« setembro 2006 | Main | novembro 2006 »

outubro 30, 2006

xô nicotina!

Eu era bem pequena quando fui com meu pai visitar a construção do estádio do Morumbi. Ele era sãopaulino fanático e tinha acesso ao clube sempre que quisesse. Nãio lembro do estádio, mas lembro que ele estava fumando e eu peguei, não sei bem porquê, o cigarro da mão dele e dei uma fumadinha. Acho que ele nem percebeu, imerso que estava num papo com um amigo.
Meu pai fumava muito. Lembro que era Mistura Fina, sem filtro.

Aos 12, no ginásio, como se chama o ensino fundamental, eu via aquelas meninas todas fumando no banheiro. Meninas mais velhas, meninas que sabiam das coisas da vida. Meninas que eu admirava, por seu traquejo ao lidar com as situações, por serem mais velhas e sábias, por saberem se maquiar. Eu olhava pra mim mesma no espelho e via uma menina feia, de óculos, magérrima numa época em que isso não era moda, com poucas amigas e nada de especial.

Decidi fumar também. Parece que o cigarro me aproximava daquelas meninas sábias e bonitas e me fazia ter um pouco disso.

Não fez. Mas o cigarro me ofereceu uma muleta em todas as vezes em que entrava num ambiente estranho e não sabia o que fazer. Em todas as vezes em que fazia uma prova e não sabia o que responder. Em todas as vezes em que era apresentada a alguém que me interessava e não queria deixar transparecer. Em todas as vezes em que precisava de um tempo. Um tempo pra pensar. Um tempo pra organizar sentimentos.

E ele foi essa muleta por um certo tempo. Alguns anos, devo dizer.

Depois, bom, depois eu já não precisava de muletas. Passou a timidez, passou muito do medo adolescente de me relacionar com estranhos, passou o medo de não saber quem eu era. Mas aí eu já não me sentia capaz de andar sem muletas. E continuei fumando.

Daí, quarentona, eu quis parar. Sabia e principalmente, já sentia os efeitos danosos do fumo no organismo. Já não conseguia subir escadas muito bem, já não conseguia nadar, arfava facilmente e não era de prazer. Era de pura falta de ar. Eu fumava quase dois maços. Odiava aquelas muletas. Só não sabia o que fazer pra largá-las. Elas me tinham e não eu a elas. Elas me dominavam.

Tentei parar. Parei por um ano. Em plena campanha eleitoral, eu, militante disciplinada e empedernida da política nacional, voltei a fumar quase sem querer. Numa daquelas intermináveis reuniões políticas em que você quer mesmo é mandar todo mundo praquele lugar e, não podendo, pega um cigarro e chupa a fumaça com força e raiva, voltei a fumar. Desta vez, dois maços e meio por dia.

Mas aos cinquenta eu tive que tomar uma decisão. Meu check-up revelou coisas horríveis a meu respeito que eu já suspeitava. O cigarro foi visto pela primeira vez não mais como uma muleta mas como um veneno rápido. E aos cinquenta, a última coisa que você quer na vida é rapidez. Você quer é tempo. E qualidade de vida.

E convenhamos, hoje eu sei bem o que quero. Pra onde vou e porque vou. E quero tempo pra ir.

Parei faz alguns anos. Totalmente. Pra sempre, não tenho medo de afirmar. Em uma semana passei a sentir gostos e cheiros nunca dantes sentidos. Descobrir prazeres que eu não sabia que existiam. Hoje sei até se vai chover ou não só de cheirar o vento. E sei o que meu vizinho está cozinhando. E sou capaz de discernir vinhos, extrema delícia!

Puxa, o tempo que leva até a gente aprender determinadas coisas!!

broken%2520cigarette%25203.jpg


outubro 29, 2006

quando o muito é demais

Sou muito facilmente chegada a overdoses. Nem sei como estou casada há tanto tempo sem ter sentido os efeitos dessa overdose conjugal. Mas em certas situações, adoro overdose.

Por exemplo: estou muito sem dinheiro e gostaria de ter uma roupa bonita e cara. Nada melhor do que ir passear na Oscar Freire. Olhar vitrine até cansar.

O fato é que cansa mesmo. É overdose pura. Daí dá uma sensação de saciedade, um fastio que nem sei. Fico curada da vontade por mais de mês! E sem ter gasto um tostão!
É difícil de explicar. Mas olhar muito é como ter. Cansa.

