« tum, bang, tóim, zap | Main | pedaços de mim »

reveillon

Vestiu a melhor roupa branca que achou. Um perfuminho discreto, sandália de salto prateada, calcinha amarela pra chamar dinheiro, soutien vermelho pra chamar amor.

Abriu uma champagne posta pra gelar há uma semana. A rolha, com tanta pressão, bateu no teto e na volta quebrou o elefantinho da sorte, em cima da mesa de centro.

Deu uma arrumada nas flores da mesa. Acertou o melhor ângulo pros castiçais, cada um com uma vela azul dentro. Espiritualidade sempre é bom.

Deu uma sopradinha no incenso, pra dispersar melhor o cheiro de patchouli pela sala.
Sentou- se e esperou, taça na mão.

Na rua o burburinho se intensificava. Fogos e rojões se alternavam, quase sem intervalo. Sinal que a meia-noite estava próxima.

De repente o burburinho da rua se fez inteligível, somado ao burburinho dos outros apartamentos. Uma contagem regressiva, ouviu nitidamente o 5, o 4 e a partir daí contou junto.
3, 2, 1.

Barulho ensurdecedor. Olhou-se no espelho e levantou a taça em brinde festivo. Quase sorriu, mas não era pra tanto.

Voltou pro quarto, tirou todas as roupas, vestiu sua velha camisola, deitou-se, apagou a luz e dormiu.

REVEILLON.jpg

TrackBack

TrackBack URL for this entry:
http://www.gardenal.org/sistema/mt-tb.cgi/606

Comments

Vim aqui desejar feliz Ano Novo. Ano passado escolhi passar sozinha o réveillon. Sosseguei os amigos, não, não estava deprimida, não precisavam se preocupar. Sabe que gostei? Mas este anos lá vou eu com amigos queridos à praia, à tardinha do dia 31. Coisa simples, comemorar nossa amizade. Coisa boa, né? Chato é réveillon por obrigação.

Putz! Não desejo isso a ninguém. Nem à bruxa do terceiro andar.
Feliz Ano Novo, Maray!

Pungente espelho de solidão.
Feliz ano novo
vera do val ( inquieta)

Caramba Maray...o post é lindo mas tão triste!

Feliz Ano Novo ,Amiga transatlantica! Por mim, ou fingir que acredito: quem sabe , resulta!

Querida Maray, no tempo em que havia galeões, caravelas, marinheiros, piratas com perna de pau , olho de vidro e caras de mau e mundos novos para descobrir, quando dentro da embarcação algum marinheiro se revoltava ou praticava algum acto considerado muito grave era condenado à morte na quilha, ou seja, era atado por cordas e submergido sob a quilha da embarcação. Morria , pois, quilhado. A morte na quilha era um dos castigos mais temidos e cruéis.

Maray,
Um lindo, rico e especial Ano Novo para todos vocês, com muito tango, muita milonga, muita aula de percussão, muitos porquinhos da Índia se acasalando nas horas certas e muitos bons amigos todos os dias.
Beijos,
JU...

Que passagem de ano mais chata teve esta garota.

ai, querida, me lembra aquela musica do suburbano coracao do chico... caraca, que vontade de chorar...

Post a comment

(If you haven't left a comment here before, you may need to be approved by the site owner before your comment will appear. Until then, it won't appear on the entry. Thanks for waiting.)