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o pão nosso de cada dia

Não sei se todo mundo sabe o que é corneta. Ou matraca. Ou lembra da buzina das bicicletas de antigamente. Mas tudo tinha um som característico. O apito do amolador de faca. A matraca do vendedor de biju. A corneta do padeiro.

Quando eu era muito pequena, pão e leite eram coisas que pra mim nasciam diretamente no patamar da janela do meu quarto. Sim, porque era lá que todo dia, quando eu acordava, encontrava o litro de leite ( detesto dizer, porque denuncia detalhes etários indesejáveis) de vidro e a bengala. Não, não bengala acessório de velhinhos e pernetas, a bengala-pão. Um pãozão ( meu deus, dois til na mesma palavra?) grande, que dava pra família toda.

Depois o patamar da minha janela deixou de dar pão e leite, sei lá porque, e a gente passou a ir na padaria. Eu, no caso. Porque comprar pão e leite na padaria era coisa de menino de recados. Como em casa não tinha mais meninos, meus irmãos uma década mais velhos do que eu, o menino era menina. Eu.

Passado mais tempo ainda, padaria virou coisa pra quem tem tempo. O pão aqui de casa começou a ser comprado no supermercado. De preferência de forma, integral, pra durar mais tempo. E comprado no horário que dava pra comprar. O supermercado 24h aqui perto resolvia esse detalhe.

Eis que um dia eu ouço uma corneta. Vinda da rua e diretamente da minha infância. Vinda de tempos imemoriais, como diria o Garcia Marquez, se quisesse dizer alguma coisa por aqui.

Fui olhar e estava lá o Indio, com sua bicicleta e seu cesto de pães. Não exatamente um índio legítimo, mas assim chamado por causa da pele morena e cabelos longos e lisos. Vendendo seu pão, quentinho.

Uau! Pão delivery! Eita coisa mais moderna, né mesmo?

Hoje posso acertar o relógio pelo Indio passando na rua com sua corneta, de manhã e à tarde. E fico chateada quando não estou em casa nesse horário.

Há que se ter respeito com determinadas tradições.

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Comments

Bingo. Beleza de recordações. E das marés das coisas.

Uma corneta é bem sinal da infância. A minha não está tão longe e creio que nunca sairá de mim, nem de menhum ser humano. MAs a corneta tocou e era vendedor de sorvetes. Lembro-me como era temeroso gastar cruzeiros com eles, mas via que valia a diversão!
Abraços e adorei este espaço!!

Eu lembro das bengalas. Pão quente é tudo...

Lembro da matraca do biju. Lembro do gosto do leite quente que insistiam em me dar, apesar de gostar de leite gelado, como gosto das boas coisas que um dia voltam.

A veces, el pasado vuelve.
La semana pasada yo recibí una carta. De papel. Con su sello y su dirección. Y no era del banco ni intentaba venderme nada... era de un amigo.
Me gusta mucho cuando en esta carrera hacia adelante, de vez en cuando vemos algún detalle del pasado, como en aquellos dibujos animados antiguos en que cuando un personaje corría hacia un lado se repetía el mismo fondo cada cierto tiempo.

(perdón por escribir siempre en español, puedo entender tu lengua pero no hablarla)

Muito legal esse texto, gosto destes em que tem recordações da infância e tal. Muito bom, deu até vontade de comer um pão. rsrs
=)

Com algumas pequenas diferenças resultantes dos costumes locais dos nossos dois países, também eu passei por essas vivências que entretanto se perderam. Mas é sempre bom recordar!

Como sempre morei em apartamento, meu pão nunca foi entregue em casa, mas lembro da matraca do vendedor de algodão doce, todo sábado à tarde. Lembro também do vendedor de sorvete, de corneta e das bengalas da padaria.
E lembro, cada vez que venho aqui, que adoro suas lembranças.
beijo,

Que inveja! Pão quentino em casa.

Para ser melhor só se fosse uma broa quentinha...

http://angels-space.spaces.live.com/

Isso me lembra nas férias em Maricá quando passava um homem com sua bicicleta vendendo pão... nós acordávamos ao som daquela busina cornetinha nas manhãs de domingo!
:D

Ah, como eram boas quelas manhãs...
Beijos a todos.

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