Ok. Fora
a possibilidade de ter um professor de História da Arte atraente,
as aulas não tinham sido lá muito proveitosas. Mas como
a B*Scene também é auto-ajuda, montamos um guia de movimentos
artísticos que podem ajudar a entender seus relacionamentos.
Classicismo
Comecemos com o namoro clássico. Assim como nas artes, o período
conhecido como Renascimento (ou Classicismo) definiu aquilo que durante
muito tempo foi seguido pelas academias, a sociedade ocidental (judaico-cristã)
teceu ao longo da história um padrão de relacionamento.
Rapaz conhece moça, os dois se apaixonam e decidem que querem passar
o resto da vida juntos. É um namoro com perspectiva. Perspectiva
de construir uma vida em comum. Tal como nos quadros de Michelângelo,
a harmonia é fundamental. Enfim, tudo muito lindo de se olhar,
mas cansativo, sem grandes emoções.
Barroco
Já num relacionamento barroco emoção é o que
não falta. Cheio de altos e baixos (luz e sombras, em línguagem
pictórica), o casal barroco é marcado por contrastes: provavelmente
ele gosta de cinema europeu, ela prefere comédias românticas.
Se um dos princípios do barroco era conciliar forças opostas
(o bem e o mal, o sagrado e o profano) aqui vale a máxima "os
opostos se atraem". Por conta dessas diferenças, aparentemente
tolas, a coisa pode degringrolar para um relacionamento exagerado, dramático
e tempestuoso, que alterna declarações de amor apaixonadíssimas
a crises que sempre parecem definitivas.
Impressionismo
Os dois são sempre vistos juntos, têm amigos em comum e já
se beijaram de dia (o que é a prova dos nove de se é namoro
ou amizade). De longe, parece um namoro, mas quando você se aproxima
o quadro tem pinceladas curtas que parecem apenas borrões. Eles
passam tempos sem notícias um do outro, ela já ficou com
o melhor amigo dele e ele esqueceu o aniversário dela. O namoro
impressionista não é bem um namoro. Sem linhas ou contornos,
aposta mesmo nas cores. Por isso, também é conhecido como
amizade colorida.
Cubismo
As telas de Pablo Picasso tentavam retratar uma figura da maneira mais
completa possível. Assim, recortava várias partes de um
rosto humano, por exemplo, mostrando-o de frente e de perfil para quem
apreciava o quadro. Outro mestre do estilo, George Braque, construía
- através de colagens - um cenário composto por elementos
diversos buscando também a representação completa
de uma realidade. Temos, portanto, duas formas de cubismo: o sintético
(Picasso) e o analítico (Braque). Um relacionamento cubista é
aquele em que a pessoa procura a plenitude. Dessa forma, vai criando um
mosaico com pedaços de pessoas diferentes e pode acabar de duas
formas: um amor platônico, por alguém que provavelmente não
existe (sintético) ou uma relação poligâmica,
na qual as lacunas são preenchidas por colagens de vários
relacionamentos com pessoas diferentes (analítico).
Abstracionismo
Quando o abstracionismo surgiu, no início do século XX,
pelas mãos do russo Wassili Kandinski, a idéia era pôr
em xeque a pintura figurativa. As reações foram inflamadas,
como as que provocaria a revolução sexual nos anos 60/70.
Afinal, trata-se quase da mesma coisa: admirar a forma per si sem querer
saber o que aquilo queria dizer. Nada de pensamentos ou sentimentos, apenas
a pulsão criativa ou sexual agindo livremente. Num relacionamento
abstrato, a parte física é o que conta. O abstracionismo
levado ao extremo se manifestou na Bauhaus, tão funcional e fria
quanto pagar por sexo.
Naïf
Namoradinhos, que andam de mãozinhas dadas, pegam um cineminha
e depois, um jantarzinho. Tudo no diminutivo. A falsa ingenuidade e a
infantilidade da arte naïf servem de modelo para os casais que usam
baby talk e apelidinhos nojentos. Muito fofo e irritante. Assim como não
dá para entender por que um marmanjo pinta quadros que parecem
ter sido feitos por crianças, é inconcebível alguém
com mais de quinze anos se referir à namorada ou ao namorado como
"meu gubudjunubujujuxugubunujudjudjuzinho".
Happenings
Segundo o artista e agitador Jean-Jacques Lebel, happening pode ser definido
como "arte plástica, mas sua natureza não é
exclusivamente pictórica, é também cinematográfica,
poética, teatral, alucinatória, sociodramática, musical,
política, erótica e psicoquímica". Ou seja,
continuamos sem entender completamente o que diabos é um happening.
Mas o que importa é que depende da participação do
público. Quando falamos em um relacionamento happening, pouco importa
o relacionamento em si. O importante é mostrar para os outros.
Provar que não é gay, que não é encalhada,
que esqueceu o ex-namorado. Assim como nas artes, esses affairs são
efêmeros e únicos, não têm como se repetir -
quem viu, viu, quem não viu, perdeu.