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dias difíceis

Existe um teste psicológico feito com quadradinhos de papel colorido. Você forma um mosaico, uma espécie de pirâmide com as cores das quais mais gosta e depois forma outro com as cores que menos gosta. E daí a gente interpreta. (interpretava, que eu não interpreto nada há muito tempo).
É legal o Pfister. O teste esse. Eu gostava. Mas notei que quando eu fazia a pirâmide colorida, eu tinha que ser muito rápida. Sem pensar. E que, depois de alguns poucos minutos, quando terminasse o espaço pra por os quadradinhos coloridos, eu simplesmente não conseguia mais mexer na arrumação. Não conseguia trocar de lugar, retocar, entendem?

Como se eu fizesse cocô. Depois de feito, não dá pra voltar atrás. Não tem volta.
Tá, a imagem é horrível, mas também não tem volta.

Minha vida nestes dias foi um Pfister de cores. Cores que nem sei de onde vieram nem onde estavam.
E de repente, a vida se rearranjou ( ou eu rearranjei) de uma forma tal que não tem volta. E eu não quero nem pretendo retocar. Parece que tudo mudou. Um novo arranjo colorido. Tenho certeza que os sentimentos serão diferentes, o ar que eu respiro, meu jeito de andar e olhar.
E foi uma etapa natural.

E eu estou mais leve. Uma sensação de alívio, de descanso.
Não foram cores sombrias as postas no mosaico. Nem alegres.
Mas foram cores novas. Nuances novas.
E acho que pela primeira vez na minha vida, este novo não me assustou.

Meu pai faria ontem, se vivo fora, 96 anos. Minha mãe faria em agosto 90. Não fará mais desde alguns dias.
De repente eu estou, efetivamente, órfã.

Aquelas raizes mais antigas, aquelas que fazem a gente se sentir eternas crianças, aquelas não existem mais.

Pensei sempre que o que determinasse o amadurecimento, a passagem de uma fase da vida à outra, fôssem o fim da adolescência, o nascimento dos filhos, essas coisas.
Hoje sei que a morte dos pais nos traz à idade adulta.
Para meus pais eu sempre fui a caçula. O que me dava um eterno (enquanto durou) ar de menina.
Hoje não tenho mais pai nem mãe.
E deixei de ser menina.

E ter tratado, pela primeira vez, dessas questões da morte, me fez sentir mais viva.
Eu, que nunca fui a enterros, que não podia ver nem mesmo bichos mortos pelas estradas, eu tive que vestir, velar, enterrar minha mãe.
Foi duro.

Mas foi uma etapa da vida que teve que ser vivida. Um rito.
O rito sim. O ritual nunca.

Quero ser cremada.
E se alguém quiser, jogue as cinzas na privada.

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Comments

Triste mesmo!!!Meus sentimentos!!!
Sei como é isso...Perdi meu pai aos 3 anos, hj tenho 20...Minha mae, graças a Deus esta viva e com saude, mas ao passar do tempo, como não tive a "oportunidade" de velar meu pai, a dor veio em dobro qdo velei minha vó materna de quem eu amava demais...Nunca havia chegado perto de um falecido e tal..No velorio da minha vó me debrucei e me desmanchei em lagrimas...
A vida nos põe em cada situação, que ao pensar depois, precisavamos passar, entende???

abraços!!

Maryana

P.S Visito sempre,mas hj resolvi comentar...
Referencias do blog da Ju Geve,ok????

Te mando un abrazo muy fuerte.
Tu SABES que la vida vale la pena. E que esas raizes tan antigas y tan fortes seguiran existiendo dentro tuyo.

Maray,
Difícil mesmo. Tanto, que mesmo a gente que vive cercado de palavras, fica sem saber ao certo o que dizer.
Siga, com a sua sabedoria e a sua luz.
Beijos,
JU...

esto me sirve para lo que viene. es curioso, te leo y me escucho, en uno de todos esos argumentos que rondan mi cabeza cuando pienso en la noche que se acerca, la noche sin referencia.

foi muito dificil perder meu pai tambem doe muito!!!

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