fevereiro 19, 2006

De volta para o futuro

lulaserragarotinho.GIF

O gardenal.org est estreando novidades que vo deixar o sistema menos instvel e talvez devolvam o prazer de atualizar o blogue. Aproveito este teste para republicar um desenho que o Andr Valente fez em 2002 e que permanece estranhamente atual agora em 2006.

Enviado por Cesar Valente | 12:13 PM
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janeiro 19, 2006

VIDA DURA...

donc-cesar-piscina.jpg

Aqui as coisas continuam meio paradas, com as barbas de molho. s vezes faz calor, s vezes frio, umas vezes bate sol, em outras chove...

No De Olho na Capital que tem coisa nova todo dia.

Enviado por Cesar Valente | 11:12 AM
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janeiro 02, 2006

Na estrada...

Punta del Este
Nada no, s pra lembrar que ainda estou vivo. At o final da semana, ou um pouco mais, eu volto.

Enquanto isso, estou no De Olho na Capital, do Diarinho.

Enviado por Cesar Valente | 10:22 PM
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dezembro 27, 2005

INSTABILIDADE

Parece vagalume, acende-apaga, funciona-no funciona. Vou esperar um pouco antes de mexer de novo. Bom 2006 procs tambm.

Enviado por Cesar Valente | 11:40 AM
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dezembro 15, 2005

Manual de instrues deste blogue

Este post vai ficar aqui at que os demais, anteriores, tenham sido recolocados, a embaixo.

2. No tem post novo: trata-se, por enquanto, de recuperar arquivos (perdidos na catstrofe do gardenal.org) e coloc-los novamente num local relativamente acessvel. Para saber de quando o post recomendo a providncia mais ou menos simples de verificar a data. Se estiver escrito "novembro de 2002" porque foi publicado no Carta Aberta naquele ms e naquele ano.

3. Todo dia (ou quase), portanto, tem mais alguma coisa "nova" a embaixo. Assim, quem ainda no decorou tudo o que saiu em trs anos de Carta Aberta, pode encontrar textos que ainda no tenha lido.

4. Ficam, nesta pgina, os 10 post colocados aqui mais recentemente (e este, que no sai daqui). Os demais esto ali em "Arquivos" (ou "Archives", enquanto no for traduzido).

5. Ah, no estranhem a cara do blogue, assim acinzentado-azulada. provisria, uma espcie de avental da clnica, que a gente usa enquanto no termina o check-up (a bunda pode aparecer de vez em quando, mas vocs, por favor, no reparem). Assim que o filho raitc (ou high-tech) tiver tempo, ele consegue umas roupas novas para que eu possa sair rua novamente. De terno de linho, chapu cco e polainas, como convm.

6. S pra lembrar: a vida segue seu curso normal em deolhonacapital.blogspot.com, o blog onde transcrevo a coluna diria que publico no Diarinho. L tem coisa nova todo dia (exceto domingo).

Enviado por Cesar Valente | 09:10 AM
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dezembro 11, 2002

CARTAS

(Publicado pela primeira vez em 25 de maro de 1975, no jornal O Estado)

Da o portugus disse... (Joozinho Barreiros)

Olha meu filho, contar piada de portugus podia ser muito bom um ano atrs. Agora no tem a menor graa. [Nota do Tradutor: a revoluo dos Cravos ocorreu em 25 de abril de 1974]

Tem um buraco aqui na rua... (Desesperada Saco dos Limes)

Este tipo de reclamao deve ser encaminhada para o Departamento de Buracos de alguma repartio a. Ningum sabe exatamente onde fica e quem cuida dela, mas deve existir. Porque no acredito que tantos buracos, colocados em lugares to estratgicos, nasam sozinhos. Seria o caso de escrever uma carta pro Adolfo Zigelli. No que adiante alguma coisa (s vezes adianta, imaginem s!) mas pelo menos consola outras desesperadas, deixando claro que buraco no propriedade de uma rua, ou um bairro. Em todo caso, desespere-se, porque como j falei, nada adianta: o Departamento de Buracos tomou vacinas A, K e V contra contribuintes reclamantes.