Houve uma época em que eu era fissurada por Porsches. Olhava, aquele olhão comprido, da janela do ônibus praquelas lojas sofistificadas da Cidade Jardim, aquelas que só têm carros importados. Havia ali de um tudo: Porsches, Ferraris, tudo objeto de desejo meu. Até que depois de muito olhar, cansava. Dava uma espécie de tédio, sabe?

Pois é. Agora tem outras coisas que não cansa fácil não. Tango não canso. São anos aprendendo, dançando, indo na Argentina pra reciclar, pra olhar. Anos.

Meu marido também. São anos a mesma cara do outro lado do travesseiro. Décadas. Daqui há 15 anos, meio século! Nossa! Mas não cansa não. Deve ser daquelas drogas pesadas, tão pesadas, que o cara fica adicto pra sempre. ( não fica chateado, não, maridão, droga é no bom sentido..)

Não canso de chinchulines. Não canso de Bola de Nieve. Não canso de Wagner. Não canso da cor roxa nem de calda de caramelo.

Agora algodão doce, rapadura, João Bosco e Lula já cansei.

Não canso de crochê, de jogar bounce out no computador, de ler out door e para-choque de caminhão pelas ruas.

Já livrarias sempre com os mesmos Paulos Coelhos na vitrine já deu. E sapatos de bico fino também.
Deve haver alguma lógica nisso.

Ou não.

porsche%20vintage.jpg
Na realidade, os antigos eram muito mais bonitos. Agora não gosto mais...estão verdes essas uvas!

outubro 25, 2006

ovelha desgarrada

Passei muitos anos da minha vida sendo olhada com estranheza por mãe, por irmãos, por conhecidos. Diziam que eu tinha um gênio difícil. Minha mãe, com aquela dramaticidade que sempre lhe foi infernalmente particular, dizia mesmo que eu era uma peste.

Assim, acabei por me acostumar, embora jamais aceitar, essa visão do ser diferente, da ovelha negra no meio da brancura toda das outras.

Não é fácil. Não é agradável. Porque te remete sempre a uma solidão desgraçada essa coisa de não se sentir igual aos outros.

Estou despejando isso tudo depois da volta de uma viagem porque me sinto bem. E explico logo, antes que quem me lê também comece a me achar esquisita.

Quando viajo pra algum lugar distante, mais ainda, outro país – embora eu infelizmente não conheça tantos assim – e descubro que afinal, em qualquer lugar, gente é sempre muito parecida, fico feliz. Aliviada. Provo, comprovo, mato a cobra e mostro o pau praqueles que me achavam esquisita. Consigo me situar em outros lugares, fazer amigos, acariciar cachorros estrangeiros, comer comidas desconhecidas, olhar olhos que nasceram em outras terras e me sentir em casa, afinal. Entre amigos.

No meio da Calle Corrientes, na Plaza de Mayo, num canto escurinho da Sarmiento, sempre se achará algum olhar já visto, algum canto de passarinho já ouvido, algum canteirinho de maria sem-vergonha, mesmo que lá o nome seja outro. Entendem? O nome pode ser outro, mas flor é flor. E gente é gente.

E eu acabo por me repetir, mas gente é bom demais. E, quer saber? Hoje tenho certeza que o mundo de ovelhas, no fundo, é tudo igual. Depois que tomam chuva, se espojam na terra, pastam nos campos, bem rapidinho todas elas ficam mesmo é marrom-cocô!

ovelha.jpg

outubro 21, 2006

che buenos aires- diário de bordo

Faz uns dias deixei de postar. E postei a mim mesma pra longe daí. Quero dizer, daqui. Bom, o fato é que estou postando de Buenos Aires, onde estou desde alguns dias e ficarei mais uns. Depois de superar uma viagem de aviao de duas horas e meia quase intermináveis mas suportáveis. Consegui!! Nao surtei, nao desparafusei, e só suspirei mesmo foi de puro cansaco e constriccao motora. Ninguém merece aquelas cadeiras.

E estou me esbaldando. Este post é puro egocentrismo. Cada noite uma milonga diferente, cada dia um montao de chinchulines diferentes mas sempre saborosos. Como diria meu amigo Brancoleone, a mesma merda! Mas que delícia!

