pedinchório
Minha mãe quase não usava perfumes. Embora ganhasse, de vez em quando. Lembro que usava o “leite de rosas” mas como desodorante. Meu pai usava áqua velva. Que eu adorava o cheiro e passava quando ele não estava olhando...
Então o gosto por perfume foi vindo assim, relacionado com figuras, com gentes. Havia uma amiga nossa, que tinha mania de fazer poesia (péssima, na minha opinião, mas sou suspeita) e usava um perfume extremamente doce. Lembrava alguma coisa como cheiro de dama da noite mais jasmim. Odeio até hoje esse cheiro. Do perfume, porque dama da noite e jasmim são maravilhosos, desde que de longe. Como escola infantil e galo cantando. De longe.
Já patchouli é uma essência que eu amo. Me dá segurança, empatia. Como uma essência pode fazer isso, não sei. Mas naquelas noites intermináveis, em que os monstros todos resolvem vir fazer a ronda em volta da cama e dos sonhos, o cheiro de patchouli protege. Como uma figa. Um talismã. Eu boto antes de dormir nessas noites. Como se fosse um ursinho de pelúcia.
Gosto também dos amadeirados. E daqueles que se define como orientais. Deve ser por conta do patchouli, de novo.
Odeio os cítricos. Que me provocam a mesma sensação de chupar limão ou cheirar abacaxi verde. Uma opressão da garganta, um murchar interno da boca, um arrepio pelo corpo todo. Um frisson de horror.
E amo os infantis. Não os perfumes, esses que fabricam agora pra ganhar mais uma fatia do mercado e criar necessidades e dependências desde cedo. Mas aqueles de talco, de sabonete infantil. Deve ser saudade dos filhos crianças. Ou de mim mesma, na época em que tinha filhos crianças. Está tudo misturado. Tenho meus perfumes prediletos hoje. Mais ou menos conforme o dia. Ou a noite. E se saio de casa sem, sinto-me nua. Já voltei pra trás pra colocar o perfume.
Por isso, se alguém resolver me dar um presente, de natal ou de aniversário, que afinal vêm quase juntos, pode me dar um perfume. Que não seja doce nem floral. Nem cítrico também. Com qualquer coisa de madeira, de incenso, de violeta, de chocolate. Com qualquer coisa de quente e picante. Com qualquer coisa que lembre floresta, criança e noite de festa.
Simples assim.

Comments
Adorei isso, Maray.
Deu uma vontade de escrever um também...
E é impresionante como ligamos cheiros a pessoas. De gente que eu não gosto, por exemplo, não posso sentir nem o cheiro!
Beijos,
JU...
Posted by: Ju Geve | dezembro 12, 2005 5:29 PM
muito louca a memória olfativa! Mas o mais éstranho é nào suportar o cheiro de gente que a gente gosta. Ou gostar do cheiro de gente que a gente nem conhece. Onde mora isso? Gostar ou nao gostar significa o q?
Amadeirados? Hmmm, patchouli, amo! Mas amo cítricos, tangerina, amo!
bjs
Posted by: andrea | dezembro 12, 2005 11:41 PM
Parabéns pelo aniversário, Maray.
Que bons perfumes lhe sejam presenteados.
Beijão.
Posted by: OrdisiRaluz | dezembro 13, 2005 10:10 PM
Perfume é algo que poucos sabem usar. Na Itália resta o hábito do excesso de perfume para cobrir a escassez de banho. O resultado não é - nem de longe! - elegante.
Creio que o perfume deve ser "descoberto", como um prêmio ao parceiro ou parceira. Não gosto dos perfumes doces e identifico aqueles com álcool de cerais de longe. E lá permaneço. Seco e suave. Duas gotas.
Posted by: Allan | dezembro 14, 2005 1:24 PM
Mas é tão bom o cheirinho de um corpo lavado com sabonete! Hummm...
Posted by: mfc | dezembro 14, 2005 2:15 PM
Ju: escreva. Gostaria de saber dos seus perfumes. Terão eles também algo relacionado a comida? :)
Andrea: sei o que é não gostar de cheiro de quem a gente ama. Lembro das fraldas dos meus filhos...
Ordisi: obrigada pelo parabéns antecipado! É dia 27!
Allan: estamos falando de perfumes mesmo???
Manel: a gente lava o corpo com sabonete e enxagua com colônia....
Posted by: maray | dezembro 14, 2005 4:09 PM
Maray, eu estava acessando seu blog mas vinha um outro template, e nele, eu não tinha acesso aos comentários. Felizmente, nesta nova tentativa, apareceu esta telinha e a porta se abriu. Fiquei mto feliz com sua visita, sua mensagem, e espero que possamos conversar muito a partir de agora. Também não dispenso perfume. Já usei Amazon há mtos anos. First, Paloma Picasso, Fendi. Adoro. Um pouquinho só mas sempre.
Beijos,
Marilia
Posted by: Marilia Mota | dezembro 16, 2005 12:21 AM
Vivaaa! Voltou! É o blog vaga-lume mais desejado da Internet.
Vamos ver se agora fica, né?
JU...
Posted by: Ju Geve | dezembro 20, 2005 11:16 AM
Hum!HUm!
Que coisa boa falar de perfume,é lembrar de lugares, de pessoas... de momentos.È isso mesmo,outro dia tava no supermercado usando uma uma uma colônia alfazema da phebo, quando uma senhora se aproximou de mim, e disse que maravilha minha filha, sentir esse cheiro que lembro de minha querida irmã que já partiu deste mundo, ah! ela sorria, e eu fiquei como boba sorrindo ao lado dela,pois tenho certaza que boas recordaçoes passaram em sua mente, no final ela pediu um abraço e deu um daqueles bem apertado, acho que penso em sua irmã querida.
Foi engraçado e legal ao mesmo tempo.
Posted by: anete sena | fevereiro 22, 2007 8:40 PM
Pela data que escreveu quase irá fazer 2 anos...engraçado a semelhança como descreve meus pensamentos...tive enjôos por conta de jasmins e damas da noite, lembro da água Velva, odeio os cítricos e detesto os doces perfumes tipo Anais Anais; Paris e LouLou YERK!
Mas lembro-me do PROIBIDO PATCHOULI que quando jovem havia uma galeria aquí em São Paulo onde tinha de tudo de caro+raro+exótico e lá achei um vidrinho de tampa preta Puro Oil Patchouli enfim passei Anos com esse vidrinho. Bastava uma pequena gota era o suficiente para inundar o ambiente as roupas então nem se fale! Nunca mais achei esse perfume, nesse frasco...nunca mais.Tenho meus perfumes uso de dia e volto da porta do elevador para passar quando esqueço nem que seja para ir até a padaria comprar pão. Mas quando compro procuro saber se são Orientais e se contém patchouli, almíscar e âmbar super boas combinações.
Abraços
Marcia/Sampa
Posted by: Marcia | agosto 30, 2007 3:48 AM