Gostaria de receber uma foto autografada, pois... (Fanzoca - Ribeiro da Ilha)

Claro que eu mandaria, se ela estivesse pedindo uma foto minha. Acontece que ela quer uma foto do Heleno, aquele que canta sempre na rdio Santa Catarina, msicas cheias de sotaque impreciso, uma das quais chamada Non son s palabras lindas. O locutor anuncia o sucesso que voc pediu trinta vezes por dia: na metade das vezes entra o Heleno. Vocs agora me digam eu tenho cara de correio sentimental da revista Amiga?

E quando eu estar a Brrazil, gostarria de conversar com usted, sobre algumas problems que non consigo zolucionar... (H. Kissinger de algum lugar do mundo).

Meu caro, na ltima conversa que tivemos eu te avisei: no aparea mais aqui em casa. J chega a vez que tu me visitou e no sobrou nem gin nem batatinha frita. Tu s qu sab de viaj e com, malandro? E no vem me dizendo que agora vai ser diferente no. Afinal te conheo de sobra pra saber a um quilmetro o que tu t querendo. Outro dia conversei com a Pomba da Paz e ela disse que quer te dar uns cascudos. Onde j se viu ganhar at o Nobel da Paz e no mostrar servio? Te manca, camarada. Como assim, a paz que se dane?. s vezes uma guerrinha necessria pra acabar com o estoque de Napalm da Dow Chemical, (que tambm fabrica o DDT, por falar nisso) e ento o amigo a lamenta muito mas no consegue um acordozinho. Ou ento leva todo mundo para umas frias em Genebra. Enquanto conferenciam, entre um chopinho e outro, a Dow Chemical trabalha. E assim por diante. As coisas neste p e tu me vem pedir conselho? Vou mandar dizer que no estou. Nem aparece. Desculpem leitores.

Por que tu no elogias alguma coisa? (Curioso Otimista Agronmica)

Porque nunca tive vontade de elogiar coisa nenhuma. Se algum faz uma coisa bem feita, parabns, no fez mais que a obrigao. Se algum eficiente, no faz mais que a obrigao. Agora, se alguma coisa est mal feita, ou no feita, todo mundo deve saber. Da mesma forma se tudo est bem com as pessoas, est tudo normal. Se algo vai mal, talvez as pessoas sabendo possam tomar alguma providncia. Depois, o uso do elogio faz a boca mole.

O futebol... (Torcedor Furioso Morro do Cu)

Amigo, tu j devia ter notado que no era comigo que tu queria falar. Alm de no ser muito chegado ao tal esporte breto, tambm no sou muito chegado a histerias coletivas. A escravido ao futebol chegou a tal ponto que em Porto Alegre, num programa esportivo de televiso, transmitido ao vivo, um dirigente do Internacional encheu a cara de um outro de sopapos. Talvez diferenas de opinio. Mas se a gente prestar ateno, v que em todo lugar, substituindo o feijo, o po, o leite, a farinha, cai bem uma discussozinha sobre futebol. Religio era o pio do povo h algum tempo atrs. Agora o pio outro.

Por que que voc nunca quer falar comigo pelo telefone? (Fulana de Tal Centro)

Ento foi tu que andou telefonando a semana inteira, ? Depois a gente conversa, que aqui tem muita gente lendo.

O senhor que a seo de cartas? (Ilegvel Estreito)

Nem sempre.

Enviado por Cesar Valente | 10:11 AM
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dezembro 10, 2002

CONHECES A ILHA? A SOLUO DO PROBLEMA

Ia solucionar o problema (veja o post abaixo) s amanh, mas no resisti. Alm do que, o prmio no atraiu muita gente e foram poucas as respostas. Ou ento tenho muitos leitores e leitoras que no so daqui. Ou so daqui e no freqentam essas prainhas de guas calmas, imprprias para uma badalao mais radical e algumas vezes imprprias para banho.

