Muita gente usa o fim de ano pra fazer balanço. Não sei porque deveria fazê-lo. O fim de ano é só uma data. Genérica. Igual pra todo mundo.
Tá bom, menos para os judeus e alguns outros povos que usam outro calendário. Mas pra maioria é agora. O balanço de fim de ano.
Eu gosto de pensar a respeito da vida ( fazer balanço é coisa pra banco e eu não sou de guardar nada. Só um ou outro rancor...) é no meu aniversário. Porque é meu. Porque esse calendário é pessoal e intransferível.
Tem vários jeitos de pensar no assunto. Um é “pô, estou ficando velha!”. Outro pode ser “mais um ano de vida, que acúmulo, que experiência, que sabedoria acumulada..!”
E outros mais. Minha mãe, por exemplo, se vangloria dos 89 dela. Menos pela qualidade e mais pela duração, mesmo. Não concordo com isso. Taí o Pinochet que não me deixa mentir...
Eu não tenho motivo pra me orgulhar dos meus 56 nem pra “desorgulhar”. Tão aí, tão palpáveis como as rugas em volta dos meus olhos.
O que me enche de orgulho é o meu entorno. Meu marido, meus filhos. Um pouco do que eles são ou se tornaram é relacionado com o que eu fiz e busquei. A gente teve sempre boa química. E eles gostam de mim. Por alguma coisa deve ser.
Minhas cachorras também.
Só minhas plantas não gostam de mim. Mas ninguém consegue agradar a todos, não é mesmo?
Sou bem medíocre como pessoa. E acho legal isso. Porque não tem muita pressão. Eu sou aquela pessoa no ônibus cheio de gente que nem precisa fazer força pra se manter em pé. O ônibus é tão cheio que um segura o outro. É assim que me sinto, na minha média.
1, 65 de altura. 60 quilos, casada, dois filhos, duas cachorras, ainda tenho as amígdalas e o apêndice, mas não tenho mais nenhum dos “sisos”.
Universitária num país de semi-analfabetos, classe-média num país de miseráveis. Isso é exceção e foge à média. Isso é pura sorte, no meu caso. E muito trabalho dos meus pais, que trabalharam muito pra que eu não trabalhasse tanto e pudesse estudar.
Sem grandes problemas de saúde. Sem fumar há 6 anos. Passando pela menopausa sem muito sufoco, apesar do calor.
Meio neurótica, ansiosa, bastante dificuldade na superação de fobias e medos, mas sem medo de terapia.
Estou curada? Não. Vou ser sempre meio neurótica, eu sei. Já faz parte. A vantagem é que depois de tantos anos de terapia eu sei antecipar. Se eu fosse dirigir um carro, digamos que eu ainda daria umas batidas, mas com air-bag. Chacoalha mas não machuca mais.
E é isso. Um balanço de aniversário.
Falando nisso, balanço é uma coisa que eu sempre pedi ao papai noel em criança e não ganhei nunca....
E agora também não quero mais, tá bom?! Não quero, não quero, não quero!!!
Eu superei :)
