primeira comunhão
De todos os sacramentos que a igreja católica preconiza ( será essa a palavra?) a primeira comunhão foi o único que eu verdadeiramente quis. Não sabia na época nem sei hoje muito bem o que ela quer dizer. O que eu quis, na realidade, foi o cerimonial.
Foi assim: tínhamos todos nós oito anos de idade, meninos e meninas. O grupo escolar que eu fazia, público, ficava ao lado de uma igreja católica, embora fosse uma circunstância geográfica que não quisesse dizer nada. Mas havia umas professoras que frequentavam a igreja essa e vieram até a classe perguntar quem queria fazer a primeira comunhão. Eu, que não sabia nada de religião, perguntei na volta da escola pra minha mãe se eu devia ou não fazer. Disse ela que já não era sem tempo.
Em casa religião era assim: éramos católicos, mas ninguém ia na missa nunca, a não ser missa de sétimo dia ou casamento com missa. Minha avó costumava ler a bíblia (antigo testamento) e me deixava ler. De noite, como dormíamos no mesmo quarto, rezávamos as duas antes de dormir. Detalhe: em italiano. Ou seja, eu não entendia nada. Mas rezei, enquanto ela foi viva.
Lembro que antes da comunhão, tive mais ou menos uns seis meses de aula de catecismo. Só lembro mesmo do caderno, no qual eu colava santinhos e desenhava flores. Quando quis cortar umas figurinhas da bíblia da minha avó, foi com espanto que vi o mundo cair. Ué, não era por uma boa causa?
Depois tivemos que aprender a confessar. O padre tinha um enorme mau-humor e uma enorme úlcera, fatos esses que deviam estar interligados. Sei porque ele era parente distante da minha família. Ele nos ouvia impaciente, mandava rezar uns 10 pai nossos e chamava o próximo, aos berros. Parecia funcionário de serviço de atendimento ao consumidor.
Pouco antes da data, o motivo pelo qual eu tanto quis fazer a comunhão: a compra do vestido, dos sapatos, das luvas, do terço, do missal, do casquete, das meias de nylon brancas..enfim, tudo a que eu tinha direito. A gente era pobre mas comunhão é comunhão. Minha tia fez o vestido, “igual de noiva”, escolhi o casquete e as luvas e ganhei o missal e o terço. Um luxo!
Aí foi só alegria. Quer dizer, morri de medo de fazer alguma coisa errada na hora, tipo levantar quando todo mundo sentava ou vice-versa, e, é claro, da hóstia grudar no céu da boca e eu não poder botar o dedo lá pra tirar, como fazia nos treinamentos. Fora isso, deu tudo certo. Foi minha primeira comunhão.
E última.

Comments
Aquí la gente hace la "Primera Comunión" (y cada vez menos) exclusivamente por los regalos y la comida :-D
En el fondo es una actitud reflejo de la propia Iglesia.
Muy buena la foto y el texto, Maray.
Posted by: Mifune | abril 26, 2006 9:45 AM
Por los regalos aqui algunos
se casan.. :D
Posted by: maray | abril 26, 2006 6:59 PM
Incrível como eu A DO RO seus posts.
grnde história e linda foto, Maray.
Beijo,
JU...
Posted by: Ju Geve | abril 26, 2006 7:28 PM
Y porqué no le habrán puesto a la hostia una cobertura que la hiciera fácil de tragar, como los peores medicamentos?
Posted by: aydesa | abril 26, 2006 7:53 PM
Aydesa: agora vc me fez lembrar que de garota quase peguei uma overdose de AAS infantil, porque vinha coberto com uma coisa cor de rosa açucarada...hoje já não usam mais essas coberturas em remédios, exatamente pra evitar isso...Quem sabe, uma hóstia coberta com chocolate não seria capaz de avivar certas vocações religiosas?? :))
Ju: eu era bonitinha, né? Pena que cresci...
Posted by: maray | abril 26, 2006 8:18 PM
Maray, hermoso relato. Me hiciste acordar de algo: en mi primera confesión, inventé algunas cosas. ¡Me parecía que mis pecados eran demasiado aburridos! Un beso.
Posted by: Vero | abril 27, 2006 1:38 AM
Mara
Eu adorava brincar de noiva com essa sua roupa ! A vó cantava enquanto eu desfilava de noiva segurando um buquê de flores de plástico que a tia Marieta fazia. Lembra das flores?
Bjs
Posted by: Myriam | abril 27, 2006 12:53 PM
Vero: los mios no parecian tan aburridos. Creía que iba al infierno por pelear con mis hermanos...
Myriam: sabe que não lembro dessas da tia Marieta? Mas havia umas outras, que a mãe tinha, de plástico, que de vez em quando eu punha perfume pra parecer "de verdade"... :)
Posted by: maray | abril 27, 2006 2:19 PM
no! yo también casi me tomé como a los dos años, una pastilla roja que parecía suculenta. afortunadamente la cobertura se deshizo en un amargo sabor, provocando que la escupiera rapidamente.
mamá no se la creyó y envuelta en una frazadita me depositó de urgencia con el pediatra.
confesiones y herejías:
1) pasar dos veces a comulgar por el solo hecho de robar otra ostia.
2) contarnos los pecados de infancia con una amiga del alma y ponernos algún rezo de castigo sólo para evitar al cura.
Posted by: aydesa | abril 27, 2006 4:43 PM
Y si, estabas preciosa en la fotito. La belleza nunca se pierde, se arruga un poquito, pero debe ser por el uso.
Posted by: aydesa | abril 27, 2006 4:44 PM
Deve ser parte da biologia feminina, essa coisa de cerimônia. Eu, que sequer fui batizado, me impressiono com a empolgação das minhas meninas com qualquer evento religioso que envolva a preparação ritual do acontecimento. Mas pela foto até que valeu à pena.
Posted by: Allan | abril 28, 2006 1:27 AM
na minha o padre me perguntou de cara se eu era virgem... affffff
beijocas
Posted by: sacanitas | abril 28, 2006 12:34 PM
achei muito legal a história, pois não faz muito tempo que fiz a minha primeira comunhão... não tive interesse material como você eu quiz fazer pois acho uma coisa muito linda e emocionante poder comer o corpo de cristo, mas enfim o seu vestido era lindo!!!
Posted by: daline geice | agosto 20, 2006 4:39 PM
Muito triste saber que até hoje vc não saiba que coisa fantástica vivenciou naquele dia...e outra coisa, não existe católico sem a prática.
Concordo com você. Por isso mesmo não sou nem nunca fui católica. Mas minha mãe não pensava assim e aos 6 anos a gente não tem muito discernimento. Maray
Posted by: Fernanda | maio 29, 2007 1:37 PM