quarto de hotel
Solitário. Deprimente. Impessoal.
Um monte de gente acha isso dos quartos de hotel.
Eu acho ótimos. Mesmo quando são muito ruins mesmo, igual um que a gente ficou num ponto qualquer da estrada Rio-Bahia, num posto de gasolina, de cimento no chão, lençol suspeitíssimo e um cano de água fria no lugar do chuveiro. Nunca esqueci aquele quarto. No bom sentido.
Gosto de variar o lugar de dormir. Porquê não sei. Desde pequena, quando era véspera de prova e eu não tinha estudado nada ( quase sempre) e daí a culpa não me deixava dormir (vagabunda, sim, mas com um puta senso de responsabilidade- daí a culpa), eu variava o lugar de dormir. Ia dormir na sala, no chão do escritório, em qualquer lugar menos o de sempre. Parecia que com isso os pensamentos recorrentes variavam. Como se eles ficassem desorientados com a mudança de lugar.
Isso talvez seja a origem do meu gosto por quartos de hotel. Porque eles significam que estou viajando. O que é muito bom.
Significa pensamentos diferentes, sonhos originais. Acredito piamente nisso.
Porque eles, mesmo se forem ruins, são temporários. O que é melhor ainda. Porque nada, nada mesmo, substitui minha cama dura e meu travesseiro molinho! E meu quarto em que durmo embalada por cachorros latindo ao longe e acordo com uma tremenda passarinhada barulhenta.
Mas também cheio de pensamentos e preocupações, de agendas noturnas pra organizar a vida diurna, de ansiedades e saudades de quem está longe, medo da partida de quem está perto.
Quarto de hotel não é impessoal nem deprimente. Quarto de hotel é um pit-stop de cabeça. Quer coisa melhor?