Nao, os argentinos nao sao arrogantes, e ultimamente nem mesmo sao cabeludos como antigamente. E conheci gente maravilhosa que eu já sabia que era maravilhosa virtualmente.
Encontrei Paula, Haydee e Veronica e foi como se a gente tivesse crescido juntas.

Tudo bem, os argentinos falam meio alto, quando em bandos parecem adolescentes, mesmo que o mais novo tenha uns cinquentinha, mas pra quem como eu é neta e casada com italiano, já está meio acostumada com a barulheira.

De resto, semana que vem eu volto. Adeus comida boa, doces, vinhos baratos e bons, e tudo aquilo que meu médico disse pra eu nao fazer. O que ele nao disse é que eu estava proibida de ir pra Argentina. E aqui restaurante vegetariano é quase ofensa nacional. Quase como dizer que o Maradona afinal, nunca foi aquilo tudo...

Semana que vem eu caio de boca na soja e nas comidas verdinhas. Até lá, é chinchulin.

PS: post sem acentos e cedilhas que eu nao sei onde estao. Mas pra bom entendedor meio acento basta. Ou nao?

outubro 15, 2006

do que eu estava falando mesmo?

Dizem que matar com arma de fogo é diferente de matar com arma branca. Facada, punhal, coisas assim. Porque é como se a morte “saísse” do gatilho e não da mão que aciona o gatilho. Pode ser. Eu nunca matei ninguém com nenhum tipo de arma. Ainda.

Mas penso isso cada vez que aciono algum controle remoto de eletrodoméstico.

Principalmente de televisão, porque os outros eu me recuso a usar. Não porque não queira. É que nunca acho onde estão e quando acho não sei a qual aparelho pertencem e quando afinal descubro, geralmente já é tarde demais. Um saco.

Voltando às implicações da responsabilidade social e da proximidade corporal. Quando a gente tem o controle remoto da TV na mão, a chance de zipar o tempo todo é muito grande. Por que? Eu sempre acho que é pela facilidade de acesso à mudança e à esperança inerente ao ser humano de que as coisas melhorem.

Mas divago de novo. Estava falando de controle remoto e não de eleições.

Quando a TV era movida “ a criança pequena passando perto”, as coisas eram um pouco diferentes. Eu sei porque em casa a “criança pequena passando perto” era sempre eu. E pra mudar era um botãozão enorme, circular, que tinha que ser girado pra um lado ou pra outro. E que quebrava com uma frequência diretamente proporcional às voltas dadas e inversamente proporcional à idade da criança pequena passando perto que acionasse a coisa.

Hoje não. As pessoas ficam ali, com o controle na mão, falando umas com as outras sem olhar nos olhos, com o olhar fixo na TV, como se ela fosse um game daqueles antigos. E mudam. E mudam. E mudam.

E no entanto, na programação das redes de TV nada muda. Tudo igual.
Lampedusa já sabia disso. Muda-se tudo pra não mudar nada.

Que coisa! Eu de novo falando de eleições!

perplexity-wendynorris.jpg


outubro 12, 2006

uma estorinha para o dia das crianças

Quando minha filha tinha uns dois anos ganhou um ursinho. Até aí nada demais. Todo mundo ganha ursinhos, com esta ou aquela idade.

Era o Chiquinho. Um ursinho de pelúcia, com forro de algodão.

Eu sei que era de algodão e não de pluma, como são os bichinhos hoje, porque tentei lavar, depois de uns meses. Quase apodrece, o pobre. Levou uns seis ou sete sóis pra secar e para sempre adquiriu um aspecto meio esquisito, mas não alterou o amor da minha filha por ele. Amor é assim mesmo: não vê cara nem cheiro de mofo.

Depois de uns seis anos, certa noite, na praia, minha filha, que dormia com ele, deixou-o cair durante a noite em cima de uma fumeta ( praia-pernilongos-espiral: a trilogia maldita que todo mundo que frequentou o litoral sul conhece). O Chiquinho começou a pegar fogo, lentamente, pelo pé. Acordamos em tempo. Não porém em tempo de salvar o pé do Chiquinho. Pra sempre ele ficou assim, com uma perna mais curta que a outra, que foi o melhor que eu pude fazer pra remendar o estrago. E a filha lá, sem nem abalar o amor que sentia por ele, perneta ou não. Amor é assim mesmo: não vê estética.

