« o que o cu tem a ver com as calças? | Main | maturidade, afinal! »

a grama do vizinho

Recebo um comentário de um garoto de 16 anos. Me faz uma pergunta que podia perfeitamente ter feito aos pais. Mas provavelmente não fez.

Lembro que eu também costumava fazer isso, na minha adolescência. Os “meus” pais eram a vanguarda do atraso e do moralismo, mas os pais das minhas amigas eu achava o máximo, a maioria deles.

Por isso não acredito muito em conflito de gerações. Acho que o conflito é de uma geração específica, aquela que habita a mesma casa que nós.

Quando eu toco com a garotada não sinto nenhum tipo de conflito, e olhe que eu podia ser mãe da maioria deles. Quando danço também não.

Não sou uma pessoa do tipo jovial, daquelas que todo mundo diz: nem parece a idade que tem! Eu pareço a idade que tenho ( e que não vem ao caso..) e sou relativamente séria. Mas costumo me dar bem com adolescentes. Até já dei aula pra eles, numa boa. A gente se divertia, embora eles não entrassem no meu mundo nem eu no deles, mas a gente tinha o maior diálogo. Não como “iguais”, mas como uma mulher mais velha e a rapaziada teen da época.

Os adolescentes precisam testar limites. E a gente precisa ir soltando a corda. Minha filha usava a seguinte imagem: dizia que eu ( e o pai) éramos como sapato apertado, que a medida que o tempo vai passando, vai laceando e ficando confortável. Acho que é essa a idéia.

Por isso entendo esse rapaz vir me perguntar uma coisa dessas. Deve ter me achado mais razoável que os pais.

Mas devo te alertar, meu amigo de 16 anos: provavelmente sou igual aos teus pais. E você deve ser parecido com meus filhos.

A grama do vizinho só parece mais verde por uma ilusão de ótica. Quando a gente vai lá perto ver, o verde é igualzinho...

zoranstefanovie.jpg

TrackBack

TrackBack URL for this entry:
http://www.gardenal.org/sistema/mt-tb.cgi/1211

Comments

Certa vez descobri um vizinho com grama artificial.

Só depois de havermos os próprios filhos descobrimos que o tal conflito era falso. As diferenças existem, mas são causadas pela quantidade de experiência de cada um. Normalmente, as certezas da juventude são apenas dúvidas banais da maturidade.

Um pouco de fantasia é sempre bom, mas os nosso pais são os que se importam conosco!!!

De tudo que vi na vida, uma das maiores verdades é, mesmo, que a grama do vizinho é sempre mais verde.

maray, querés ser mi mamá?
esa es la pregunta de todos.
no?
ja! te mando besos hermosa!

No meu caso não era fantasia não. Meus pais, embora eu deva a eles boa parte do que sou, tanto ética quanto culturalmente, sem dúvida eram dos mais atrasados e repressores que já vi. Minha amigas se espantavam e se lembram até hoje do regme que reinava em minha casa. E o conflito continuou, mais sério ainda, depois dos filhos casados e independentes, pois jamais se conformaram com o fato de não mais poderem impor sua vontade.

Maray,
Sei que não vem ao caso e que não é esse o intuito do post mas... o que foi que ele te perguntou?
Beijos,
JU...

Ju: nada de muito escabroso (já tava pensando bobagem, né?). Só queria saber porque os pais não o deixam furar a orelha. Acho que queria que eu desse argumentos, mais do que razões. Logo eu, que nem furo tenho! ( na orelha)

Post a comment

(If you haven't left a comment here before, you may need to be approved by the site owner before your comment will appear. Until then, it won't appear on the entry. Thanks for waiting.)