juninas
Junina I
Gosto muito de festa junina. De quentão, de fogueira mais que tudo, de pipoca caramelada. De milho verde e churrasquinho não gosto não.
E gosto que me enrosco de quadrilha. Não, não tô falando daquelas do planalto. Aquelas das festas juninas, do anarriê, do “olha a cobra” !
Durante anos eu improvisei no quesito fantasia. Pra mim e pro maridão. Aquela coisa de costurar uns remendos no jeans, pegar a camisa xadrês e desfiar um chapéu de palha. Mas um belo dia eu, procurando junto com minha filha um vestido na 25 de março, achei um de adulto! Foi a glória! Ela usou na quadrilha da faculdade – não, não aquelas das faculdades privadas deste país- e dançou desta vez “come il fault” seja lá o que come il faut de festa junina queira dizer...
Daí o vestido ficou lá no armário. Como temos mais ou menos o mesmo tamanho, servia em mim.
Oba! Ninguém me segura agora!
Sabe que parece praga de quadrilha? Sim, de quadrilha planaltina, desta vez . De lá pra cá, não pintou mais nenhuma festa junina com dança pra usar o vestido!
Junina II
Tive que ensinar a meus filhos que balão é perigoso e não pode soltar. E tive que calar pra eles as vezes em que ajudava minha tia Elisa a fazer, lá na rua de terra em que ela morava, na vila Ipojuca, aqueles balões que a rua inteira ajudava e ficavam lindos. Depois era só subir na Cerro Corá, lá no alto, em procissão com a garotada toda da rua e soltar lá de cima!
E, conforme o vento e a disposição, sair correndo atrás pro caso do balão começar a descer.
A vida politicamente correta é uma merda.
Junina III
Tenho um trauma com festas juninas. Fruto da falta de grana dos meus pais e da minha falta de garra. Sim, porque mesmo quando tive oportunidade e dinheiro pra comprar aqueles rojões maravilhosos, que a gente segura pro alto e parece que vão levar o braço junto na subida, nunca comprei nem tive coragem de soltar.
Mas quase choro de pura excitação quando vejo aqueles rojões barulhentos e coloridos nas festas.
E lembro que de criança chorava de raiva por só ter aquelas estrelinhas sem graça pra usar ou aqueles traques de jogar no chão..
Ter que jogar no chão o que eu queria atirar pro céu!!
Ô tristeza!

de Maria Auxiliadora, ótima pintora e linda irmã do Sebastião e do Vicente
Comments
torcer contra, ao menos no caso do Brasil, dá sorte... rsrs (vai entender)
Basta lembrar a copa do penta, que todo mundo falava que o brasil perderia e acabaram saindo penatcampeões... rs
abraços
=)
Posted by: Roberlan | junho 13, 2006 1:36 PM
Mara
Lembra das festas juninas que a minha mãe fazia nos aniversários do Neto? Eu lembro das bandeirinhas penduradas na goiabeira, do quentão cheiroso que a vó fazia, e de uma fogueira armada na tampa do poço.A minha mãe guarda as fotos e acho que tem você e o Fausto.Bjs.
Posted by: Myriam | junho 13, 2006 8:10 PM
Aquí, en la noche de San Juan, todos los pueblos huelen a quemado. Las hogueras reúnen a jóvenes y viejos en cuyos rostros aparecen unas expresiones que no habrían gustado a la Inquisición.
El fuego en Junio nos recuerda a la época en la que no éramos cristianos>/em>.
Posted by: Mifune | junho 13, 2006 10:16 PM
eu gosto de festa junina pra comer, mas quadrilha, nem... aqui no rio nao tem festa junina de verdade. meu sonho é ir a campina grande, aí, sim, deev ser de lavar a égua!
Posted by: andrea | junho 14, 2006 2:12 AM
Ai que saudades de quando eu morava em Beagá... A gente começava a ensair quadrilha um mês antes, e era tão divertido (até mais) quanto o dia mesmo da festa.
Saudades dos balões também, quando, ainda menina morando no Humaitá (RJ) e balões não eram encarados como o perigo que são, e saíamos correndo pelas ruas para pegar balão. Tem razão, o incorreto é muitas vezes mais bonito.
Posted by: Sonia | junho 14, 2006 1:30 PM
Também adoro.
Esse ano, perdi as dos meus filhos. Ambas.
Ano que vem, preciso tirar o atraso.
Beijos.
Posted by: Ju Geve | junho 30, 2006 7:33 PM