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duas cadeiras

Não sou mulher de competir. Nem mesmo comigo. Mas às vezes me aparece um desafio. Quando são outras pessoas que me desafiam, deixo barato. Tenho o meu ritmo, meu jeitão de fazer as coisas e fico muito aflita quando me são impostos prazos e condições. Mas tem vezes em que, mesmo sem querer, me percebo perseguindo um objetivo de forma relativamente compulsiva.

Nestas últimas semanas tem sido assim. Uma cadeira me desafiou. Uma não, na realidade foram duas.

A casa da gente, a minha pelo menos, quando casei, tinha muitos poucos móveis. Uma mesa pequena, dois bancos em que, apertando, cabiam duas pessoas. Parecia a história da menina que se perde na floresta e encontra a casa dos ursinhos. Com três cadeiras, três pratos, três camas...Quando casei tinha isso mesmo: uns quatro pratos, uns quatro garfos, poucas panelas. Eu não tinha pedido nada disso de presente porque queria comprar essas coisas do nosso gosto. Resultado: passamos meses e meses comendo em tigelinhas improvisadas, quando o almoço tinha mais de dois pratos!

Com o tempo, muito tempo depois, apareceram meus dois filhos e amigos. Daí a casa teve que aumentar os móveis. Passei a ter mais pratos, mais panelas, e de dois bancos passei a ter uma mesa maior e 4 cadeiras. Nunca quis ter mais do que 4 porque a cozinha nunca foi muito grande. Resultado: cada vez que vem visita, misturo na mesa as cadeiras dos micros, dos quartos, a banqueta das congas, tudo que der pra sentar.

Agora cansei. Quero ter mais cadeiras. Não muitas. Apenas duas a mais, formando seis, que é um bom número pra receber. Mais que isso fica muvuca e eu detesto muvuca.
Cadê que encontro cadeiras iguais às que já tenho há trocentos anos?

A coisa está se tornando um desafio. Um tormento. Uma busca incessante. Só não digo uma obsessão porque não sou mulher de obsessões. Ainda. Mas no andar da carruagem, é capaz que eu chegue lá!

Já fui a todas as lojas de móveis da Teodoro, à Tok Stok, aos Peg fácil da vida, a brechós, estive hoje no Samburá (bazar do Lar Escola São Francisco) e pretendo ir ao Exército da Salvação. Já encontrei um restaurante que tem as malditas cadeiras, iguaizinhas às minhas. Perguntei onde o cara comprou mas foi há tanto tempo que ele não lembra mais. Fiquei com vergonha de pedir pra comprar duas cadeiras dele, mas um pouco mais minha vergonha vai pro saco e eu volto lá.

Onde eu posso achar cadeiras vulgares de madeira, sem nada de antiguidade, que todo mundo tinha há quinze, vinte anos atrás? Onde?

cadeira.jpg
Não desenho bem, mas a cadeira é mais ou menos assim. As cadeiras, que são duas!

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Comments

Eles sempre descontinuam os modelos para a gente ter que trocar tudo. No momento estou procurando pratos iguais aos que tenho para uso diário, aqueles comuns, marrom amarelado, da Santa Marina, e parece que não existem mais. Mas em muitas coisas somos diferentes: por exemplo, adoro receber gente na minha casa.

Sônia, eu tenho pilhas desses pratos. Se vier pra sampa, além da gente tomar um vinho juntas, posso te ceder alguns.
Eu gosto de receber sim. Só que 6 de cada vez. :)

olá maray:
como não tenho o teu email, vai por aqui mesmo o recado:
por razões técnicas que têm qualquer coisa a ver com os underscores que tinha no url, o t&v teve de mudar de casa, por isso aqui fica a nova morada, para o caso de queres continuar a passar por lá de vez em quando:

www.baldaques.blogspot.com

beijinhos

Maray,
Um marceneiro, talvez?
JU...

maray acá venden! y sino la opción es comprarte otras dos, iguales entre si y diferentes a las antiguas.
y las pintas rompiendo el par, es decir dos sillas naranjas y dos azules de diferente forma. me explico? pares mentirosos. si no querés ponerles color, una leve pátina que oscurezca o aclare. el color empareja lo que la forma no acompaña.
beijos.

Minha vó tinha cadeiras dessas! Vou perguntar se ela lembra onde comprou... mas eu acho que ela nao vai lembrar!

Vai por mim, marceneiro.
Cadeiras simples assim qdo s encontradas hoje n valem nada. Mandar fazer é ainda a melhor pedida
bjão
inquieta

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