enquanto o sono não vem
Dormir é não pensar. Dizem que meditar também. É difícil. Principalmente quando alguma coisa precisa ser resolvida e eu, na minha impaciência característica, quero a solução pra ontem. Daí é um tal de analisar coordenadas, conjuntura, possibilidades, tudo isso de madrugada, que não sobra lugar pro sono vir. E a insônia se diverte, me botando pra girar na cama de um lado e de outro.
Daí eu tento construir casas. Quase como castelos na areia, mas nem bem são castelos nem bem é na areia. É numa ilha. Meio afastado da beira do mar porque tenho medo da maré cheia derrubar minha casa.
Vou pegando ramos, galhos grossos, troncos que puder carregar, folhas de palmeira, cipós, tudo que possa servir de parede, de chão, de cobertura, e vou construindo minha casa na praia. Logo eu, que nem gosto de praia!
Dá tanto trabalho, mas tanto trabalho, cansa tanto, que eu sempre dormi antes de terminar.
É meu jeito de contar carneirinhos: construir casas na praia de uma ilha deserta. Tá bom, pode ter um cachorro ou dois.
Quando era garotinha, meu brinquedo preferido foi o “pequeno engenheiro”. Bloquinhos de madeira imitando paredes, arcos e telhados. E havia uma torre com um relógio também. Eu queria ter vários daqueles brinquedos pra construir cidades inteiras, mas só ganhei mesmo um. Dava pra construir pracinhas, com uma árvore de palito de fósforo e papel verde no meio e um lago de espelho. Chafariz era muito complicado.
Meus filhos curtiram o Lego, esse sim cheio de possibilidades. Ainda mais que eram dois e tinham bastante peças (dois filhos, não dois legos). Surgiam arranha-céus com elevadores, castelos de verdade, galpões, e máquinas. Tudo com “gente” em volta. Gente de playmobil, de falcons, susies e barbies. Mas gente, sem dúvida!
Eu não tinha essa possibilidade. Minhas “gentes” eram um cachorro de pelúcia muito curta (que eu cortei pra ver se crescia mais) e alguns bonecos de caroço de manga chupados e secos ao sol. Uns seres cabeludinhos muito do esquisitos...
Toda vez que algo me preocupa referente a minha família, sonho com casas. Casas abertas, casas fechadas, casas labirínticas. Na minha interpretação, com o passar do tempo e a recorrência desses sonhos, imagino que casas pra mim sejam sinônimos de família. Do emaranhado de galhos, troncos, cipós e folhas que ligam pessoas da mesma família. Às vezes as casas se arejam, surgem firmes. Às vezes oscilam, escurecem, anoitecem.
Mas construir casas é bom. Além de fazer dormir. É como construir famílias. Protege das intempéries da própria vida. Acho que é isso.

Comments
Achei super legal, saber que mais pessoas tambem faziam "gente" de caroco de manga. Me deu uma saudade de quando era pequena e lavava, com minha irma, as mangas no tanque e as colocava ao sol, tudo com a supervisao da super vo... Beijinhos
Posted by: Fran | julho 20, 2006 12:14 PM
deus deixô um messagem pra você onde baker. beijos.
Posted by: vadinho | julho 20, 2006 3:44 PM
Estão abertas as inscrições para a 6ª Mostra Corumbá – Santuário Ecológico da Dança.
O evento conta com espetáculos de dança em palco fixo, a céu aberto tendo como cenário natural uma das mais belas paisagens brasileiras, o Pantanal sul-mato-grossense e será ainda integrada por espetáculos itinerantes – apresentações em bairros e escolas da Rede Pública, bem como por aulas, workshops e exibição de vídeos e filmes.
As inscrições estão abertas!
Obtenha maiores informações, confira a programação e faça sua inscrição no site:
www.dancacorumba.com.br
Data: 09 a 15 de outubro
Cidade: Corumbá / MS
Contato: Isabele Bueno
Fone: (+55 67) 3231.8436
E-mail: contato@dancacorumba.com.br
Posted by: Josiane Guerra Niz Benites | julho 20, 2006 4:29 PM
Lindo o quadro que você pintou com a construção da casa na praia.
Aliás, como sempre, adoro seus textos. São tão intimistas, tão aconchegantes.
Em tempo: também temos um "O Pequenos Cosntrutor" em casa (e Lego, mas ele não gosta tanto). Agora que você mencionou, vou comprar mais umas caixas para o meu filho poder construir praças e chafarizes.
Beijos,
Posted by: Ju Geve | julho 20, 2006 6:31 PM
Fran: entendo teu drama: as mangas de agora não têm mais fiapos! Eles foram selecionando até fazerem das mangas verdadeiros melões no tamanho e bananas na textura. Acabou a manga espada, a coquinho, aquela do quintal de chupar, lavar e pentear :(
Vadinho: tá me ameaçando, com essa de "Jesus te chama" ? :D Já sei do que se trata, vou lá responder..
Josiane: adoraria ir lá conhecer o festival e Corumbá. Fica a dica pra quem puder ir. Blog também é cultura!!
Deixa ele pedir antes, Ju. Senão você estraga o guri! Ô mãe ansiosa!! :)
Posted by: maray | julho 20, 2006 7:16 PM
Sofro de insônia, mas quando o sono chega preciso dormir. Ou ele vai embora. Talvez a idéia de construir casas possa ser aproveitada. Mas casas de verdade: deve dar uma canseira…
:)
Posted by: Allan | julho 24, 2006 12:11 AM
Se eu acordo à noite, Maray, depois de já haver adormecido, é sinal de insônia na certa. Felizmente isso não é frequente, pois, nessas circunstâncias não há projeto de casa que resolva. :) Bjos.
Posted by: Ordisi | julho 24, 2006 12:49 PM
Maray,
Ups! Acho que já estraguei!
Beijos,
Posted by: Ju Geve | julho 24, 2006 4:47 PM
menina, eu nao durmo, depois q durmo nao quero acordar nunca mais. mas tem vezes em que acordo pra dar uma pensadinha, e depois de horas volto a dormir...doida de pedra!
Posted by: andrea | julho 24, 2006 5:56 PM