ALPISTE E PAINÇO
Acho essa coisa de weblog uma maravilha. De manhã, quando vou até o quintal colocar comida para os passarinhos da vizinhança, acho que eles nunca vão saber que tem comidinha nova na cambuquinha de cerâmica e que nenhum deles, voando por aquele ceuzão azul de Florianópolis, vai jamais aparecer para comer aquele punhadinho de alpiste ou painço que eu coloco ali.
No blog é a mesma coisa, quando eu escrevo uma bobagem qualquer, do fundo do coração, acho que nenhum dos dois bilhões de seres conectados à Internet naquele momento vai aparecer para ler aquele alpiste literário, aquele painço com vírgulas despejado sobre uma pequena vasilhinha de cerâmica feita em São José, comprada no mercado e trazida pra casa sem qualquer outro propósito que atrair gente e passarinhos.
Pois não é que poucos minutos depois, a mureta onde está o alpiste está cheia de pardais, rolinhas e outros seres mais coloridos e ainda mais barulhentos? E aqui, neste modesto weblog, que vinha horas e horas marcando a presença de um ou outro, às vezes eu mesmo, de repente começa a mostrar novos pardais na rede, gente que aparece sei lá de onde, e acaba completando minha quota diária de leitores. Sejam bem vindos. E bem retornados. Tem painço fresquinho, alpiste acabado de colher, é só rolar a tela mais pra baixo.
Fico longe, com medo de assustar, olhando pela vidraça. Gosto que esta casa, que este weblog, seja lugar pacífico, onde qualquer um, a qualquer hora, possa pousar, sem medo. E tenha uma coisinha ou outra para beliscar, para mastigar.
Ao voar de volta para esse céu imenso, sei lá se dia ou noite, leve no bico um pouquinho da minha alma, que, como toda alma, precisa voar.
Comments
Um poeta...meio deajeitado, mas ainda um poeta, coisa rara nos dias atuais. Apareça lá no meu blog, bem diferente do teu, mas faço o que posso dentro das minhas limitações. Já salvei teu blog nos meus favoritos. Bye
Posted by: Re | dezembro 14, 2005 04:33 PM