Ento t, vamos l:

Foto: Lcia Valente

T vendo a ilha de Ratones l no fundo? Pois ento, Sambaqui, bem ali na ponta onde antigamente terminava a estrada. E onde ficava a casa do Pedro Port e da Telma Piacentini, onde Raimundo Caruso, Emanuel Medeiros Vieira e eu passamos vrios fins de semana discutindo, bebendo e fazendo o jornal Desterro. Com a participao, naturalmente, do Pedro Port, que recitava trechos inteiros da Esttica, de Lukacs, em francs, para inspirar-nos e encher nosso saco. Ou ser que era Das Kapital, em alemo? Por falar nisso, onde anda o Pedro Port?

Foto: Lcia Valente

T legal, o Ribeiro pouca gente conhece porque a estrada de paraleleppedo e pode estragar o carro novo. Mas o Ribeiro, e aquele morro l adiante deve ter um nome que os ilhus de boa memria certamente sabero, mas eu sesqueci. S sei que passando ele a ilha acaba.

Foto: Lcia Valente

E esta era uma pegadinha, como se diz modernamente. Isso a Ganchos, em Governador Celso Ramos (t, eu sei, tem trs Ganchos e esse um dos trs. No sei qual porque a Lcia, que tirou a foto, est no Esprito Santo e o celular no pega. Amanh quando ela voltar eu coloco um update explicando direito). Para os leitores no-mans: Governador Celso Ramos (antigamente conhecido como Ganchos) no fica na ilha, fica no continente, um pouquinho ao norte da Ilha. famosa porque promove o folguedo popular da Farra do Boi, que os paulistas e seus asseclas inventaram de querer acabar.

Update "Ficas perguntando se o pessoal conhece e tu no sabes onde fica? Essa praia a de Ganchos de Fora. No costo tem aquela pousada muito chique, onde a Ana Paula Padro passou a lua de mel". Lcia.

Enviado por Cesar Valente | 11:12 AM
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CONHECES A ILHA?

Diz a lenda que a ilha de Santa Catarina tem 42 praias. E tem muita gente que se gaba de conhecer todas elas. Pois ento t. Vamos fazer um teste. A embaixo tem fotos de trs praias. m pombo, (como diriam alguns dos personagens do Aldrio Simes) diz a qual que cada uma:

Foto: Lcia Valente
Esta est parecida com o Ribeiro, mas tambm pode ser Sambaqui, ou Cacup, ou nem uma nem outra, vai ver que nem na ilha.

Foto: Lcia Valente
Esta est parecida com Sambaqui, mas tambm pode ser no Ribeiro, ou Tapera, ou nem uma nem outra, vai ver que nem na ilha.

Foto: Lcia Valente
Ah, esta todo mundo sabe onde fica. Mas tambm lembra aquele lugar no litoral do Rio, como mesmo o nome...

Cartas e e-mails para a coluna. O vencedor ou vencedora ficar sabendo que conhece melhor a ilha e ganhar o respeito dos demais leitores.

Enviado por Cesar Valente | 10:11 AM
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dezembro 09, 2002

IDADE DAS TREVAS

Tiraram o Aldir Blanc do jornal O Dia porque ele comparou Garotinho e Garotinha, o casal-governador-eleito do Rio, a Adolf Hitler. T rolando a maior discusso, no blog da Cora Rnai (nos comentrios do post), sobre essa questo de processar jornalistas. Parece que tem muita gente que mistura uma coisa, que o direito que todos tm boa fama, com outra, que o direito que todos tm de dar sua opinio sobre figuras pblicas. E a coisa misturada mesmo, assunto complicado, que sempre vai gerar discusses acaloradas.

