coisinhas sem importância
Tem muita gente por aí deprimida. Eu mesma já estive deprimida muitas vezes. Me sentindo descartável, insignificante. Mas passa. Pelo menos as minhas passam. Até mesmo minhas depressões são insignificantes.
Agora tem certos objetos que são realmente insignificantes. São aqueles objetos que a gente perde e demora pra perceber. Que perde e nem liga muito. Que compra já sabendo que vai perder.
Como não seria o ego de um guarda-chuva, se ele tivesse um? Ninguém liga muito pro estilo, pra cor. Na hora do corre-corre qualquer um serve. Em qualquer estado.
Utilíssimos, passada a necessidade são largados em qualquer canto.
Volta e meia, andando por aí, encontro em terrenos baldios, jogados, destroçados e desventrados, guarda-chuvas de todos os tipos e tamanhos.
Canetas Bic também. Essas não só não têm a menor importância, como não são de ninguém. Eu já tive milhares de canetas Bic. Mas comprei mesmo muitas poucas. O que significa que achei ou roubei a maioria delas. Nem mesmo o ato de roubar uma Bic tem qualquer importância. Não precisa ser premeditado, não causa problemas de consciência, não precisa ser confessado ao padre e não tem artigo no código penal que valha a pena enquadrá-lo. Uma Bic é o nada plastificado.
E no entanto, a falta de uma Bic no momento certo, ou de um guarda-chuva pode ter consequências trágicas.
Outro dia esqueci um guarda-chuva desses pretos na casa de um amigo. Esqueci até mesmo que tinha esquecido o guarda-chuva lá. Passado um tempão o amigo me aparece com aquele guarda-chuva preto, de 5 “real” no camelô e me devolve, quase comovido. Diz ele que aquele guarda-chuva, posto no carro pra me ser devolvido, salvou o vestido de noiva da filha dele, ao entrar na igreja debaixo de um toró. Vejam só!
E o pior é que ele me devolveu e eu não faço a menor idéia de onde eu botei.
E o tempo está ficando cada vez pior...será que vem chuva??










