posições
Lá pelos seis anos a gente pode tudo. Havia uma, a de sapinho, que nunca esqueci. Você levanta a bunda do chão, apoiando as pernas, devidamente dobradas, nos braços, devidamente esticados. E fica assim, balançando o traseiro de forma ridícula. Não sei o que o sapo tem com isso, mas aprendi essa posição com esse nome: sapinho. Fazia isso com maestria, aos seis anos. Hoje ainda consigo, mas não em público. Meu senso crítico cresceu. Já minha flexibilidade...
Havia outra: morder o dedão do pé. Tanto faz o pé. O bom era puxar o pé com as mãos e encostar o dedão na boca. Pros tarados de plantão, com um viés narcísico, podiam chupar o próprio dedão. Eu não gosto de pé. Só de sapatos. Mas voltando ao assunto, antes que o fetiche me domine, eu encostava o pé inteiro na boca. Até na cabeça ele chegava. Alguma coisa deve ter acontecido nessa distância, porque hoje tenho dificuldade até pra cortar a unha do pé. Isso estando sentada!
Fora determinadas brincadeiras, como campeonato de andar naquele brinquedo de parquinho, que parece uma escada na horizontal, que você passa de barra pra barra segurando com os braços. Eu era boa naquilo. Geralmente ganhava. Menina mirrada e magérrima, a relação peso/altura favorecia.
Também me divertia andando de pé no muro que separava a nossa da casa da vizinha ( 2,5 metros de altura por uns 15 cm de largura). O quente era ficar andando de um lado pro outro, atiçando os cinco cachorros da vizinha. O canil ficava bem debaixo desse muro. E eu ali, passeando, só na provocação. Tenho impressão que se um dia caísse, eles me devorariam, só de raiva. Mas aos seis anos a gente não cai.
Aliás, cai. Caí do telhado de casa, quando estava acabando de ser construída.
Machuquei? Nem um pouco.
Meu anjo da guarda, aquele que sabe nadar, estava embaixo, com um morrinho de areia que havia sobrado da construção, pra amortecer a queda.
Nem sei porque me lembro disso agora.
Deve ser porque me doem as costas de puxar rodo, os braços de tocar, o pescoço de fazer crochê, os pés de dançar...dói quase tudo. E cadê aquele filhadaputa daquele anjo da guarda que não estava lá quando me pisaram no pé no baile, tanto e tão forte, que até minha unha caiu? Do pé aquele que está hoje ficando cada vez mais longe de mim.?!

Comments
Pois... estamos na fase de nos lembramos de tudo e vermos como tudo era diferente!
Posted by: mfc | novembro 9, 2006 7:38 PM
Olha, nunca fui bom nessas coisas... Subir em muro, escalar árvore... Bom mesmo é usar escada, ahahah!
Posted by: Ricardo M | novembro 9, 2006 10:04 PM
Maray, essa que você chama posição do sapinho, nos meios funqueiros, pelo menos assim me informaram - e demonstraram - é a posição da rã invertida. E dançam assim.
Posted by: Sonia | novembro 11, 2006 12:33 PM
Correr no muro atiçando a cachorrada da vizinhança, disso eu me lembro fazer.
Mas de colocar o dedão do pé na boca, a memória não alcança.
Beijo.
Posted by: Ordisi | novembro 11, 2006 5:48 PM
Ay angel de la guarda que nos regalaste tantas vidas extras y ahora nos las cobras dandonos dolores en huesos que ni siquiera sabíamos que existían.Pero amiga,como diría el refran,¿quien nos quita lo bailao?
Cuantos pueden decir que caminaron a dos metros y medio sobre el suelo haciendo rabiar a seis perros,dejándolos con la boca abierta!!!
Usted si que tenía alas
Posted by: Sole | novembro 12, 2006 4:11 AM
Manel: lembrar de tudo mais ou menos. Nem consigo lembrar o que comi no dia anterior...pensando bem, nem o que comi no almoço :)
Ricardo: e pensar que cheguei a pensar que "homem baile" fosse sua preferência de atividade física! Pára de fotografar um pouco e comece a dançar no bom sentido, claro! Faz um bem danado e evita dores: no corpo e no coração!
Sônia: o "sapinho" do funk mantém os pés no chão. No meu sapinho tinha que tirar os pés do chão, apoiando-se só nas mãos.Tava mais pra acrobacia do que sedução!
Ordisi: depois que inventaram os rotweiler e pitbulls eu deixei de provocar cachorros...:)
Sole: que dios y todos los angeles sigan me dando alas. Ni que sea en la imaginación! La imaginación no duele :)
Posted by: maray | novembro 12, 2006 11:15 AM