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IEPAC

Ai que saudades do tempo do colégio!

Não fui eu quem disse isso. Eu jamais diria isso. Nem saudades do colégio, nem da adolescência, talvez um pouco de saudades de alguns amigos. O que não quer dizer que não lembre, até com detalhes, daqueles tempos.
Talvez por isso mesmo não tenha saudades.

Hoje eu frequentaria o colégio talvez com prazer. Na época, aos 12 anos, fazer colégio tendo que tomar ônibus sozinha, foi a libertação. Não para estudar, isso eu fiz como ninguém nos anos anteriores. Não me restava muita coisa pra fazer a não ser estudar. Numa casa só com adultos, com proibições impostas pela severidade da minha mãe e condição financeira da família, estudar e ler livros era a possibilidade de fuga.

No colégio não. Era outro bairro. Ir sozinha já foi uma certa libertação. Sair da escola em horário escolar, ir a cinemas, ir nadar na represa, ir simplesmente olhar vitrines ou andar a esmo, e voltar em tempo de chegar em casa no horário regulamentar foi, durante anos, minha saída, meu respiro, minha luz no fim do túnel.

Paguei o preço. Repeti dois anos, um no fim do ginário (14 anos) e outro no primeiro colegial (16). Só não repeti mais porque tinha amigos que me carregavam nas costas nas provas. O preço foi ter perdido esses amigos ( que não repetiram) e me vir obrigada a sair da escola e adiantar o serviço fazendo supletivo.

Não me arrependo de nada disso. Os amigos que eu não podia visitar, fui fazendo e visitando em horário escolar. Os filmes que eu não podia ver, fui vendo entre uma aula e outra.

O mundo que ficava além do meu portão, sempre trancado, foi sendo conhecido nas tardes de colégio.

Do colégio só lembro mesmo, até com certo afeto - já que sempre me atrairam as coisas esquisitas - da enorme piscina olímpica sem água. Fiquei oito anos naquele colégio. Oito anos de piscina seca como o deserto da caatinga. Só não era deserto total porque as aulas de educação física dos rapazes eram dadas lá, nos azulejos brancos que cobriam o chão em declive da piscina. Enquanto a gente, mais nova, ficava olhando de cima aqueles “peixinhos”, pensando na pescaria futura...

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Muitas tardes de sol e até nubladas nadando na represa. Não nado bem, mas meu anjo da guarda sim. Por isso estou viva até hoje.

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Comments

Já ouvi falar nessa Instituição, hehehe.

Mesmo com sofrimentos diferentes dos seus, um tempo inesquecível.

Beijos.

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