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Novembro
/ 2002
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Eles querem as ruas Por
Bárbara Lopes e Katia
Abreu Pichação
em propaganda de carro, uma das As ruas deixaram
de ser um espaço de convívio social e servem somente à
passagem dos cidadãos, a caminho de casa, do trabalho ou das compras.
Muito já se disse e se escreveu sobre isso, mas ações
concretas (e diretas) só começaram a surgir na última
década, mais precisamente em 1991, quando nasceu em Londres um
movimento chamado Reclaim
The Streets. A raiz do RTS está nos protesto de ecologistas
contra a construção de estradas, a que se juntaram os descontentes
com as leis anti-rave, anarquistas e outras tendências dos
movimentos antiglobalização. E se espalhou por cidades como
Melbourne, Nova York, São Francisco, Madri, Berlim...
A forma encontrada
pelo RTS para se manifestar foi ocupar as ruas, organizando festas, jogos
de futebol, plantando árvores, bloqueando estradas, pintando clandestinamente
faixas para ciclistas, "intervindo" nos cartazes de publicidade.
As festas, inicialmente pacíficas, algumas vezes terminam em confronto
com a polícia. Como lidar com as autoridades, aliás, é
uma das primeiras dicas do movimento para quem quiser começar um
grupo em sua cidade. E mais do que desafiar policiais, o RTS parece ter
desafiado o próprio FBI
- no ano passado foi citado como grupo terrorista, "ameaça
potencial nos Estados Unidos".
O fato de
o RTS ser um movimento de pessoas jovens e embalado por música
eletrônica lá fora pode trazer a idéia equivocada
de que o similar brasileiro seria um Mercado Mundo Mix nas ruas. Nada
disso. Há de se lembrar que a cultura raver aqui no Brasil
tem características muito díspares da original. Diferentemente
do que acontece na Europa, aqui, a maior parte dos freqüentadores
de raves pertence à classe média alta (ou mesmo às
elites). As festas não têm um viés de "contracultura".
Pelo contrário, refletem uma espécie de mainstream elitista
e afetado. Uma cópia que ficou apenas na aparência descolada.
Os idéias neo-hippies dos ravers europeus aqui foram revisitados
superficialmente, na moda "hippie-chique" e nas drogas consumidas
livremente nas festas.
Um paralelo
mais "correto" com o RTS no Brasil poderia ser o Movimento dos
Sem-Terra. Ocupação, seja de ruas em grandes cidades, seja
de fazendas improdutivas, para reconquistar um espaço que é
do cidadão. Seja ele do campo, ou da cidade, bem vestido ou mal
vestido, que escute forró ou techno.
Desorganização
O Reclaim
The Streets se classifica como uma "desorganização":
não tem uma hierarquia, nem porta-vozes. Suas ações,
segundo eles, ocorrem pela soma da preparação prévia
coletiva com a participação espontânea ativa de pessoas
durante os atos. As decisões tentam ser tomadas não por
votações, mas através de consensos. O movimento é
ligado à Ação
Global dos Povos, uma aliança de grupos de ação
direta que se opõem ao capitalismo e pregam a desobediência
civil. O RTS, como estes grupos, cansou de tentar o diálogo e de
esperar o resultado de protestos simbólicos. Agora eles tentam
tomar as ruas de volta. » Leia trecho do livro A Guerrilha Surreal Para saber
mais sobre o Reclaim the Streets: |
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