ciudades hermanas
Montevidéo
Conheci Montevideo quando tinha 12 anos. Tive que me virar sozinha pra aprender a pedir helados no Cantegril da 21 de setiembre e churros no Parque Rodó. Aprendi rápido, que nunca comi nem antes nem depois melhores sorvetes ou churros. E fui voltando pra lá muitas e muitas vezes.
Passei lá quase um mês em lua de mel, fui mais vezes quando tive filhos, mostrando pra eles a alegria de andar de pedalinho no lago, de correr pelas calçadas vazias de Carrasco, de enfrentar o vento da rambla com cara de quem fez isso a vida inteira, tiritando nas roupas brasileiras inadequadas.
E ultimamente, nas idas a Buenos Aires, ainda dou um jeito de passar por lá. Tudo bem, não tem milongas em Montevidéo mas o candombe do carnaval ninguém tasca!
Montevidéo é melhor do que a sala do meu terapeuta. Me relaxa mais e me deixa mais feliz. E sempre está lá, quase igual, as mesmas ruas, os mesmos bares, os mesmos cafés. Um ou outro cinema deu lugar a esta praga das igrejas evangélicas, como aqui, e é uma lástima. Eram cinemas enormes. De resto, tudo igual. Montevidéo me faz respirar em paz..

Buenos Aires
Por muito tempo não quis conhecer Buenos Aires. Estava ali, ao lado de Montevidéo, mas eu não tinha vontade de ir lá. Por conta do preconceito contra os argentinos da parte de brasileiros e uruguaios. Tanto me falavam que era igual a São Paulo que eu, nativa de Sampa, achava que não ia ver nada de novo. Só correria, gente apressada, meio mal-educada com estrangeiros. Como aqui.
Daí surgiu o tango na minha vida. O tango dança, porque o tango música desde criança me fascina, gosto incentivado pelo meu pai, que a vida inteira assobiou somente duas músicas: Corrientes, 348 e a música tema de Bat Masterson, um seriado antigo.
Aí fui finalmente, há alguns anos atrás. Tive que respirar fundo na Av. 9 de julho. Uma sensação boa, de respeito pela arquitetura européia preservada, de aconchego nas calçadas cheias de cafés, de simpatia pelo povo extrovertido.
Sim, eles tiram sarro de brasileiros também. Mas na boa.
Sim, os homens são cabeludos demais.
Sim, as mulheres são pintadas demais.
Sim, o tango é maravilhoso.
E a parrilla, de comer de joelhos. Mesmo pra uma vegetariana como eu. Que sente os olhos lacrimejarem só de lembrar dos chinchulines.
Tangueando no Unita ou me divertindo no Arranque, ou mesmo observando os casais do Ideal, Buenos Aires hoje não me deixa respirar em paz. Buenos Aires me faz arfar.

Comments
Olá, querida, você dança o tango? tive aulas e gostava de dançar, mas faz tempo que não pratico. Será que a gente esquece? adoro dançar e me sinto uma artista de cinema quando danço tango...
Vim aqui agradecer a visitinha e acabei lendo tudo.
Gostei e vou voltar, viu?
Beijo grande
Posted by: BethS | junho 10, 2006 1:39 PM
São cidades com ares europeus, bonitas, limpas e cheias de cultura. Mas fico com a impressão de que falta algo, como cinzas de carvão na calçada ou perfume de acarajé. Talvez ache o sorriso deles mais raros e menos espontâneos, mas pode ser somente implicância minha. As fotos estão muito boas, como a prosa. ;)
Posted by: Allan | junho 10, 2006 8:27 PM
Beth: danço tango sim. E rock, e cha-cha-cha e rumba e samba e mambo...adoro dançar!
Allan: é implicância sua. ;)
Posted by: maray | junho 11, 2006 12:56 PM
dale, pebeta, venite.
sabés Maray que te leo en voz alta?
bah, te mamarracheo en un intento de lectura audible.
me encanta. me suena a que estoy en el fondo de tu casa.
beso
Posted by: aydesa | junho 13, 2006 11:23 PM
Maray,
Como você, também adiei por anos minha ida a Buenos. Puro preconceito bobo. Quando finalmente fui, não deixei mais de ir. Adoro.
Beijos,
JU...
Posted by: Ju Geve | junho 30, 2006 7:30 PM