falso brilhante
Todos pretendem entender de corais, segundo minha filha. O que não sabem é que a grande maioria que se vê por aí não é coral de verdade.
Como as loiras. A grande maioria que conheço não é loira de verdade.
Como os brilhantes.
Muito do que sei, conceitos estéticos que ficaram, manias, modismos, muito de gostos pessoais que acabei criando pela vida, devo à minha cunhada.
Não tenho irmãs. Só irmãos. Tudo que uma garota de 7 anos em diante se interessa em saber, soube por essa cunhada, 12 anos mais velha do que eu.
Assim, meu primeiro soutien foi comprado com ela. A maneira de segurar a bolsa ( havia uma, antigamente), a maneira de sentar, de andar na rua. Tudo ela me ensinou.
Estrangeira e recém casada, elegeu a mim como acompanhante. Foi com ela que aprendi a diferença entre pedras preciosas. Uma esmeralda, uma turquesa, um ônix. Ouro branco e platina.
Ela tinha muitas jóias? Nada! Só mesmo a aliança. Mas tinha bom gosto e era fissurada em vitrines de joalherias. Passeávamos pelo centro ( sou do tempo pré-shopping!) e parávamos, fascinadas, nas vitrines da Barão de Itapetininga e imediações da São Luiz. Depois de algum tempo, brincávamos entre nós tentando adivinhar o preço dos solitários e chuveiros de brilhantes. Éramos boas nisso.
Foi com ela que aprendi que tudo nesta vida é ilusão. Ela dizia que, se estiver muito bem arrumada, olhar altaneiro - tá bom, podem chamar de “vira-bosta"- e usar um anel de feira (naquele tempo havia feiras livres também), desses de vidro vagabundo, todos pensarão se tratar de um brilhante verdadeiro. É o “entorno”. Espera-se que uma pessoa bem arrumada, com ar fino, use jóia verdadeira.
Ela contava com isso e nunca falhou. Misturava echarpes e drapeados com vidro facetado.
Fazia a maior “vista”.
Essa coral que a gente achou na serra da Graciosa também.
Falsa como o solitário da minha cunhada, mas faz a maior vista, né não??

Comments
O Príncipe Negro, um enorme rubi na coroa da rainha da Inglatera é falso. Se fosse verdadeiro valeria menos do valor atual. Se estivesse em outra coroa qualquer, também. O que significa isso? Sei lá! Mas que é estranho que até as cobras sejam falsas, isso é.
Posted by: allan | janeiro 22, 2006 3:05 AM
acho ótimo seu blog
Posted by: marcio | janeiro 23, 2006 10:57 AM
Realmente, que diferença faz? Não são objetos com valor intrínseco, real, como o alimento, por exemplo.
É a primeira vez que vejo uma história de cunhadas - bonita a amizade, sorte sua e dela.
Posted by: marilia | janeiro 24, 2006 5:23 PM
Maray,
O mais impressionante é o espírito aventureiro da fotógrafa, que foi lá e fez clic!
Até porque, que me importa se é verdadeira ou é falsa? Se é cobra, do tipo fria, escamosa e rastejante, eu tô fora!
JU...
Posted by: ju | janeiro 25, 2006 4:29 PM
Adorei o jeito com que vc cheogu até a foto da coral! :D
Posted by: carol | agosto 25, 2006 5:27 PM