Processar jornalistas por delitos de opinio atalho para a censura. Processar jornalistas por calnia e difamao direito de quem se sente ofendido. Onde est a fronteira entre uma coisa e outra? Acho que nos casos recentes a indignao das pessoas decentes nasce da histria de vida de cada um dos contendores. Jornalistas que a gente sempre leu e acha que no caluniam nem difamam, esto sendo processados por gente em quem a gente no confia, que est sempre tendo que dar longas explicaes sobre coisas nebulosas que fazem e fizeram. Sem entrar no mrito de cada processo, sem ler os autos, sem conhecer as sentenas, a gente toma partido no exatamente de cada um dos jornalistas, mas de uma tese: questionar na justia a liberdade de expresso atalho para a censura. E abre os olhos e a boca porque a liberdade de expresso o nico bem que a nega tem. E viva o Aldir Blanc.

Enviado por Cesar Valente | 11:12 AM
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DE OLHO

Vi este link na Cora e no resisti, trouxe pra c. No deixem de ver, ou dar uma olhadinha.

Enviado por Cesar Valente | 10:11 AM
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dezembro 08, 2002

A FORMAO DO JORNALISTA

(Advertncia do Conselho Nacional de Defesa dos Leitores de Blogs: o texto abaixo longo demais para estar num blog, sua leitura pode tomar quase dez minutos, dependendo do ritmo de cada um. E o tema rido para quem no esteja, neste momento, envolvido no debate. Por isso, publico aqui o resumo da histria: um bom curso de Jornalismo pode ser muito til para quem quiser se profissionalizar, mesmo que o diploma no seja obrigatrio para o exerccio da profisso. Se quiser, ainda assim, ler o texto na ntegra, fique vontade, mas depois no diga que no foi avisado(a).)

trabalho.jpgSempre que eu leio, aqui e ali, notas e artigos sobre a formao do jornalista, fico com vontade de me meter. De dizer alguma coisa. Afinal, sou um dos signatrios do processo que criou o Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Eu estava no grupo de 1978 que achou que a UFSC deveria ter um curso de Jornalismo e fez o projeto de criao. Depois, coordenei o curso em duas ou trs ocasies. Na foto, numa das reunies na reitoria para prestar contas do andamento do trabalho esto, a partir da esquerda, Moacir Pereira (de costas), Paulo Brito com seu modelito anos 70 de grandes golas, a professor Aurora Goulart, o reitor Caspar Erich Stemmer, o vice-reitor (encoberto) e eu (de costas).

Comecei a trabalhar no jornal O Estado, em 1973. Era redator no Caderno 2. Quando comuniquei ao grande cronista Srgio da Costa Ramos, na poca dirigindo o jornal, que iria para Porto Alegre cursar Jornalismo, a reao no foi boa. Ele meio que tentou fazer-me mudar de idia.

Mas eu no queria fazer o Curso para ter um diploma que me garantisse emprego. Eu estava empregado e se no fizesse nenhuma grande besteira, continuaria ali por um bom tempo. A faculdade de Filosofia, que eu cursava, ajudava a ampliar a cultura geral, ajudava a pensar, no era totalmente intil para o exerccio do Jornalismo. Mas eu no queria fazer o Curso pelo diploma.

Vou recuar um pouco mais no tempo para contar o que acontecia. O Jornal de Santa Catarina foi o primeiro jornal impresso em rotativa off-set e composto a frio no estado. Foi lanado em 1972, feito por uma equipe de jornalistas gachos. Gente extremamente competente, com talento nacionalmente reconhecido pelas carreiras que seguiram a partir dali.

O jornal O Estado (o mais antigo, lembram?) era na poca impresso tipograficamente, em rotoplana e composto em linotipo (a tal composio a quente, porque usava chumbo derretido) e com tipos mveis. No podia ficar atrs e em 1973 passou por uma grande reforma, estreando a rotativa e o novo sistema de composio. E teve, naturalmente, que ampliar a equipe. Foi contratada, para os postos-chave, praticamente a mesma equipe gacha que lanara o Santa. Para outras funes, jornalistas locais.

