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fantasia de carnaval

Eu quis muito ter uma fantasia. Queria tanto mas não tinha nem coragem de pedir. Tudo em casa era tão regulado, a mãe sempre dizendo que o dinheiro só dava pra comida, que desde muito cedo aprendi a não pedir quase nada. A coisa ficava só na vontade mesmo. Mas eu quis muito ter tido uma fantasia de bailarina. Com aquele fichu na cabeça e saia de tule bem armada. Com sapatilha e tudo. Eu pegava uma fita e amarrava no sapato pra fingir que era. E ficava na ponta do pé, que bailarina que se preza tá sempre na ponta.

Em todo caso, nunca tive uma fantasia.

Aí, com o tempo, mudei de vida, virei adulta, e a “vontade secreta” acabou sendo sublimada, sei lá. Fui virando um monte de outras coisas na vida, fui jogando energia pra todo lado, na política, no empenho de tentar abarcar o mundo com as mãos e melhorá-lo, qual filho doente quando pequeno. Fui metendo os pés pelas mãos inúmeras vezes, com tudo que podia: tornozelos, calcanhares de aquiles, dedões e metatarsos. E joanetes e calos.

Só muito tempo depois é que vi que queria mesmo dançar. Que é o que faço hoje. Não de sapatilha, mas de sapato de pulseira, que é pra ele não sair do pé num oito floreado do tango, num contratempo do mambo. E sou feliz.

Mas era bom ter tido uma fantasia! E pular o carnaval numa rua semi-deserta, com um saquinho de confete e uns rolos de serpentina nos braços, qual pulseiras de papel. E muito ao longe uma marchinha. Isso não é carnaval, que eu sei. É sonho. Como a sapatilha de ponta. E é lindo como ela, porque não tem nem as dores nem os calos juntos. Só o rosa pálido do cetim.

Mas já tive um carnaval de realidade. Já pulei. Já saí na avenida. Já defendi as cores de uma escola, mesclando samba e maracatu.
Foi rebaixada.

Melhor sonhar. Ninguém rebaixa meu sonho. Sou sempre nota dez no quesito fantasia.

Ballerine-ethelgabain.jpg

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Comments

Fantasias e sonhos se misturam. Os sonhos ficam dentro da gente, a fantasia, esquecida num baú qualquer. Mas quando a fantasia é o sonho, o baú somos nós.

Fantasia é aquilo que se imagina. Só. Quando, e se, realiza, perde o status de fantasia. Por isso que é tão gostoso ter fantasia: é um desejo que não passa, uma eterna possibilidade de realização...

O tempo e a vida suprimiram o sonho? Por que não realizá-lo agora? Por que não sair, se não às ruas, mas a um salão de carnaval?

As vezes tantas coisas nos prendem na vida real que é impossível voar a altura de poder realizar os sonhos, mas ainda assim há uma possibilidade, continuar sonhando, ou comprar a fantasia nem que seja pra usar em casa com a familia no sábado de carnaval.

fala serio eco
:

tava procurando sobre fantasias no google do nada achei essa pagina.

^^

bem legal

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