« de corujas e bolas | Main | isso é veneno! »

semeando

Já tive livraria. Junto com outros 3 sócios fazíamos tudo, inclusive atender ao balcão e embalar. A pior parte. Nada mais estressante do que fazer pacote de presente pra quem, como eu, não consegue dobrar um papel sem franzir o próprio e o cenho também. Isso sem falar da língua de fora, mas ainda não chegamos nas baixarias.

Nada me fazia sentir mais deus do que quando alguém entrava e me pedia sugestões. Eu perguntava o de praxe: é homem ou mulher, tem interesse em que, qual o grau de relacionamento de quem dá com quem vai receber e só por último quanto pensa gastar. A não ser em poesia, que não sou muito chegada, eu tinha palpites pra tudo. E me sentia fazendo diferença, criando gostos, moldando caracteres. Porque pra mim os livros fizeram quase tudo isso.

Tinha alguma dúvida em casa? Ia aos livros. De sexo a comportamento, a maior parte do pouco que sei veio dos livros.

Vai viajar? Livros na bagagem.

Vai se internar no hospital? Livros.

Namorado deu um pé na bunda? Livros.

Está gorda e não quer pensar em comida? Livros.

Não suporta fila de banco? Livros.

E foi lá, quando tivemos aquela pequena livraria, que exerci essa teoria na prática. Nada me deixava mais feliz do que alguém retornar dizendo que gostara da sugestão e pedindo mais. Mais ou menos como deve se sentir quem deu a primeira bola de plástico a um garotinho chamado Ronaldo. O gaúcho, é claro.

libreria.jpg

TrackBack

TrackBack URL for this entry:
http://www.gardenal.org/sistema/mt-tb.cgi/1502

Comments

Agora, como escritora, já pode editar o seu próprio livro, se quiser. É só trancrever aqui do seu blog. Sério.

Abrs.

Sempre tive curiosidade em saber se dono de livraria lê tudo o que vende ou acredita nas informações das editoras. Não iria conseguir dormir nunca e o trabalho não teria fim.

Ordisi: não quero editar meu próprio livro! Já se alguém quiser me patrocinar, o papo é outro...:)

Allan: não, eu não lia tudo que vendia. Até porque era vizinha (a livraria) da FMU e vendíamos bastante livros de administração...Mas foi a época da minha vida em que mais e mais ecleticamente li.

querida maray, há uns tempos atras fui internada para fazer uma cura de sono pois estava muito "em baixo", deprimida.Pois bem, imagine como eu estava! Fui na véspra do internamento a uma livraria que adoro, perto de minha casa e comprei 300 euros de livros, aproveitando assim preços de feira (estavam a fazer saldos).E lá fui eu , carregada de livros para a clínica, onde passei mais de uma semana a...dormir!
No último dia, já mais desperta consegui ler um: escolhi "três cartas a Millena" de kafka...agora que já estou bem melhor rio-me da escolha.Kafka para curar depressão, nem mais!

Gostei do post. Realmente quando as pessoas pedem sugestões de leitura é uma sensação muito boa.

Post a comment

(If you haven't left a comment here before, you may need to be approved by the site owner before your comment will appear. Until then, it won't appear on the entry. Thanks for waiting.)