A redao ficou dividida claramente entre os que sabiam fazer jornal e os que estavam ali para aprender. Exemplo acabado da nova rotina de trabalho, o Jorge Escosteguy editava nacional e internacional: preparava o material das agncias, definia as pginas, diagramava-as, titulava e baixava para a oficina. Sozinho. E s vezes ainda ia l fazer o paste-up. L de longe, separados fisicamente pelos trs degraus que levavam ao Olimpo dos que sabiam tudo, a gente s olhava.

Dei-me conta que jamais iria saber o que eles sabiam olhando assim, de longe. Mas no tive tempo de pensar muito nisso. Num dia, repentinamente, a turma dos que sabia tudo brigou com a direo do jornal e, em grupo, assim como chegou, foi embora. No de um dia para outro. Da manh para a tarde.

Foi um dos dias mais longos da minha vida. Cheguei para o trabalhinho de redator de caderno de cultura e variedades, coisa realativamente leve, longe das hard-news, quando o Piranha (diagramador local, que tambm estava tentando aprender e no se importava com o apelido) contou o que acontecera. Na redao quase vazia estvamos apenas os catarinenses, os que no sabamos nada. E o jornal do dia seguinte por fazer.

Todos ou quase todos tivemos que aprender na marra, fazendo. O jornal do dia seguinte circulou perto das 10 da manh. Ns tnhamos fechado a edio madrugada alta. Mas fechamos. Fizemos um jornal inteiro sem eles. Levamos muito tempo, no deve ter ficado l essas coisas, mas o jornal saiu. Eu me senti como quando andei de bicicleta pela primeira vez sem as rodinhas de apoio (e olha que eu era um redator iniciante, sem qualquer funo relevante).

Assim que as coisas acalmaram e a gente conseguiu ficar no jornal menos de dez horas, eu voltei a pensar naquela histria: eu nunca vou aprender tudo o que eles sabem se ficar aqui s fazendo parecido com o jeito que eles faziam. Procurei um vestibular de Jornalismo que no tivesse matemtica, arrumei minha trouxa e fui.

O que eu vi nos lugares em que trabalhei s confirmou minhas suspeitas: no d para aprender muita coisa nas redaes. Ningum mais tem tempo de te ensinar. Eu ainda tive um ou outro chefe de redao ou de reportagem que tinha mais saco para pegar a matria e conversar sobre os erros. Mas j rareavam. Jornalistas mais velhos que eu tiveram, de fato, boas escolas nas redaes. Era outra poca, outro ritmo industrial, o pessoal tinha tempo.

O investimento que os jornais tm feito em programas para jornalistas iniciantes mostra bem como as empresas acham importante receber, na redao, gente que j tenha pelo menos uma noo das coisas. Que possa melhorar e crescer, mas no precise aprender o be-a-b.

Essa histria excessivamente longa quer dizer o seguinte, em resumo: um bom Curso de Jornalismo pode ser muito til para quem quiser se profissionalizar. Mesmo que o diploma no seja requisito obrigatrio para exercer a profisso. Nos Estados Unidos, onde no tem reserva de mercado para jornalistas, a grande maioria dos contratados nos ltimos anos fez cursos da rea.

E esta questo relevante, porque mexe no essencial: eu no acho que cursinhos fajutos, montados apenas para aproveitar a obrigatoriedade do diploma devam continuar abertos. Tambm no acredito na eficcia da obrigatoriedade do diploma. Mas acho fundamental que o jornalista tenha curso superior (de preferncia um bom curso de Jornalismo), tenha uma formao cultural ampla e domine a linguagem com que vai obter e contar suas histrias.

