pitadas de ecologia
Se animais- preferencialmente cachorros- são tratados por mim quase como filhos, com plantas não sinto a mesma coisa. Plantas, grama, verde em geral sempre foram pra mim cenário e nada mais.
Passei a infância numa casa com grande quintal, com parreiras, mamoeiros, goiabeira, ameixeira, pitangueira, os que ainda lembro. E uma mãe e uma avó que gostavam muito de cuidar de plantas. Lembro mesmo que minha mãe não podia ver uma lata usada, de óleo, banha ou cera, que não fizesse furos embaixo e plantasse nelas alguma coisa. Eu só olhava. E usufruía das frutas quando era época.
Depois cresci, morei em algumas outras casas. Poucas. Não passaram de umas 3 ou 4. Aos poucos fui cuidando da grama, quer dizer, cortando, tirando um matinho de vez em quando.
Aos poucos fui vendo que as plantas gostam de água. Reagem bem quando regadas.
Hoje não posso dizer que me equipare às mulheres da família, mas aprendi que se cuidar um pouquinho, podar nos lugares e horas certas, lembrar ao menos uma vez por semana de dar água, as plantas reagem quase como minhas cachorras: agradecem, crescendo saudáveis e bonitas.
Tá bom, ainda não abanam o rabo nem me pulam ao colo, mas quem sabe com um bom fertilizante...

Milho é uma coisa incrível!
Não, não digo isso porque goste de curau, pamonha de Piracicaba ou milho verde da esquina, condimentado com poluição, água suja e sal grosso. Digo isso porque milho é ultra-resistente.
Mato a cobra e mostro o pau: quando estava no primário a professora mandou ( sempre mandam a mesma coisa..) plantar um milho pra depois trazer o pezinho pra aula ( do milho, que o meu pé nunca foi pezinho, nem mesmo aos 7 anos!).
Eu plantei. E durante mais de uma semana, tirava o milho da terra todos os dias pra ver como a coisa ia.
E não é que foi? O bicho não morreu, apesar desse tratamento. Deu mesmo um pezinho, cresceu e deu até uma espiga! Que eu não comi, porque não gosto de milho, mas quem comeu disse que foi a melhor espiga já comida. (minha vó, que me adorava, claro).
Taí, gostei! Desde essa época tenho uma admiração incrível por milho. Um forte, tal como o nordestino.
Comments
Eu gosto muito de cachorro, não tive muitos, mas o que tive me lembro bem. Alguns morreram, outros fugiram pra nunca mais voltar. Só que hoje em dia já não acho tão legal ter cachorro (ou qualquer outro bicho de estimação). Eu prefiro as plantinhas. rsrsrs
Grande abraço
Posted by: Roberlan | maio 15, 2006 4:51 PM
Muito boa crônica... plantas reagindo da maneira que os animais... é isso que nos proprociona a meméria! Cural de milho é excelente, mas o milho, verde coitado, passeia pelo meu organismo ao não ser mastigado.
Posted by: Thiago Quintella | maio 15, 2006 11:04 PM
Morei em casas boa parte da minha vida. Em certa época em apartamento de cobertura e depois em apartamento térreo com jardim. Tive casa de férias. Plantar e cuidar de hortas e jardins, ver crescer uma árvore plantada com minhas mãos sempre foi um dos meus grandes prazeres. Mas em apartamento comum, desses que não têm um quadradinho de terra sequer, não consigo cultivar um vasinho de qualquer coisa. Acho que as plantas parcebem minha raiva de apartamentos e fazem greve: não crescem, vão perdendo o viço e morrem.
Posted by: Sonia | maio 16, 2006 12:55 AM
Sinal dos tempos... pois quando eu estava no prezinho, as professoras nem ousavam mais pedir para plantar milho porque sabiam que seria uma luta inglória. Quando pequena, a gente plantava feijão, no algodão, em copinho de danone (de morango). E olhe lá!
Beijos,
JU...
Posted by: Ju Geve | maio 16, 2006 4:46 PM
Já eu sempre gostei de cuidar de plantas. Ficava imaginando as enormes goiabas vermelhas que um dia eu comeria daquela mudinha...
Posted by: Allan | maio 17, 2006 12:48 AM
Cando eu era un neno, un primo meu collía mazarocas dun millo que lle chamaban serodio, asabas no forno da cociña e comiamolas..!que ben se deixaban comer¡
Posted by: pepe penas | maio 18, 2006 8:33 AM