« reveillon | Main | o que sai da boca do homem »

pedaços de mim

Tanta gente vive às voltas com o próprio umbigo. Individualistas, dizem. Eu, porém, me envolvo e me perco em reflexões com meu próprio cotovelo. Não dá pra me chamar de individualista. Até porque, cotovelos, tenho dois!

Era um problema por volta dos 5, 6 anos. Foi quando eu comecei a tomar banho relativamente sozinha. Tomar, tomava. Mas ainda tinha que passar pelo controle de qualidade materno. Aquela coisa: atrás da orelha, cotovelos, pés.

Os cotovelos sempre me impediram de chegar ao ISO qualquer coisa da época. Eu esquecia deles.

Mais tarde um bocadinho, aos 7, 8, eles continuavam sujos. Desta vez de tinta de jornal. Eu já sabia ler e lia. Quase o dia todo. Com os cotovelos apoiados em cima do jornal, do livro, da revista, do que fosse possível de ser lido. Terminava o dia com eles pretos. E minha mãe roxa. Da bronca que dava, na sua sanha assassina contra qualquer tipo de sujeira real e/ou moral.

O tempo foi passando e eles sempre me preocupando. Na adolescência, queria porque queria que eles ficassem macios. Como se algum rapaz fosse se importar com meus cotovelos. Tanta coisa pra pensar antes...

Hoje, mais de meio século, eles continuam me preocupando.
Não, sujos não estão mais. Eu esfrego legal no banho. Aprendi.

Nem pretos de tinta. Uso óculos, aprendi a ler a uma certa distância. Não preciso mais me debruçar no jornal a 10 cm de distância como na época em que não sabia ser míope.

Nem ligo mais se estão enrugados ou lisos. Homem nenhum nunca ligou, porque eu ligaria? Nem enxergo meus cotovelos.

Hoje a preocupação é com uma certa dorzinha renitente, nas articulações.

Só hoje me dou conta que cotovelo tem vida interior. Como goiaba com bicho. Aliás, é isso que meus cotovelos andam: bichados.
Que saudade dos tempos em que eles só andavam sujos...

cotovelotenista.jpg

TrackBack

TrackBack URL for this entry:
http://www.gardenal.org/sistema/mt-tb.cgi/607

Comments

Reminiscências... um dia, minha avó me contou que a carne do cotovelo era "carne morta" e que "cotovelo não sentia dor".
Desse dia em diante e sempre que possível, eu pegava no cotovelo dela e apertava, torcia, beliscava... e não é que não doía mesmo? Irônico, isso...
JU...

Nesses tempos também não havia computadores que, afinal, são inimigos acesos dos cotovelos, e dos pulsos e dos ombros...

Maray, nem sabia que seu blog estava de volta! Estava com saudades... Agora deixa eu ir lá ler tudo o que perdi...

beijão!
Vivi

Oi amiga,

você gosta de Danuza Leao?

Ju: a carne do cotovelo talvez não tenha muita sensibilidade, mas a articulação...

Peciscas: meus cotovelos não doem por computador. O computador acaba é com meus pulsos, mas isso é uma outra história, ou post...

Vivi: estive pouco fora do ar. Inaugurei o blog genérico, postando no lugar dos comentários. Agora voltei a ter cores. embora nem tudo ainda esteja no lugar.

Sá: estou dando tratos a bola pra saber o que a Danuza Leão tem com os meus cotovelos...Não, eu não tenho muito em comum com ela, a não ser, é claro, o fato de termos ambas dois cotovelos cada uma...:)

Já tentou encostar a língua no cotovelo? Se conseguir, ganha um doce.

Post a comment

(If you haven't left a comment here before, you may need to be approved by the site owner before your comment will appear. Until then, it won't appear on the entry. Thanks for waiting.)