Depois de mais uns anos, a filha já adolescente, sonhando com amores outros além do Chiquinho, que a essa altura não tinha mais pelo nenhum, perneta, com um dos olhos caindo, com um cheiro indefinível ( mas péssimo), numa conversa de mulher pra mulher, foi convencida por mim a jogar fora o Chiquinho. Nem passar adiante dava. Seria uma sacanagem. Foi difícil. Eu me sentia como se estivesse pedindo a ela que jogasse fora o avô preferido ou uma bandeja de brigadeiros.

Uma amiga minha ( e mais ainda dela), sabendo do drama, condoeu-se e se ofereceu pra guardá-lo. Uma amiga mineira. Dessas pra quem a máxima: “quem guarda tem” é lema de vida.
Dito e melhor feito, o Chiquinho ficou na casa dela por mais uns anos.

Até há pouquíssimo tempo atrás onde, numa crise de paixão recorrente, minha filha o pediu de volta. Afinal, hoje ela tem 26 anos, formada, mestrada, crescida e bem-amada mas com aquela coisinha faltando pra ser feliz.

Aquela coisinha suja, feia, perneta, mal-cheirosa e com um dos olhos prestes a cair.

Agora ele está lá, embrulhado num saco plástico, no fundo de um armário. Porque se o amor de minha filha por ele é grande, o amor por mim deve ser maior. Quando eu disse – ou ele ou eu- ela topou escondê-lo lá até ter sua própria casa.
Mas eu não sei por quanto tempo ainda vou ganhar essa parada...

christmas-bear.jpg

outubro 10, 2006

luto desbotado

Não conheço mais ninguém que use luto. Aquele preto nas roupas, nos sapatos, até nas meias. Em velhas fotos de portuguesas também velhas ou de espanholas, muito preto persiste. Aqui não vejo mais desde pequena.

Havia algumas pessoas da família que sempre se vestiam assim. Uma delas era a Tia Maria. Parece que perdera o marido há uns quinhentos anos atrás e nunca mais tirou o preto da roupa, das meias grossas, dos sapatos masculinos, até do lenço que cobria os cabelos brancos. Eu não gostava nem um pouco dela. Era ríspida com crianças, mal-humorada e cheia de cravos igualmente pretos no nariz. Era minha imagem de luto infantil.

Até morrer minha avó, quando eu tinha dez anos. Em nosso quarto mesmo, ao lado da minha cama de menina.

Após todas as arrumações que o enterro em casa daquela época exigia, como velar o corpo na mesa da sala, coberta com uma toalha rendada e fazer uma infinidade de comida e café para os parentes, logo no dia seguinte, após limpar e mudar as camas do quarto de lugar -pra menina não se impressionar- minha mãe começou com o trabalho de tingimento.

Não sei se era o hábito. Talvez fosse só pra gente mais pobre. Minha mãe disse que não podia comprar roupa nova, preta, quando eu perguntei. Então tingiu um monte de roupas de preto. Saias, blusas. Meias não, que ela quase não usava.

Meu pai e meus irmãos não mudaram nada. Nem eu, que ela disse que menina não precisava. Só no dia do enterro mesmo, meu pai e meus tios usaram uma fita preta amarrada na manga do paletó.

Minha mãe continuou usando aquelas roupas por um ano. Disse que era um tempo correto pra morte de mãe. De marido não. Tinha que ser mais. Minha mãe era a rainha do “correto”. Ou do que ela considerava correto.

E assim, durante o ano seguinte, fui vendo minha mãe usar sempre as mesmas saias pretas e blusas pretas, poucas, que ela não tinha muita roupa, e fui vendo elas irem ficando cada vez mais roxas. A tinta da época devia ser bem vagabunda. Ao fim daquele ano as roupas estavam já quase marrons, de tão lavadas, usadas e desbotadas.

Aí minha mãe “aliviou” o luto. Passou a usar preto e branco.

Cores, mesmo, só depois de dois anos completos.

luto.jpg

outubro 7, 2006

bandidagem

Já anoiteceu e saímos para caminhar. Não são muitas as rotas. Ou descemos a rua à direita e caminhamos no que chamamos “ a grande volta”, que na realidade não chega nem a uns 3 km, ou descemos a rua à esquerda e vamos até o supermercado 24 h como meta, numa espécie de bate e volta, sabendo que não faremos mais que 2 km. Durante a semana e devido aos horários em que podemos caminhar a coisa se resume nisso. Aos fins de semana a aventura é maior. Bem maior.

