IDADE DAS TREVAS
Tiraram o Aldir Blanc do jornal O Dia porque ele comparou Garotinho e Garotinha, o casal-governador-eleito do Rio, a Adolf Hitler. Tá rolando a maior discussão, no blog da Cora Rónai (nos comentários do post), sobre essa questão de processar jornalistas. Parece que tem muita gente que mistura uma coisa, que é o direito que todos têm à boa fama, com outra, que é o direito que todos têm de dar sua opinião sobre figuras públicas. E a coisa é misturada mesmo, é assunto complicado, que sempre vai gerar discussões acaloradas.
Processar jornalistas por delitos de opinião é atalho para a censura. Processar jornalistas por calúnia e difamação é direito de quem se sente ofendido. Onde está a fronteira entre uma coisa e outra? Acho que nos casos recentes a indignação das pessoas decentes nasce da história de vida de cada um dos contendores. Jornalistas que a gente sempre leu e acha que não caluniam nem difamam, estão sendo processados por gente em quem a gente não confia, que está sempre tendo que dar longas explicações sobre coisas nebulosas que fazem e fizeram. Sem entrar no mérito de cada processo, sem ler os autos, sem conhecer as sentenças, a gente toma partido não exatamente de cada um dos jornalistas, mas de uma tese: questionar na justiça a liberdade de expressão é atalho para a censura. E abre os olhos e a boca porque a liberdade de expressão é o único bem que a nega tem. E viva o Aldir Blanc.