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A
pior escola de samba do mundo
Por
José Chrispiniano
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Samba band
em protesto do RTS
em Londres
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Começou
atrasado o ensaio diário da "Samba Band", um grupo de
batuque com a intenção de criar uma "cacofonia contra
o capital" durante os protestos.
A cena, ainda mais para um brasileiro, era. no mínimo, estranha.
Aquele bando de europeus branquelos batendo em barris de plástico,
caixas e tamborins, sob o olhar curioso dos policiais tchecos.
Tocavam algo que se tentava samba, mas era duro, tenso, sem naturalidade.
Diante da bateria, o seu mestre, o general da banda. Um inglês magro
e barbudo, com cara de professor aloprado, que aprendeu a comandar bateria
em Londres mesmo. Com chapeuzinho na cabeça e apito na boca, ele
manja mesmo da coisa, sofre e insiste ao corrigir seu "alunos".
Levanta o braço, marca o ritmo com o apito e comanda com sinais
a banda como se estivesse na Sapucaí. Se existe um líder
que é seguido sem contestação no movimento, esse
é o mestre da bateria.
Ensina e tenta pôr ordem para que bloco caótico execute ao
menos um ritmo:
- Pá, pá, parapapá; taratatá, pará,
papá.
O que tocam, em um caos de sons embolados, é mais um "samba
tcheco". Uma menina chega, com uma bandeira rosa-prateada em um enorme
mastro e começa a agitá-la diante do grupo. Para terminar
o ensaio desfilam com a "porta-bandeira" pelo Centro de Convergência,
praticando tocar e fazer marcha ao mesmo tempo
O mestre de bateria e o uso de blocos de samba em protestos na Europa
vem da Inglaterra, do Reclaim The Streets (RTS), grupo que tem como meta
retomar as ruas para as pessoas. O que significa libertar as ruas do controle
das corporações e seus anúncios, dos carros e do
controle estrito do governo.
Ainda não entendeu?
Seus eventos incluem "jardinagem guerrilheira" (destruição
do asfalto e plantação de mudas em vias urbanas), teatro
de rua, raves abrindo estradas (os carros que fecham as estradas, seus
atos as "abrem"), futebol no meio de avenidas etc...
As características do grupo vêm da mistura da cultura rave
com squatters, ecologistas radicais, anarquistas e artistas plásticos,
de rua ou de circo. Nos seus slogans, ecos de maio de 68.
Ou seja, realmente não é fácil de entender.
Uma das explicações para o RTS é de que, na Inglaterra,
ao contrário da França ou da Espanha, não há
uma cultura das ruas como um espaço de manifestação
popular.
Quanto à sua forma de organização o grupo é,
nas suas próprias palavras:
"Não-hierárquico,
sem líderes, organizado abertamente, público. Não
há nenhum plano individual, ou "estrategista" por trás
das ações e eventos. As atividades do RTS são resultado
de esforços voluntários, não remunerados e cooperativos
de numerosos indivíduos autônomos tentando trabalhar junto
de forma igualitária."
Sobre a falta
de uma ideologia que os unifique, em um texto sobre sua aliança
com sindicatos e a necessidade de unir a luta social e a ecológica,
o RTS declara o seguinte:
Unidos
na diversidade. Nós temos nossas discordâncias. Alguns acham
que todas as formas de poder do estado devem ser rejeitadas, outros que
deveríamos usar a liberdade que temos para desafiar e mudar as
instituições que moldam as nossas vidas. O que nos une é
a crença na necessidade e na legitimidade da ação
direta, e na visão de que é preciso agir aqui e agora, para
resolver a crise ecológica e social que enfrentamos.
O RTS foi
quem trouxe a Praga seu samba. O que no Brasil seria uma "banda de
Ipanema", ou um ensaio aberto, em Londres ou na República
Tcheca vira protesto.
» Eles
querem as ruas
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