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boas maneiras

Fico atormentada com essas regras de etiqueta, ou boas maneiras. Tudo começou quando eu tinha uns sete anos e meu irmão voltou do Uruguai, onde ficara por cinco anos, fazendo faculdade. Era um ilustre desconhecido pra mim, pois cinco anos pra quem tem sete é quase toda a vida. E ele voltou cheio de regras. Eu não podia mais comer com a mão. Nem botar os cotovelos na mesa. Nem falar de boca cheia. Nem lamber o prato. Nem fazer barulho pra tomar sopa ou comer spaghetti. Nem um montão de coisas mais que eu fazia, porque em casa ninguém ligava muito pra isso.

Um dia eu fiquei tão, mas tão atarantada, que caí da cadeira e daquele dia em diante não comi mais nada quando ele estivesse à mesa. Comia antes ou depois, não junto.

Com os anos fui aprendendo algumas coisas, é claro. Posso dizer que sou uma pessoa razoavelmente bem educada nessas coisas. Nunca mais fiz barulho pra comer, não boto os cotovelos à mesa, uso guardanapo e não a toalha de mesa, mas outras coisas faço sim. Fazer o que? É quase inato, de tanto tempo que eu faço...

Eu lambo prato de : pudim de leite, manjar branco, molho de tomate feito em casa.

Eu não sei distinguir a diferença entre copo de água, copo de vinho e copo de refrigerante. Como eu quase nunca tomo água e jamais refrigerante, e vinho qualquer copo, em não sendo de plástico, serve, eu nem tento aprender.

Eu também não sei usar talher de peixe. Nem de lagosta. Mas como dizem que deus dá o frio conforme o cobertor eu não gosto de peixe e nunca comi lagosta.

Eu não dou gorgeta. É contra meus princípios. Acho que se o salário de alguém é uma desgraça, tem mais é que reclamar do salário. Não deve existir a “complementação gorgeta”. E dinheiro pra guardador de carro só em último caso. E bote último caso nisso.

Eu não sei esperar ser apresentada. Se estou em algum lugar e quero conhecer alguém, a chance de eu chegar na pessoa e perguntar “ você é quem?” é muito grande. E a chance de eu ficar com cara de besta, sem que a resposta me diga nada também é grande. Daí eu me afasto “ desculpe, confundi” com aquele sorriso amarelão...

E por aí vai. A grande vantagem que tenho descoberto nos últimos tempos é que com a idade as pessoas perdoam muito mais. Fica tudo na conta “daquela senhora maluca”. E a senhora maluca vai vivendo cada vez mais feliz, porque agora ninguém mais me enche o saco com o lugar onde boto meus cotovelos ou qualquer outra parte do meu corpo!

etiquette_class_book.jpg

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Comments

Vejo você toda feliz numa tenda árabe, mandando ver na comida.

:)

Beijão.

Mientras tengas claro que el vino va en copa,ya eres una persona mas que educada.
He conocido gente que sabe perfectamente para que sirve cada cubierto de la mesa y como usarlos,sin embargo es incapaz de "saber usar" los sentimientos de una persona.
Sorber un espaguetti con mucha salsa de tomate,es un placer.

tanta coisa em comum, querida CC. :)

Confesso que também gosto de lamber prato - quando não tem ninguém olhando.

outro li em algum lugar sobre regras de etiqueta que as pessoas usam nas suas mesas, nas suas casas. e me senti uma mulher das cavernas, pq ainda uso guardanapos de papel. sacou a parada? pois é... bjs

Ordisi: por que numa tenda árabe? Na 25 de março tem umas lanchonetes bem legais...

Soledad: Tenés razón. Si uno sabe de vino, mucho más no hay que saber!

T@V: você também gosta de comer com colher de vez em quando??

Sônia: e lamber tigela de bolo de chocolate?

Andrea: eu sempre usei guadanapo de papel! Só quando não tem uso papel de cozinha. De criança limpava a boca na roupa, mas foi só até meu irmão reclamão descobrir...:)

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