Descemos à direita. Chegando na avenida movimentada com carros e ônibus a mil, uma mulher no meio da rua, bem no meio da curva, falando alto, gesticulando, aparentemente xingando algumas pessoas no bar em frente. Está bem na curva, qualquer carro ou ônibus que passe poderá atropelá-la.

Chamamos, aflitos. Ela hesita. Chamamos de novo. Nada.

Vamos até ela e a trazemos, pegando pela cintura, pela mão. Ela não opõe resistência. Mas continua xingando, falando alto.

Como ninguém que estava no bar parece se interessar por ela e ela continua querendo atravessar a rua, continuo de mãos dadas com ela até o semáforo. Vou pedindo calma.

Ela sossega. Atravessa meio que de mãos dadas comigo. E vai falando:
Sabe, eu sou bandida. Sou bandida mesmo. Sou muito ruim. Eles vão ver com quem tão lidando! Vocês são muito legais. Olhe, lá adiante, os taxistas todos me conhecem. Eu sou a Juliana, sou bandida. Deus abençoe vocês! Não terão uns cinquenta centavos pra eu tomar um café?

Moedas recebidas, ela se vai. Dá tchau. Abençoa.

Uma bandidaça.

lavart_lava-masquerade-bradlewis.jpg
foto Brad Lewis

outubro 4, 2006

hilo de la caja

Soledad Felloza é uma contadora de histórias do outro lado do mundo. É uruguaia de nascimento mas vive hoje na Galícia, região que eu ainda hei de conhecer. Enquanto isso não acontece vou lendo seu ótimo blog e sabendo o que já suspeitava: que gente é igual em toda parte e que adora histórias. Contadas, interpretadas, cantadas, pintadas, televisionadas, filmadas. Ela canta, conta e interpreta. E hipnotiza sua platéia. E pede que responda a uma brincadeira virtual.

Responder a determinadas perguntas com os nomes de músicas de determinado cantor ou compositor. Não gosto de correntes, assim que não vou repassar, mas também não vou ser indelicada e deixar de responder. Vai assim mesmo, como veio, em espanhol. E aproveito pra homenagear ao João Bosco, que sempre vale a pena.

¿Eres hombre o mujer?: miss sueter

Descríbete: dois para lá, dois para cá

Qué sienten las personas cerca de ti?: si,si,no,no

¿Cómo te sientes?: indeciso coração

¿Cómo describiría su anterior relación sentimental?: babaçu com brubeck

Describe tu actual relación con tu novio/a o pretendiente: o espírito do prazer

¿Dónde quisieras estar ahora: zona de fronteira

¿Cómo eres respecto al amor: flerte

¿Cómo es tu vida: Sai azar!

¿Qué pedirías si tuvieras sólo un deseo?: liberdade

Escribe una cita o frase famosa: sábios costumam mentir

Ahora despídete: Foi-se o que era doce

Y hasta la vista, baby!!

joao-bosco-caca-a-raposa.jpg

outubro 3, 2006

hei de vencer!

Existem algumas maneiras de se combater a claustrofobia. Uma delas é a exposição ao agente detonador.

Estou com passagem marcada e comprada de avião para Buenos Aires. É uma viagem curtinha, de pouco mais de duas horas, mas eu sei o que essas duas horas me custam! Sem falar na questão do vôo em si, principalmente após a queda do avião da Gol. Mas a queda é o que menos me preocupa. A questão toda é aquela janelinha fechada. E a porta.

Vou enfrentar. Estou procurando também alguma caverna pra tentar entrar. A última que tentei foi Maquiné, em Minas, há uns 30 anos atrás. Só cheguei até onde pudesse ainda avistar a luz. Ou seja, uns 20 metros da entrada. Voltei de lá. Preciso tentar de novo.

E andar de metrô.

E subir no elevador do Edifício Itália.

E brincar de esconde-esconde dentro de armários.

E vestir e ficar entalada em blusa de lã piniquenta com gola rulê.

E ir ao banheiro do avião ( que é pior, muito pior do que o avião em si).

E assistir ao “E o vento levou” de novo, fechada no cinema por mais de tres horas.
Ou não. De repente, assistir “ e o vento levou” de novo já é pedir demais...

vento-levou-poster06.jpg