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asas da imaginação

Aqui perto, na esquina, existe uma casa. A esquina é daquelas em bico, confluência de duas ruas. O dono da casa ( nunca vi mulher por lá) gosta de plantas e árvores e folhagens. E foi plantando, nesses 30 anos em que ambos moramos por aqui. As plantas crescem. As folhagens crescem. A unha de gato no muro cresce. Só o dono, um homem mais ou menos da minha idade, não cresce. Ao contrário, como eu, envelhece e se apequena. Mas ele tenta domar o verde todo que toma conta da casa, do terreno, dos muros ao redor.

Há uns anos atrás ele se locomovia com carro. Aliás, com jeep. Se é que se pode chamar de jeep aqueles dois gurgéis que ele tem. Ou tinha. Hoje só um deles está lá, na garagem, desventrado e murcho. E coberto por verde.

Por que estou falando disso tudo? Porque não há um dia em que eu não passe lá (e é meu caminho diário até o ponto de ônibus) em que não imagine o conto da bela adormecida. O da garota que dorme e dorme e dorme, ferida pela roca (que nome!) e pela praga de madrinha mal vista. Praga de madrinha pega. E como pega! Ela dormiu e o castelo todo também.

Só nunca entendi porque o verde todo em volta não dormiu e continuou crescendo, até cobrir o castelo, as coisas, as pessoas.

Quando chega o verão e eu mal dou conta de manter minha grama aparada e as árvores podadas, sempre penso que se um dia o mundo acabar- de praga de madrinha ou de praga sintética, dessas de laboratório que também pegam que é uma beleza – o verde vai cobrir tudo rapidinho. Pelo menos no meu quintal e no quintal do meu vizinho.

belleauboi.jpg

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Comments

Lembra da canção de roda (ou você não é do tempo em que se brincava de roda - acho que não) em que se cantava "o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor"?

Nesse caso, vamos torcer para que seja praga de madrinha e não praga sintética porque, se for sintética, é capaz de nem o verde sobreviver.
Beijos,
JU...

Sônia: é claro que eu brincava de roda. De "canoa virou", de "ciranda, cirandinha", de "Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão", mas essa não conheço não. você lembra a letra toda?

Ju:tem razão. Praga sintética é o apocalipse now!

Seus textos? Cada vez melhores, cada vez melhores.
(ah. Fiz uma brincadeirinha com você, lá no Ordisi).
Beijinhos.

Mitos urbanos. òtimas crônicas!!!

Prefiero las plagas de una madrina, ya que tenemos mas posibilidades de encontrar palabras mágicas que deshagan el entuerto. Tal y como va el mundo, serian necesrios mas señores como tu vecino. ¿Has mirado si mora algun duende?

lembre-se: o verde é a cor da esperança. E um mundo verde nem chega a ser um mal.

Oi, amiga, pelo que me lembro era assim. A roda cantava:
A linda rosa juvenil, juvenil juvenil. Vivia alegre a cantar, a cantar a cantar. Um dia veio a feiticeira má, muito má, muito má. E adormeceu a rosa assim, bem assim, bem assim. Aí entra alguém na roda (a feiticiera)e começa a passar a mão na cabeça da menina que representa Rosa. A roda continua cantando. E adormeceu a rosa assim, bem assim, bem assim. E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor. Todas unem as mãos e se fecham em torno da rosa. A música continua. Um dia veio o belo rei, belo rei, belo rei. E despertou a rosa assim, bem assim, bem assim. Entra o príncipe, pega a Rosa pela mão e ambos rodopiam.

Sônia: que lindo! Uma história infantil musicada! Adorei mas não conhecia. a única música que conheço baseada em história infantil é aquela " era uma vez um lobo mau, que resolveu pegar alguém..estava sem vintém.." mas é de adulto interpretando. Um dia precisamos ( você poderia!) registrar isso em livro pra não se perder!
beijos

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