duas cestas eles sempre acabavam commigo na cama durante a tarde. Era uma delicia ir de um bis ao outro. (Aos vinte e um tive tempo de pegar bis nas cestas quando morava com minha avó)

Feliz natal e 2007 com tudo de bom!!!!!!


Felices fiestas:o)

Em Salvador as cestas sao mais fartas que em Sampa ou no Rio (e tem cesta de Sao Joao, também).
Aqui, a unica coisa que jogo fora é a propria cesta. E gosto de tamaras.
Beijoca e Boas Festas!

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