o pé de coelho do meu pai
A primeira vez que vi aquilo achei uma gracinha. Criança tem mania de achar gracinha qualquer coisa peluda e branca. Se além de tudo for macia, então está feita a festa.
Era macia. Macio. Porque aquilo fofo era nada mais, nada menos que um pé de coelho.
Mas pai, pra que um pé de coelho no bolso? Que horror!!
Dada a explicação ( era pra dar sorte) a coisa ficou ainda mais sem graça. Sorte pra quem, pai? O coitado do coelho foi morto só pra alguém pegar o pé dele e botar na carteira? Se ainda fosse pra comer, vá lá. Tem a miséria, a fome do terceiro mundo, o fato de coelho se reproduzir que nem..bom, coelho! Aí então eu até entendia, mas o pé? Quer dizer, a pata? E pode ser qualquer uma? Então um coelho rende 4 seres humanos sortudos? E por que raios a tua sorte anda tão ruim? Precisava de mais pés de coelho? Ou é o bicho errado?
Bom, por via das dúvidas, meu pai ainda tinha uma imagem da virgem maria e um livrinho amarelado e velho de São Cipriano. E umas fitinhas esquisitas, que eu nunca soube se eram patuá ou malandragem de velho gaiteiro, que meu pai era muito do galinha, louvado seja.
Mas pé de coelho, pai? Que coisa mais sem graça!!
Coitado do meu pai! Nunca teve sorte na vida.
Que nem o coelho.









