do que eu estava falando mesmo?
Dizem que matar com arma de fogo é diferente de matar com arma branca. Facada, punhal, coisas assim. Porque é como se a morte “saísse” do gatilho e não da mão que aciona o gatilho. Pode ser. Eu nunca matei ninguém com nenhum tipo de arma. Ainda.
Mas penso isso cada vez que aciono algum controle remoto de eletrodoméstico.
Principalmente de televisão, porque os outros eu me recuso a usar. Não porque não queira. É que nunca acho onde estão e quando acho não sei a qual aparelho pertencem e quando afinal descubro, geralmente já é tarde demais. Um saco.
Voltando às implicações da responsabilidade social e da proximidade corporal. Quando a gente tem o controle remoto da TV na mão, a chance de zipar o tempo todo é muito grande. Por que? Eu sempre acho que é pela facilidade de acesso à mudança e à esperança inerente ao ser humano de que as coisas melhorem.
Mas divago de novo. Estava falando de controle remoto e não de eleições.
Quando a TV era movida “ a criança pequena passando perto”, as coisas eram um pouco diferentes. Eu sei porque em casa a “criança pequena passando perto” era sempre eu. E pra mudar era um botãozão enorme, circular, que tinha que ser girado pra um lado ou pra outro. E que quebrava com uma frequência diretamente proporcional às voltas dadas e inversamente proporcional à idade da criança pequena passando perto que acionasse a coisa.
Hoje não. As pessoas ficam ali, com o controle na mão, falando umas com as outras sem olhar nos olhos, com o olhar fixo na TV, como se ela fosse um game daqueles antigos. E mudam. E mudam. E mudam.
E no entanto, na programação das redes de TV nada muda. Tudo igual.
Lampedusa já sabia disso. Muda-se tudo pra não mudar nada.
Que coisa! Eu de novo falando de eleições!

Comments
Vc também era sintonizadora de canais? Lembra quando o povo não concordava com o canal? Que delícia ter o poder na mão! :)
Beijos.
Posted by: Ordisi | outubro 16, 2006 1:31 PM
Me quedé pensando en el primer parágrafo. La facilidad de apretar el gatillo seguramente ayuda a quitarse de encima la responsabilidad de la muerte. Rápidamente la persona que está enfrente "muda" su estado: de viva a muerta. Cuánta fragilidad.
Posted by: Vero | outubro 17, 2006 12:29 AM
Eleições, inevitáveis. Afinal, são o não-assunto da hora.
Mas você fugiu bem delas. E pôs controle em algo sem controle.
Posted by: Santos Passos | outubro 17, 2006 10:53 PM