salve a velha guarda da mangueira!
Quando conheci minha casa era ela azul-claro. Um azul-claro desbotado, chocho. Pintamos tudo assim que mudamos. Passou a ser uma casa branca com azul colonial nos detalhes. Bom, não tão detalhes assim: todas as venezianas e janelas, o lustre da varanda, o arremate do muro em volta dela azuis e as paredes todas brancas. Eu sempre gostei daquelas casas de fazenda antigas brancas e azuis.
Foi assim por 28 anos.
Agora pintamos. Uma loucura escolher cor. Quase como escolher marido. Não digo que tenha que ser pra vida inteira, mas eu gostaria que fosse assim. Mais ou menos a resposta que dei ao padre que me casou.
Por que? Porque é difícil pra mim escolher cores. Porque me assusto com mudanças. Porque pintar a casa é caro pra caramba e não quero nem posso gastar tanto assim em curto intervalo de tempo.
E agora que escolhemos e os pintores estão quase acabando, ela está rosinha. Quase uma Casa Rosada, mas do lado de Puerto Madero, porque do lado da Plaza de Mayo é um rosado de lascar. Tudo que era azul colonial passará a verde-colonial. Um verde escuro, de floresta molhada.
E assim, toda rosadinha e verde, vejo que passei da Portela pra Mangueira.
Dentro vou tentar uma parede, uma paredinha só na sala de outra cor que não branca. Talvez um coral amarelado ou um ocre rosado. Se eu aguentar, porque no quarto tentei uma parede “roxo che caribe” e não dormi de noite. No dia seguinte tive que dar mais tres mãos de branco novamente, só pra não deixar vestígio da tentativa.
É duro escolher cor. É duro escolher marido. Muito moderno sai de moda logo, muito tradicional enche o saco. Muito arrojado você não dorme a noite e muito suave você fica desanimada.
Muitas cores numa mesma casa é como administrar vários amantes: você precisa ser dinâmica e criativa pra fazer tudo combinar, tudo dar certo.
Não consigo administrar muitas variáveis junto. Melhor uma ou duas cores, alguns sobretons e só.
Aliás, melhor um maridão que eu gosto e só. Tudo bem, pode ser que com o tempo ele desbote um pouco, mas aí é só dar uma envernizadinha nos detalhes...

Sempre é tempo de uma homenagem à Mangueira, Estação Primeira!
Comments
Cores?! São um problema delicado... até porque não devem cansar a vista e têm que durar muito tempo!
Posted by: mfc | novembro 27, 2006 10:45 AM
mas vem cá: preta gil de rainha da bateria foi foda...
Posted by: andrea | novembro 27, 2006 7:32 PM
Pintar uma casa de novo é sempre uma festa.
Posted by: peciscas | novembro 28, 2006 1:54 PM
Queria ver uma foto da obra pronta, hehehe!
Posted by: Ricardo M | novembro 29, 2006 2:50 PM
Se a pintura non che gusta para toda a vida e doado cambiala por outra...cambialo o marido xa non e tan doado...ainda pode sair peor co que cambiaches.
Posted by: Pepe Penas | novembro 29, 2006 8:18 PM
É verdade, a escolha das cores pode ser bem complicada. Eu gosto muito de verde-limão, é minha cor favorita. Mas acho em paredes e tal, o branco fica melhor mesmo. Fico imaginando um quarto "roxo che caribe"... deve doer "as vista" hehehehe
brincadeirinha =P
bjs
:)
Posted by: Roberlan Borges | novembro 30, 2006 5:22 PM
Manel: nada é pra sempre nesta vida, mas eu sou muito fiel a cores e a marido :)
Andrea: meu deus! Esqueci que mexer com escola de samba pra carioca é como mexer com a mãe...tá bom, na próxima vez que pintar eu boto tudo vermelho salgueiro e não se fala mais nisso...
Peciscas: meus pintores que o digam! Principalmente aos sábados, que é dia de pagamento :)
Ricardo: foto tá difícil. Eu só gosto de foto preto e branco. Como as tuas, por sinal!
Pepe: tem toda razão. Ruim com ele, pior sem ele, como dizemos por aqui...unha aperta!!
Roberlan: verde limão só em sorvete. Aliás, minha casa agora está um enorme sorvete de morango:)
Posted by: maray | dezembro 1, 2006 8:59 AM
Amiga mía todo es segun el color del cristal con que se mire,si quieres cambiar de colores ponte gafas y riete del pintor.Pero la sola mención de Mangueira,me trajo un trozo del samba enredo que mas he bailado,y eso que soy mas de Padre Miguel.
Mangueira despontando na avenida
Ecoa como canta um sabiá
Lira de um anjo em verso e prosa
De um querubim que em verde e rosa
Faz toda a galera balançar
"Hoje o samba saiu"
Pra falar de você
Grande Chico iluminado
E na Sapucaí eu faço a festa
E a minha escola chega dando o seu recado
É o Chico das artes... O gênio
Poeta Buarque... Boêmio (bis)
A vida no palco, teatro, cinema
Malandro sambista, carioca da gema
Posted by: Sole | dezembro 3, 2006 4:41 PM