parada piraquara
Meu contato com os bondes de São Paulo foi pequeno e curto. Usei, sempre aos domingos e muito poucas vezes durante a semana, a ligação Parada Piraquara- Largo do Socorro ( aos domingos, pra ir ao club Indiano) e a Piraquara- Largo 13, pra voltar do Alberto Conte.
Em qualquer uma das situações eu tinha que andar até a parada Piraquara (atualmente cruzamento da vereador José Diniz com Vieira de Moraes), o que equivalia a uns dois quilômetros, pelo menos.
Eram muito bonitos, os bondes. De bancos de madeira envernizada, cheios de propaganda na lateral do teto, propagandas antigas e amareladas. De xarope São João, dos AA. Nessa, uma mulher chorava dentro de uma taça de bebida. Sensacional!
Ao lado dos trilhos do bonde, muito verde. Que o diga quem morou, nessa época, com casas dando fundos pra vereador José Diniz. Uma tranquilidade. Só o barulho dos bondes. Que era pouco, perto do que se ouve hoje, vindo da avenida.
Havia a figura do motorneiro, de quépe azul marinho e dourado. E dos cobradores, que passavam picotando as passagens. E o bonde esperava a gente descer. Um luxo e um exemplo de educação.
Sinto saudade às vezes. E acho que foi uma besteira terem tirado todos. Paises de primeiro mundo, tanto na América quanto na Europa, mantiveram os seus, lado a lado com outros meios de transporte.
Porque eu moro num país em que tudo que é velho é ruim e ultrapassado. Arquitetura, praças, monumentos. O velho tem que cair pra dar lugar ao novo.
Mesmo em meus tempos de militância apaixonada, em que apregoávamos a construção do socialismo em cima dos escombros do capitalismo, mesmo aí os valores históricos serviam de marco e referência.
Não aqui, neste nosso Brasil.
Menos, é claro, os métodos de corrupção e conchavos políticos. Esses são sempre os mesmos. Desse ponto de vista, eita paisinho conservador esse!
Ou sem imaginação.

O último rodou em 1968. Que ano!!
Comments
tudo o que fica velho não presta, inclusive os profissionais experientes, as pessoas que aprenderam o que nós ainda vamos descobrir e a história. e por isso liberam o escroto, com o perdao da má palavra, que diz que matou 111 caras o carandiru pq estava cumprindo o dever dele... eu hoje estou com ódio mortal e vergonha deste país.
Posted by: andrea | fevereiro 15, 2006 9:39 PM
Eu também ,Andréa, eu também.
Posted by: maray | fevereiro 15, 2006 11:11 PM
101 - Santo Amaro
102 - Indianópolis
103 - Brooklin
Vi com os meus próprios olhos a última passagem do bonde. Um erro colossal apagarem a linha "exclusiva": já era um pré-metrô, pronto e barato!
Fora essa saudade, a família super bem, os vazamentos consertados e o rim sobrante numa boa. Vida normal. E você, batucando mucho? Beijão.
Posted by: Ordisi Raluz | fevereiro 15, 2006 11:45 PM
Aqui no Rio restam pelo menos os bondinhos de Santa Teresa.
E assino embaixo o protesto da Andréia. Mas não estão soltos também os rapazes que queimaram o índio? Não devíamos mais nos espantar.
Posted by: Sonia | fevereiro 16, 2006 12:05 AM
no dia em que eu parar de me espantar, podem mandar desligar os aparelhos...rs
Posted by: andrea | fevereiro 17, 2006 3:10 AM
Na Barcelona resta o bondinho azul que faz um recorrido turistico. E é tam lindo.
Fica perto da mia casa. eu gosto de isso.
Posted by: Saravá | fevereiro 18, 2006 3:21 PM
Quando cheguei em São Paulo os bondes já tinham ido embora, mas andei muito de trólebus (que não é a mesma coisa). Bonde mesmo, só no Rio e em Petrópolis.
Por aqui existe o tram, que é um bonde moderno, mas não tem o mesmo charme.
Posted by: Allan | fevereiro 19, 2006 2:10 PM
ei! eu andei, eu andei!
™ s™dades.
Posted by: a. | fevereiro 25, 2006 12:01 PM