música de amor
Andrea fala em canções de amor. Sugere que as pessoas digam as suas canções de amor. Pede dez. Tento lembrar de alguma e só duas ou três me vêm à cabeça. Serão estranhas como canções de amor, mas é isso que são em minha história.
A primeira é Suíte dos pescadores, do Caymmi. Não fala exatamente de amor mas da partida e, principalmente, do medo das mulheres dos pescadores de que a volta não se realize. A volta daqueles que vão pro mar buscar seu sustento em jangadas insustentáveis. E um dia tem sempre o Chicão que não volta. Ou o João. Ou o Pedro. Sempre tem a não volta.
Quando conheci meu amor era uma música que cantávamos, andando pela praia. Nem sei porque cantávamos. A letra era enorme e triste, mas nada nos deixava mais felizes. Noites e noites cantarolando com os pés na areia e o coração aos pulos.
Depois, muitos anos depois, as músicas de ninar. Para filhos que teimavam em ouvir histórias e não músicas. Mas havia sempre as músicas. As mesmas de geração em geração. Aquelas que a gente canta com a desculpa que são para os filhos mas acho que são mesmo é pra gente, praquela volta ao aconchego.
A última música é bem mais recente. Não é também “ de amor”. Se bem que tem sempre, é claro, o amor que a gente tem pelo Martinho da Vila e pela Clementina. É “batuque na cozinha”. Foi muito difícil o maridão decorar alguma letra de música. E pra tocar e ensaiar, não basta só ler partitura. Tem horas em que você está no carro, na fila do banco, enfim, tem horas em que não dá pra ter uma partitura nas mãos. Daí é lembrar de uma música e tocar. E cadê que ele lembra? Decoramos juntos essa letra. Sambinha muito bom pra pandeiro. Suave, macio, maneiro. Aguentei muito tempo maridão cantarolando essa música.
E foi só o amor, o enorme amor que eu tenho por ele, que me fez aguentar isso!
Então é isso aí. Música de amor pra mim é conjuntura. A música pode ser qualquer uma. A conjuntura é que a torna “ de amor”.

Comments
Normalmente musica italiana é muito melosa. Ou melada. Mas Adriano Celentano tem umas musiquinhas romanticas boas pra embalar aquela hora que ninguem quer ninar.
Posted by: Allan | setembro 22, 2006 9:03 PM
São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
Pra mim, é uma delas.
Há outras. Muitas outras.
Já que Allan falou em música italiana, nada, pra mim, como Paolo Conte.
Beijinhos.
Posted by: Santos Passos | setembro 24, 2006 8:51 PM
Allan e Santos Passos: tem música italiana na história sim! Tem o Luigi Tenco, de letras realistas e tristes. E o Giorgio Gaber. E Domenico Modugno. Mas faz tempo, tanto tempo..!
Posted by: maray | setembro 25, 2006 12:15 PM