o lustre da sala
Nada de especial, mas eu gostei. Numa feirinha de antiguidades acabei encontrando um lustre antiguinho ( não antiguidade, antiguinho mesmo, ou seja, velho sem pedigree) creme, de vidro, que me encantou. Só que era baixo.
Isso mais o pé direito da minha casa que tá mais pra pé de gueixa, e o estrago estava feito. Agora em casa só entram meus amigos com menos de 1,80 ou os mais espertos. O que não deixa de ser um critério válido.
Muitos escolhem os amigos pelo caráter. Outros por afinidades. Outros por histórias em comum, antigos colegas de escola, antigos vizinhos. Eu, desde que comprei o tal lustre escolho por altura e esperteza. Eles e elas podem ser maiores de 1,80, mas daí terão que ser espertos pra desviar do centro da sala, em qualquer circunstância. Mesmo que o telefone toque freneticamente, mesmo que encontrem do outro lado da sala o Gandhi revivido ( o que depois de uns conhaques é bem possível), mesmo assim não poderão sair correndo atravessando a sala na diagonal.
Porque aí encontrarão O lustre. Que tem, em sua borda inferior, um arremate de bronze em forma de seta. Uma arma em potencial.
Nós, os da casa, já nos acostumamos. Eu, marido e filha nem precisamos nos preocupar. Filho e namorado da filha adquiriram o costume de andar com a cabeça de lado, quando chegam ao centro da sala. Dá até um certo charme, a la James Dean, o olhar pra baixo, a cabeça entortada.
Os outros, desviem.
Como nós, paulistanos, ultimamente, de balas perdidas. Há que se desviar, pero sem perder la compostura jamás!
Meu deus, só rindo mesmo, pra não chorar.

Comments
dean, o que seria dele se ele existisse?
Posted by: andrea | julho 15, 2006 6:49 AM
Com lustre ou sem lustre, sua casa é das mais acolhedoras que que já vi, Maray. De verdade.
Beijos,
Posted by: Ju Geve | julho 15, 2006 6:39 PM