Todo o resto bobagem. Ah, porque o fulano nunca freqentou curso de jornalismo e excelente jornalista uma falcia que tem sido muito usada para dizer que qualquer um pode ser jornalista. Qualquer um, que tenha cultura suficiente, conhecimento da lngua suficiente, conhecimento das tcnicas jornalsticas de apurao de fatos e captao de notcias, domnio da narrativa jornalstica, capacidade de contextualizar, inteligncia para separar alhos de bugalhos, pode ser jornalista. Basta passar por um treinamento. Nas redaes pode ser mais demorado, difcil e frustrante (num ambiente competitivo, aquele que est aprendendo tem muito mais chances de ficar ali, patinando e eternamente aprendendo). Nos cursos pode ser tambm difcil e frustrante, porque a maioria dos cursos muito, mas muito ruim mesmo.

E foi isso que a comisso, coordenada pelo jornalista Moacir Pereira, composta pelos professores Celestino Sachet e Aurora Goulart e pelos jornalistas Paulo Brito e eu prprio, achou que estava fazendo ao criar o curso de Jornalismo da UFSC: um curso que fosse til mesmo quando o diploma no fosse mais obrigatrio. Porque em 1978 j se falava em extinguir a obrigatoriedade do diploma. E em 1978 j existiam cursos muito ruins.

Enviado por Cesar Valente | 11:12 AM
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dezembro 05, 2002

ALPISTE E PAINO

Acho essa coisa de weblog uma maravilha. De manh, quando vou at o quintal colocar comida para os passarinhos da vizinhana, acho que eles nunca vo saber que tem comidinha nova na cambuquinha de cermica e que nenhum deles, voando por aquele ceuzo azul de Florianpolis, vai jamais aparecer para comer aquele punhadinho de alpiste ou paino que eu coloco ali.

No blog a mesma coisa, quando eu escrevo uma bobagem qualquer, do fundo do corao, acho que nenhum dos dois bilhes de seres conectados Internet naquele momento vai aparecer para ler aquele alpiste literrio, aquele paino com vrgulas despejado sobre uma pequena vasilhinha de cermica feita em So Jos, comprada no mercado e trazida pra casa sem qualquer outro propsito que atrair gente e passarinhos.

Pois no que poucos minutos depois, a mureta onde est o alpiste est cheia de pardais, rolinhas e outros seres mais coloridos e ainda mais barulhentos? E aqui, neste modesto weblog, que vinha horas e horas marcando a presena de um ou outro, s vezes eu mesmo, de repente comea a mostrar novos pardais na rede, gente que aparece sei l de onde, e acaba completando minha quota diria de leitores. Sejam bem vindos. E bem retornados. Tem paino fresquinho, alpiste acabado de colher, s rolar a tela mais pra baixo.

Fico longe, com medo de assustar, olhando pela vidraa. Gosto que esta casa, que este weblog, seja lugar pacfico, onde qualquer um, a qualquer hora, possa pousar, sem medo. E tenha uma coisinha ou outra para beliscar, para mastigar.

Ao voar de volta para esse cu imenso, sei l se dia ou noite, leve no bico um pouquinho da minha alma, que, como toda alma, precisa voar.

Enviado por Cesar Valente | 11:12 AM
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dezembro 04, 2002

O FUNDO DA XCARA

(publicado pela primeira vez em 10 de abril de 1973, no jornal O Estado, de Florianpolis, SC)

Quando ela deitou estava pensando no dia ou na noite em que, com dezoito anos ou mais, no precisasse dormir hora em que dormem as crianas. J seria ento uma jovem e belssima mulher, cercada de admiradores por todos os lados. Mas ela s concederia a graa de seu sorriso a um nico. O melhor e o mais bonito, o mais romntico homem do mundo que, como os outros, estaria a seus ps.

Mas agora no era mais possvel saber o que ela estava pensando: tal a confuso de presentes, passados, futuros, que ruidosamente formavam a ltima e mais dbil barreira contra o sono.

Amanh nada vai se repetir. Nem os sonhos, nem a vida, nem a estranha e fascinante aventura de crescer.

***

Amanheceu quente. Como vero, mas j outono. A menina acordou cedo. Mais ansiosa que das outras vezes: um dia que comea sempre promessa ainda no cumprida. O espelho lhe deu a certeza de cabelos embaraados, mas suaves, e de sorriso ainda cheio de sono. Os olhos estavam, entretanto, to despertos quanto o corao: ambos meio aflitos e inseguros de tudo o que mais um dia poderia trazer.

