papagaios e planetas
Num post aí debaixo sobre cachorros a Cris me pergunta sobre papagaios.
Sabe, Cris, tenho um sentimento estranho em relação a papagaios. Quase como o que eu sinto em relação a horóscopo. Eu sei – ou penso saber- que eles não têm condições de entenderem o que falam. Eles aprendem e usam em situações aprendidas. Puro condicionamento. Tal como os chimpanzés que “falam” com cartões. Mas já conheci alguns que, vou te contar, me impressionaram. Porque eles falavam o que falavam (e eu não vou repetir aqui porque isto é um blog permitido para todas as faixas etárias) em situações inusitadas em que o que era dito caía bem, muito bem!
Minha mãe tinha um primo italiano, desbocado e machista, além de taxista - o que não tem nada a ver, asseguro, antes que me achem preconceituosa e politicamente incorreta com a gloriosa classe dos taxistas- que se divertia ensinando o papagaio a falar mal da mulher dele.
Mulher esta que, pra mostrar que não tenho preconceito e sou corretíssima, digamos que era esteticamente “ampla”. Mais ou menos como as senhorinhas retratadas por Botero. Na realidade, mais.
Pois esse papagaio sabia quando elogiar e quando ironizar. Quando ele tinha fome tratava a Maria (o nome da mulher ampla) por benzinho e coisas assim. Traz café benzinho. Louro quer café! Quando estava de barriga cheia se divertia xingando : vai trabalhar, Maria gorda! Vai trabalhar!
Isso me impressionava. Morria de medo desse papagaio. Das suas bicadas e das suas tiradas. Sei que era aprendizagem pura mas...
Como horóscopo. Sei que não tem nenhum sentido os planetas e astros em geral interferirem na minha vida. Mas não custa dar uma olhadinha. Vai que..
Falando nisso...
Plutão não é mais planeta.
Passei anos de minha vida decorando certas coisas como a posição dos planetas. Nunca soube muito bem o miolo da fila mas sempre soube que Plutão era o último. Alguma coisa de astronomia a gente tem que saber neste mundo...
Agora Plutão não é mais.
Tudo bem, acho que consigo sobreviver. Ele nunca me fez muita falta mesmo, nem como planeta nem como seja lá o que for. Inclusive quando era bem pequenininha cheguei a pensar que Plutão fosse aquele cachorro simpático do Disney, numa versão grandona.
Agora que uma polêmica toda está criada, lá isso está. E como ficam os mapas astrais desta vida? E as influências do planeta na hora do teu nascimento? A que estarão condenados os regidos por Plutão?
A eterna auto-estima rebaixada? A virarem pó de traque, seja lá o que isso for - minha vó é que falava: acho lindo - ? A viverem um eterno inferno astral? A pedirem socorro aos nascidos sob a influência de Saturno, aquele grandão rico e cheio de anéis, alguma coisa de astronomia a gente tem que saber, como já disse ?
Uma questão e tanto.
Bobagem ficar discutindo como dar fim a guerra do oriente médio. Eleição, fome, roubalheira generalizada, tudo isso deverá ficar pra trás.
Plutão não é mais aquele!!
Meu mundo caiu, como diria a Maísa.

Comments
Un saludo. Veo que estás en forma. Zucco.
Posted by: Roberto Zucco | agosto 26, 2006 12:59 PM
Un beso para la dueña de casa.
Posted by: fander | agosto 26, 2006 9:38 PM
Maray,
Leões, eu os enfrentaria, na boa. Tigres, de bengala ou muletas, eu teria a hombridade de uma fuga honrosa mas tres bichos me tiram do sério: O olhar com a vastidão do nada de um gato perdido, o pesadelo de uma lagartixa me subindo calças adentro e acima, e um papagaio falando ao descontrôle. Eu, um homem com Cento e Setenta e poucos centímetros, mais de meio século vivido sou alvo de deboches dos amigos, eu sei, quando conto isto. Fazer o quê?
E sobre Plutão, desde que o rebaixaram eu já não como, durmo ou bebo por puro medo de que alguem, o IBGE por exemplo, amanhã declare que eu já não existo como pessoa embora esteja visível. Essa gente importante têm mesmo coisa importante prá fazer?
Um abraço
Luiz
Posted by: Luiz | agosto 29, 2006 4:13 PM