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o que sai da boca do homem

Demorei muito pra aprender palavrões. Os poucos que sei.

Em casa, apesar de família tamanho médio – pai, mãe, dois filhos homens e uma filha mulher, mais uma avó- ninguém falava palavrão. Minha avó, italiana, de vez em quando, mas bote quando nisso, dizia um mascalzone, ou algo assim. Mas como ninguém entendia, ficava por isso mesmo.

Meu pai me impressionava. Mesmo quando via seu time perder, ele, sãopaulino de cadeira cativa, não usava palavrões. Quando, ao fim da vida, já com alzheimer, eu o ouvi se referindo a um temporal como uma “puta chuva” fiquei chocada. Não com o termo, mas com o fato dele usá-lo.

Aos poucos fui aprendendo. E me deliciando com eles. A maioria reflete preconceitos ou nomeia partes do corpo, de forma bem simples. Porque cu seria palavrão? Ou bundão? Ou caralho? Nunca entendi, a não ser pelo fato de que as pessoas têm muito pouco contato com seu corpo. Ou vergonha dele.

Esses palavrões não me incomodam. Me incomoda muitíssimo aquelas expressões que eternizam preconceitos, homofóbicas, machistas, racistas. Me incomoda porque as pessoas que as dizem, muitas vezes nem são preconceituosas, mas as repetem sem se dar conta do conteúdo. E as crianças as repetem porque ouvem. E o preconceito vai ficando, permitido e até estimulado.

Acho chamar alguém de ladrão ou mau caráter um dos piores palavrões do mundo. Ou assassino, ou estelionatário.
Agora bunda mole? Que raios quererá isso dizer? Existe bunda dura? É bom ter bunda-mole, almofadada pra permitir sentar sem dores nem incômodos.

Peito muxibento? Ora, a idade vem e tudo cai. Não é falha de caráter. É só a força da gravidade.

Filho da puta? Significa que a mãe fazia do seu corpo seu sustento. Não matava, não estuprava, não roubava, não intrigava nem caluniava. Só vendia o que podia vender, sabe-se lá porque. Tem gente que vende droga, que é a morte em cápsulas, ou pó, ou seja lá o que for e ninguém diz "filho de um traficante" pra ofender ninguém. Esses palavrões precisam ser repensados.

E não quer dizer que eu mesma, ao dar uma topada nas calçadas paulistas (ou buracos paulistas) não diga também um sonoro “putaqueopariu”. Digo, sim. Mas acho uma sacanagem.

Gostaria de ter alternativas mais contemporâneas, menos preconceituosas, mas igualmente desabafantes.Alguém se habilita?

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Comments

Ora aqui esta uma boa oportunidade para inventarmos palavras! Vou pensar...

oie! mandei pra vc um zémail através do Branco, mas o email voltou =/
caixa postal cheia!
se vc tiver um outro endereço disponível, manda pra mim no objabj@gmail.com ?

bjo bjo
renata

Quando criança, aprendi umas palavras de grande efeito moral que algum gaiato me disse que eram xingamentos dos mais poderosos. Não tive dúvidas: por meses e meses, enchia o peito e chamava minha irmã de bípede, vertebrada, vivípara, deuterostômia e outras barbaridades afins. Que tal?
JU...

querida,
o sociologo michel misse tem um livro maravilhoso chamado "o estigma do passivo sexual", que é um estudo profundo sobre os palavroes da nossa lingua. ele acbaou de relançar. recomendo a todos, leitura suuuuuuuuper esclarecedora. tipo: já reparou que os palavroes ligados ao fracasso sao femininos e os ligados ao sucesso sao masculinos? tipo: o cara é foda, o cara é um babaca...
sacou?

beijos

Minha vó usa uns palavrões que não são muito comuns, mas deixam as pessoas tristes. Imagine só ser chamado de "excomungado do inferno". Tem outros mais lights como requenguela, marmota, orelha seca (esse se usa quando vc quer dizer que alguém é burro).
Agora eu acho que ao tropeçar ou cair num buraco usaria, merda ou inferno de buraco! Mas não sei se são os mais adequados.
Beijo
Cris

Palavrão contemporâneo? Que tal "delúbio!!!" ou "valério!!!!"""

Maray, no trânsito descobri que o xingamento mais ofensivo não é feladaputa, mas sim "chifrudo". Uso sempre, para ira dos motoristas barbeiros que cruzam meu caminho!

Eu também não costumo dizer palavrões, acho perda de energia. Interessante suas observações sobre os palavrões, mas a questão fundamental é que o governo e a sociedade como um todo passe a investir cada vez mais na educação, seja doméstica, seja escolar, pois todos poderíamos compartilhar bons valores, tais como o amor, o respeito, a solidariedade, a piedade, a compaixão aos semelhantes.

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