Falou com as pessoas, que bocejavam a caminho do caf, como se no tivesse falado. Mas sentou-se mesa com fome e sede. Debruou-se ainda, como a buscar um ltimo instante de paz. Os bules e os barulhos a trouxeram novamente para sua manh quente.

Segurou sua xcara como quem segura a verdade. Em seus sonhos refletidos no fundo da xcara no haviam nibus, demoras, pontes pnseis baloiantes ou meninas esquecidas. Ela sempre sonhou um moo bom, bonito e romntico, que se lembrava dela e a levava.

No fundo da xcara ela saa sempre com ele. Passeavam por lugares onde ningum falava de outra coisa, alm da felicidade deles dois. Mas ela era ainda muito menina, quando seu sonho fazia-os ficar a ss, tudo embaralhava. Ela no sabia o que sonhar nesta hora. A soluo, triste, frustrante, era afogar os sonhos no fundo da xcara com colheradas de acar.

***

Nada muda de repente na vida das meninas. Vai mudando aos poucos, da noite para o dia e do dia para a noite. Quando ela descobre o prazer de ser olhada por aqueles olhos, tocada por aquelas mos, e ouvida por aquele moo sempre bom, bonito, romntico, tudo para. As aulas flutuam como se o tempo fosse aquoso, as conversas no interessam seno a outras meninas, que tenham tambm sido eletrocutadas pelos seus prprios coraes. Coraes como o dela que, h algum tempo, quando sonhava no fundo da xcara, no sabia o que sonhar (ao deixar os dois, ela e ele, a ss).

Mas agora, com tudo parado ao seu redor, apenas a sua vida se descontrola e corre rpida... como as lgrimas que chora no dia em que ele, logo ele, lhe mostra claramente (ou confusamente) que no nasceram como em todas as manhs o fundo da xcara lhe havia dito um para o outro.

Enviado por Cesar Valente | 10:11 AM
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dezembro 03, 2002

FORA DO AR

O servidor do Blogger hoje no serviu para muita coisa: ficou fora do ar praticamente o dia todo. Eu poderia lamentar-me, dizer que um absurdo, que fiquei sem poder "postar" todas as coisas legais que tinha escrito e preparado, mas no consigo mais mentir. Desde maro de 1988, quando vi um disco voador pousar na praia de Moambique (a nossa Moambique, aqui na Ilha de Santa Catarina mesmo) e cheguei a conversar com as criaturas que apareceram nas janelinhas (perguntaram se a guar estava fria e em que direo ficava Varginha), resolvi que s falaria a verdade. E, de fato, nunca mais menti. Bom, ento isso, se o Blogger estivesse no ar o dia todo, talvez esta hora eu estivesse colocando alguma coisa, daquelas velhas, porque hoje no foi um bom dia (outro?) para ficar frente do computador. Mas como o servidor pifou, fica aqui meu protesto e ficam vocs sem ter o que ler, por enquanto.

Enviado por Cesar Valente | 11:12 AM
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AVIO MOVIDO A MOSCAS

Neste final de semana, enquanto esperava a comida num restaurante beira-mar, estava justamente pensando numa coisa parecida com essa. A, atravs do saite de Leda Beck, descobri como fazer um belo aviozinho movido a moscas. Uma utilidade, enfim, para nossas amigas voadoras, que sem ter o que fazer e aparentemente sem outro objetivo que encher a nossa pacincia e o nosso camaro de bactrias, ficam voando sem destino, da latrina para a mesa e da mesa para o quibe (oops, no era quibe). Dem uma olhada, s clicar aqui. No deixer de ver. Podem clicar aqui tambm. Ou aqui. Escolham qualquer local e cliquem.

Enviado por Cesar Valente | 10:11 AM
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