saco preto
Tem esse lance de bolsa de mulher. De bolsa esporte, de bolsa social. De bolsa de couro e bolsa de festa, de pedrarias. Eu sei que tem.
Faz uns dois anos, ou três, meu filho ganhou um saco de nylon, tipo mochila, de uma marca de bebida. No emprego dele, de vez em quando ele ganha essas coisas promocionais.
Ele não sabia o que fazer com aquilo. Mãe, dá pra alguém. Joga no lixo, sei lá.
Um saco preto, com um bolsinho na frente, de redinha transparente preta, com zíper.
Não dei pra ninguém. Ficou pra mim. É minha bolsa de quase tudo há dois, três anos.
Não combina com roupa nenhuma. É saco desses de academia. Eu nunca frequentei academia e só não digo que nunca frequentarei porque não gosto de ficar dizendo nunca. Mas é útil pra caramba. Dá pra lavar. Cabe em qualquer lugar. Cabe quase tudo dentro dele. Minhas baquetas, minha enorme necessáire, com pasta de dente, escova, fio dental, linha de costura,agulha, botão, colchete, alfinete, baton, lápis de olho, pente, aspirina, bandaid, lenço de papel, fósforo e escova de cabelo.
Minha carteira e minha agenda de endereços.
Meu guarda-chuva.
Meu moedeiro.
Duas ou três canetas Bic.
Um livro ou uma revista.
Alguma blusinha se o tempo estiver com cara de frio.
Meus sapatos de tango se for quinta, sábado ou domingo.
Tudo lá dentro.
Sei que não combina. Sei que é feio. Mas boto atrás das costas e fico com as mãos livres pra me segurar nos ônibus, pra ler, pra crochetar, pra fazer bilu-bilu em cachorro de rua, pra ensaiar tamborilando com os dedos os malditos exercícios pra fazer da minha mão direita uma mão decente, na percussão.
Tem bolsa de couro, tem bolsa de moda, tem bolsa de pano e com paetês.
Mas nenhuma é assim um esteio, um pit stop, uma loja de conveniência, como esse meu saco preto.
Que só largo mesmo em dia de baile.
Daí uso outro saquinho, que eu mesma fiz, de veludo e crochê, em que só cabe o RG e minha garrafinha portátil, se o baile for daqueles de preços abusivos na bebida.
Não tinha o homem do saco, aquele cara que minha avó vivia dizendo que viria me buscar se eu não me comportasse bem? Pois é, eu adiantei o serviço. O saco já tenho...

O saco é mais ou menos isso.
Comments
qual é a receita???? eu tenho umas vinte malas, todas lindas e ando sempre a fugir das montas para não aumentar o stock. pior que isso só sapatos :)
p.s. a minha avó contava sobre o velho da saca, que também me vinha buscar. acho que é o mesmo..
Posted by: t&v | abril 11, 2006 3:30 PM
t&v: acho que a receita é ser preguiçosa como eu. Só de pensar em mudar aquela coisarada toda de bolsa, eu desisto e uso sempre o mesmo saco :)
Já com sapatos, eu só não sou uma Imelda Marcos porque a falta de dinheiro não permite...
Posted by: maray | abril 11, 2006 5:27 PM
POis eu, de bolsa, mudo todo dia. Tenho mania de combinar. De manhã, depois de escolhera roupa, esvazio a bolsa do dia anterior em cima da cama e troco tudo pra bolsa "da vez". São sempre bolsões enormes porque, tirando os sapatos de tango, levo quase tudo o que você leva, mais o palm top, óculos escuros, celular e TRÊS carteiras (porque se o ladrão levar uma, eu fico com outras duas!)
O que não mudo nunca, mesmo que não combine, é de brincos. Mooorro de preguiça.
Beijos,
Posted by: Ju Geve | abril 11, 2006 6:13 PM
Adorei. Eu digo sempre que mulher nãodevia mudar de bolsa - só quanado trocasse a muito velha por uma nova. Eu tenho uma bem grande, que chamo meu kit de sobrevivência, onde moram mil coisas de que posso precisar. Sempre que a ocasião exige trocar de bolsa acabo esquecendo alguma coisa importante.
Posted by: Sonia | abril 12, 2006 1:19 PM
Olá Maray!!
Estou contigo. Bolsa, antes de tudo tem que ser funcional.
Ah e sobre levar uma revista ou um livro, não tem coisa melhor pra fila de espera, de banco... quando é assim eu nem me importo de ficar esperando, procuro sempre levar um livrinho a mão...
Fiquei impressionada com o teu necesserie! No meu do dia dia só tem um pente, escova e pasta de dente, uma tirinha pra prender o cabelo, uma "piranha" de cabelo e um estojinho pra lentes de contado. Levo tudo em um estojo minusculo. rs Chamo de kit de sobrevivencia.
Depois de ver o teu me descobri uma grande amadora...
Bjo
Posted by: _Maga | abril 12, 2006 6:04 PM
O tchã, Maray, é que eu conheço sim a academia que você frequentou há tempos, onde aprendeu a escrever tão bem. Até sobre saco preto. Beijo.
Posted by: Ordisi Raluz | abril 12, 2006 7:03 PM
Ju: tenho que perguntar: e se aparecerem três ladrões? Vai ter senha, será primeiro os mais velhos ou vai se formar uma fila, heim, heim??
Sonia: a gente demora mas aprende, né mesmo?
Maga: sabe quando acontece alguma coisa e todo mundo fala: a bolsa da Maray tem...? Pois é, eu me tornei referência! Isso porque esqueci de comentar que ainda tenho um canivete, nesses tempos bicudos...
Ordisi: saudade da dona Gilda, heim? Ou será da D. Ivete?
Posted by: maray | abril 12, 2006 7:23 PM
As mãos livres para fazer bilu-bilu nos cachorros!! Muito boa essa! Eu apenas assobio para um desavisado cão que esteja dormindo! HEHHEHE Mas fica a pergunta... por que vcs trocam as bolsas que tem a mesma função?
Posted by: Thiago Quintella | abril 13, 2006 1:20 AM
Dna. Ivete, a inolvidável.
:)
Posted by: Ordisi Raluz | abril 13, 2006 1:55 PM
entendo perfeitamente! qdo me apaixono utilitariamente por alguma coisa assim, sai de baixo. Passei uns dois anos usando uma bolsa laranja fosforecente, pq era tamanho ideal, alça tipo carteiro, que é quase como uma mochila no quesito hands-off!
Posted by: andrea | abril 18, 2006 2:05 AM