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conversando a gente se entende

Dos 15 ou 20 leitores mais ou menos assíduos que tenho aqui, a metade fala castelhano. Ou espanhol. Ou variações em torno do mesmo tema. E os tenho porque fui visitá-los, gostei deles e quero crer, eles também gostaram de mim. E a gente se entendeu em ....portunhol!

Sim, eu falo portunhol. E escrevo portunhol. E faço amigos em portunhol.

Muita gente acha deprimente falar ou escrever uma outra língua com erros e/ou sotaques. Inglês, por exemplo. Brasileiros costumam tirar sarro do jeito japonês de falar inglês. Como se alguém tivesse obrigação, a não ser os nascidos em países de língua inglesa, de falar com perfeição o idioma de Shakespeare.

Não estou defendendo que o estudo de línguas não seja bom. Muito pelo contrário. Mas não acho que por não falar primorosamente uma língua a gente deva enfiar a viola no saco e ficar de bico calado.

No afã de me comunicar, desde pequena eu faço uso de tudo. De mímica, de sinônimos, de caras e bocas, e às vezes, de muitas palavras em outro idioma, ditas com uma sonoridade questionável, mas inteligíveis.

Corre uma estorinha familiar em que eu, ainda muito pequena, querendo lembrar do sabonete Lever ( sim, existiu um Lever antes do Lux) pedi ao tiozinho da venda um sabonete “macio”. Lever, leve, macio, soft, não é tudo muito parecido?
O fato é que fui atendida.

E querendo me pronunciar em castelhano ( de Montevidéo) sobre “caipiras” agitei as asas, digo, os braços, e disse todos os nomes de pássaros que conhecia. Até chegar no “canário”...Mas fui entendida também.

Não chego a dizer o “duela a quien duela” de péssima lembrança, mas também não digo nunca “desta água não beberei”. Meus amigos de língua espanhola também escrevem um pouco em portunhol, pra serem simpáticos comigo. E assim caminha a humanidade. Porque o importante é se comunicar. O resto é gramática e sintaxe. O resto é o resto.

Capicci, amicci miei? Un poco de portuñol, un poco de english, un french de arrepiar, mas muito, muito mesmo de vontade de conhecer, ouvir e falar com outros parecidos ou não. E unha aperta, como diz meu amigo de Dorvisou! Que está falando de abraço amigo e não de unha encravada...
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Conversando a gente se entende...

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Comments

Ai, ai... queria ter essa boa vontade pra iniciar a conversa de qualquer jeito com o pouco que conhece, mas estabelecendo comunicação... com o inglês, por exemplo, só consigo conversar nas aulas de inglês, não tenho coragem de meter a cara por aí a falar com chances de errar. Contudo, com o portunhol também convivo, viver em Florianópolis, no verão, exige um pouco de portunhol...

ah! Coisas de globalização... daqui a pouco a gente estará estabelecendo comunicação com um chines usando um pouco de frances, italiano, inglês e português, mas sempre chegando a algum lugar...

Aposto que ceis tudo intende mineirês. Agora sem brincadeiras, concordo que é melhor ser capaz de se comunicar, mesmo que com falhas. E o conhecimento de uma língua estrangeira nem sempre significa cultura - importante é o que se diz nessa língua. É possível destilar burrice em inglês, espanhol e francês.

E uma parente minha que - gastando o "portenhol" dela em Buenos Aires - entrou numa loja de lãs e pediu uma meada vermelha, uma meada azul e assim por diante... :)

Gessy Lever.
Os italianos enfrentam essas situações sem problemas, mas a mímica deles é muito rica. E divertida..

Maray,
Siempre, muito e com certeza!
Beijos,
JU...

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