a grama do vizinho
Recebo um comentário de um garoto de 16 anos. Me faz uma pergunta que podia perfeitamente ter feito aos pais. Mas provavelmente não fez.
Lembro que eu também costumava fazer isso, na minha adolescência. Os “meus” pais eram a vanguarda do atraso e do moralismo, mas os pais das minhas amigas eu achava o máximo, a maioria deles.
Por isso não acredito muito em conflito de gerações. Acho que o conflito é de uma geração específica, aquela que habita a mesma casa que nós.
Quando eu toco com a garotada não sinto nenhum tipo de conflito, e olhe que eu podia ser mãe da maioria deles. Quando danço também não.
Não sou uma pessoa do tipo jovial, daquelas que todo mundo diz: nem parece a idade que tem! Eu pareço a idade que tenho ( e que não vem ao caso..) e sou relativamente séria. Mas costumo me dar bem com adolescentes. Até já dei aula pra eles, numa boa. A gente se divertia, embora eles não entrassem no meu mundo nem eu no deles, mas a gente tinha o maior diálogo. Não como “iguais”, mas como uma mulher mais velha e a rapaziada teen da época.
Os adolescentes precisam testar limites. E a gente precisa ir soltando a corda. Minha filha usava a seguinte imagem: dizia que eu ( e o pai) éramos como sapato apertado, que a medida que o tempo vai passando, vai laceando e ficando confortável. Acho que é essa a idéia.
Por isso entendo esse rapaz vir me perguntar uma coisa dessas. Deve ter me achado mais razoável que os pais.
Mas devo te alertar, meu amigo de 16 anos: provavelmente sou igual aos teus pais. E você deve ser parecido com meus filhos.
A grama do vizinho só parece mais verde por uma ilusão de ótica. Quando a gente vai lá perto ver, o verde é igualzinho...

Comments
Certa vez descobri um vizinho com grama artificial.
Só depois de havermos os próprios filhos descobrimos que o tal conflito era falso. As diferenças existem, mas são causadas pela quantidade de experiência de cada um. Normalmente, as certezas da juventude são apenas dúvidas banais da maturidade.
Posted by: Allan | maio 9, 2006 8:54 PM
Um pouco de fantasia é sempre bom, mas os nosso pais são os que se importam conosco!!!
Posted by: Thiago Quintella | maio 10, 2006 1:19 PM
De tudo que vi na vida, uma das maiores verdades é, mesmo, que a grama do vizinho é sempre mais verde.
Posted by: Ricardo M | maio 10, 2006 1:34 PM
maray, querés ser mi mamá?
esa es la pregunta de todos.
no?
ja! te mando besos hermosa!
Posted by: aydesa | maio 10, 2006 11:14 PM
No meu caso não era fantasia não. Meus pais, embora eu deva a eles boa parte do que sou, tanto ética quanto culturalmente, sem dúvida eram dos mais atrasados e repressores que já vi. Minha amigas se espantavam e se lembram até hoje do regme que reinava em minha casa. E o conflito continuou, mais sério ainda, depois dos filhos casados e independentes, pois jamais se conformaram com o fato de não mais poderem impor sua vontade.
Posted by: Sonia | maio 11, 2006 12:45 AM
Maray,
Sei que não vem ao caso e que não é esse o intuito do post mas... o que foi que ele te perguntou?
Beijos,
JU...
Posted by: Ju Geve | maio 12, 2006 7:15 PM
Ju: nada de muito escabroso (já tava pensando bobagem, né?). Só queria saber porque os pais não o deixam furar a orelha. Acho que queria que eu desse argumentos, mais do que razões. Logo eu, que nem furo tenho! ( na orelha)
Posted by: maray | maio 12, 2006 10:37 PM